Do memorial aos templos da fé, a herança de Jerusalém

O nome foi retirado de um versículo do livro do profeta Isaías. O excelente museu Yad Vashem - que significa "memorial e nome" foi inaugurado em Jerusalém há oito anos, com um complexo de edifícios e jardins que tem como objetivo eternizar a memória de cada uma das vítimas do Holocausto.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2013 | 02h10

O passeio é interessantíssimo. Em lugar do clima pesado da visita a guetos e campos de concentração, arquitetura admirável e soluções interessantes como a Sala da Lembrança, com sua chama eterna acesa sobre um piso de pedra com os nomes dos 22 campos de concentração, extermínio e trânsito do Terceiro Reich. Ali, há fotos de 600 pessoas mortas pelos nazistas.

O museu tem salas que indicam e detalham os principais pontos do Holocausto na Europa ocupada pelos nazistas. Fotografias, objetos, roupas, obras de arte e artefatos religiosos ilustram o cotidiano das comunidades judaicas na época e também dos integrantes do regime de Hitler.

Na Sala dos Nomes, 2 milhões de folhas guardam os nomes e uma breve biografia de idêntico número de vítimas do Holocausto. No ambiente circular há espaço para chegar a 6 milhões de folhas, total estimado dos judeus exterminados pelo nazismo.

Outro ambiente interessante fica no jardim. O Yad LaYeled é um monumento em lembrança de 1,5 milhão de crianças judias. No seu interior há centenas de velas que, refletidas em pedaços de espelhos quebrados, simbolizam estrelas do céu. O sistema de som reproduz, em sussurros, nomes e idades de crianças mortas.

No local está, ainda, a alameda arborizada batizada de Avenida dos Justos Entre as Nações, com placas que homenageiam não judeus simpáticos à causa, e que consiste em uma alameda com árvores plantadas em homenagem a pessoas reconhecidas pela instituição, com placas em sua memória. Site: yadvashem.org.

Três religiões. Durante séculos, a atual capital de Israel foi considerada o centro do mundo. Na Idade Média, os mapas realmente a colocavam em tal posição. Segundo o escritor Simon Sebag Montefiore, "Jerusalém é a casa de um Deus, a capital de dois povos, o templo de três religiões e a única cidade que existe duas vezes: no Céu e na Terra".

Tanta importância histórica e espiritual ganha corpo na Cidade Velha. O Muro das Lamentações é um dos lugares mais sagrados do judaísmo, já que se trata de um vestígio do imenso templo de Jerusalém. Judeus das mais variadas denominações rezam ali há 2 mil anos.

Perto dali, a Mesquita de Al-Aqsa (noblesanctuary.com) integra o complexo religioso da Esplanada das Mesquitas, ponto de oração para muçulmanos, que creem que dali o profeta Maomé subiu aos céus, em 621 d.C..

Ainda dentro da Cidade Velha, a Basílica do Santo Sepulcro (www.christusrex.org) é local sagrado do cristianismo - ali teriam ocorrido a crucificação, o enterro e a ressurreição de Cristo.

A Cidade Velha é também um bom lugar para sentir fome. O sempre lotado Sima's (Rua Agrippa, 82) é famoso pelo Jerusalém mixed grill, prato que leva corações de frango, carneiro e outros ingredientes. Ótimos falafel e chawarma são servidos no Moshike (Rua Bem Yehuda, 5). O Abu Shukri (Al Wad, 63) é simples e faz um homus famoso. Para acompanhar, peça o pão bem quente. / A.P.

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