Flavia Alemi/Estadão
Flavia Alemi/Estadão

Do cemitério às lojas pitorescas, um tour pela inspiradora Edimburgo

J.K. Rowling escreveu a história de Harry Potter no tempo que viveu na capital escocesa. E não é difícil reconhecer suas referências

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 04h40

Edimburgo se diferencia de outras metrópoles europeias não só por sua arquitetura singular, mas também porque a cidade carrega um ar natural de magia. Trombei com vários ilusionistas fazendo performances gratuitas no meio da rua, além de bruxas “flutuando” aqui e ali em Old Town, no centro histórico. Foi enquanto morava na capital escocesa que J.K. Rowling se concentrou em escrever a história que mudaria sua vida.

Ela gostava de se aconchegar em alguns dos muitos cafés que se espalham pela cidade, mas tinha uma predileção pelo extinto Spoon. O local pertencia ao seu cunhado e lá J.K. Rowling podia ficar com sua bebê, Jessica, enquanto ganhava cafés com leite de cortesia. Após Harry Potter ganhar fama e o Spoon fechar, esse traço do processo criativo de Rowling fez alguns estabelecimentos disputarem entre si o título de café preferido da autora.

Foi The Elephant House que saiu na frente, instalando uma placa na fachada na qual eles literalmente se intitulavam o local de nascimento de Harry Potter após Rowling conceder uma entrevista para a televisão em suas dependências. Algumas disputas judiciais depois, The Elephant House agora coloca sua nomeação entre aspas e recebe muitos turistas que prestam “homenagem” a Rowling e à saga rabiscando mensagens e desenhos nas paredes do banheiro.

O café fica no viaduto George IV e, a poucos metros dali, está o ponto de encontro do tour a pé (e gratuito) The Potter Trail, em frente à estátua do cãozinho Greyfriars Bobby. Os guias eram tão ou mais fãs do que eu e sabiam contar vários detalhes incluídos neste texto. Os grupos saem duas vezes por dia, entre abril e agosto, ao meio-dia e às 16h. De setembro a março, há apenas um passeio diário, às 14h.

Na mesma rua está uma das entradas do cemitério Greyfriars Kirkyard, onde dá para passar o tempo procurando nomes conhecidos do universo pottteriano nas lápides. O poeta William McGonagall, por exemplo, tem o mesmo sobrenome da professora de Transfiguração, Minerva McGonagall, mas, diferentemente de sua “parente”, ele era considerado péssimo no que fazia. 

Mas é a família Riddell que ganha maior dedicação dos turistas. O túmulo de Thomas Riddell e seu filho, de mesmo nome, é tido como inspiração para o nome “de trouxa” de Lord Voldemort, Tom Riddle, e seu pai.

Conta-se que Rowling teria feito a modificação na escrita para preservar a identidade da família Riddell, mas aparentemente não adiantou: essa é a lápide mais fotografada do cemitério e, no Halloween, pessoas fantasiadas de Comensais da Morte (os seguidores de Voldemort) costumam simular duelos bruxos em frente ao local. Deve ser esquisito.

Hogsmeade e Beco Diagonal

Perto do cemitério, o Grassmarket convida a degustar um pint aos pés do Castelo de Edimburgo, num cenário que poderia ser Hogsmeade se houvesse cerveja amanteigada no menu. Dá para experimentar também (por sua conta e risco) o típico haggis - um cozido feito de coração, fígado e pulmão de ovelha. Não tive coragem. 

Repleto de pubs e restaurantes, o Grassmarket foi outrora um espaço para execuções públicas e passou recentemente por um processo de gentrificação impulsionado pelo turismo, que o transformou em parada obrigatória dos viajantes. 

A rua do Grassmarket chega até a Victoria Street, onde a inspiração para o Beco Diagonal serve de chamariz turístico. Lá não tem só lojinhas pitorescas de temáticas bruxescas, mas também uma espécie de mezanino repleto de restaurantes e bares. Consegui até revisitar minha imaginação anterior aos filmes e lembrar de como era o Beco Diagonal da minha imaginação. 

“Havia lojas que vendiam vestes, lojas que vendiam telescópios e estranhos instrumentos de prata que Harry nunca vira antes, janelas com pilhas de barris contendo baços de morcegos e olhos de enguias, pilhas mal equilibradas de livros de feitiços, penas de aves para escrever e rolos de pergaminhos, vidros de poções…”. À exceção dos órgãos de animais, a descrição do Beco Diagonal em Harry Potter e a Pedra Filosofal parece se encaixar perfeitamente na Victoria Street. 

Atrações além de Hogwarts

Há muito mais que Harry Potter em Edimburgo. Saindo do mezanino da Victoria Street pelo Fishers Close, um dos muitos becos da cidade, chega-se a Lawnmarket, uma das vias que compõem a Royal Mile, que liga o Palácio de Holyroodhouse, à direita, ao Castelo de Edimburgo, à esquerda. O trajeto soma uma milha escocesa (1,814 quilômetro), daí o nome. Ao longo do passeio, escoceses vestindo kilts e tocando gaita de fole fazem a trilha sonora de quem se aventura pelas lojinhas de souvenirs. 

Caminhando pela estreita Castlehill, o Castelo de Edimburgo (£ 17,50 ou R$ 84) vai tomando forma. Instalado no topo de uma rocha vulcânica, o forte tem áreas que datam do século 12 e se assemelham aos cenários de Game of Thrones. Os muros de pedra cinza e âmbar fazem as vezes de Vira-Tempo e garantem uma viagem à Idade Média.

Para fugir um pouco de Old Town, os ônibus turísticos circulares levam a pontos mais afastados. O Majestic Tour, por exemplo, custa £ 16 (R$ 77) e passa pelo Jardim Botânico Real e pelo iate Britannia, que serviu de palácio flutuante para a família real por mais de 40 anos.

Em dois dias você visita o básico de Edimburgo, mas aproveite para ver mais da Escócia. Na Rabbie’s há vários itinerários de um ou mais dias para conhecer o Lago Ness, a Ilha de Skye ou as Terras Altas. 

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