Doces descobertas no Norte Europeu

A finlandesa Helsinque é um bom ponto de partida para um tour que inclui cinco outras maravilhas da região

Ana Carolina Sacoman, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2008 | 03h16

As paisagens começam a descongelar e a hora de empreender uma viagem para o Norte Europeu é agora - isso, claro, se você considerar médias de 10 graus, em plena primavera, algo suportável. Nesta edição, tomamos Helsinque como ponto de partida para outras cidades merecedoras de um olhar atento. Sim, você leu certo: a capital da Finlândia é meio caminho para lugares como Tallin, na Estônia (83 quilômetros em linha reta pelo Mar Báltico). Prefere algo menos exótico? Saiba, então, que São Petersburgo, na Rússia, fica a míseros 310 quilômetros dali (também em linha reta). Para completar, as capitais nórdicas não estão muito longe - Estocolmo, na Suécia, por exemplo, localiza-se a menos de 400 quilômetros de Helsinque. Veja também: Sopa de salmão ou sanduíche de rena? Mescla de cultura e lazer fora do centroTraços medievais na animada e charmosa Tallin Interessou? Então, comece a se programar desde já. O sucesso da empreitada depende de um bom planejamento. Isso porque a Rússia exige visto de brasileiros - e, como burocracia é igual no mundo inteiro, não se trata exatamente de uma boa idéia deixar para colocar os documentos em ordem durante a viagem. É preciso, também, prestar atenção aos caprichos da natureza. A travessia de barco para Tallin dura apenas 1h30 e a tarifa de ida e volta custa 50 (R$ 128), mas depende das condições climáticas, mesma coisa do cruzeiro para Estocolmo (a 100 ou R$ 256,50; ida e volta). Sentiu o drama? Não desanime, isso tudo vai valer a pena no final. TEMPLOS Reserve uns três dias para circular entre Helsinque e Tallin. A finlandesa tem seu charme e não é preciso vasculhar muito para chegar aos pontos turísticos. Tudo fica perto, no centro, que é muito bem servido por linhas de trens urbanos, ônibus e metrô. Detalhe: não há placas de sinalização em inglês, apenas em sueco e finlandês, mas é facílimo encontrar alguém na rua para pedir uma ajuda. Um bom ponto de partida é o Senate Square, quadrilátero que reúne a Catedral Luterana, a Universidade de Helsinque e o gabinete do primeiro-ministro, todos erguidos no começo do século 19, quando Helsinque foi transformada em capital (antes, era Turku). Imponente, a Catedral, toda branca, teve sua construção arrastada entre 1818 e 1852 e fica no alto de uma escadaria. O esforço para vencer os inúmeros degraus e conhecer o interior só vale se você for aficionado por altares e afins. Caso contrário, guarde fôlego para entrar na Catedral Uspenski, a próxima parada. No alto de um monte, de frente para o porto, o prédio de tijolos vermelhos e cúpulas douradas se destaca de longe. Erguida entre 1862 e 1868 em estilo bizantino russo, a Uspenski remete ao período em que o país viveu sob domínio dos czares. Pausa para um resuminho histórico: parte do reino sueco, a Finlândia foi tomada pelos russos na Grande Guerra do Norte, entre 1700 e 1721 - mas conseguiu manter alguma independência e nunca adotou o russo como idioma oficial, por exemplo. Duzentos anos depois, rebeldes teriam aproveitado a Revolução Russa, em 1917, para declarar a independência do país. Antes de entrar na Uspenski, tida como a maior igreja ortodoxa da Europa Ocidental, repare nas 13 cúpulas, representando Cristo e os apóstolos. No interior, as paredes e o telhado são ricamente decorados. E, já que você embarcou nesse roteiro religioso, feche o circuito na Igreja Temppeliaukio, uma curiosa construção encravada numa rocha. Por fora, parece um abrigo antiatômico esquisito. Por dentro, o templo, finalizado em 1969, lembra uma caverna, de beleza ímpar. Além da pedra, na construção foram usados vidro, para captar a luz do sol e formar mosaicos na parede, e madeira. TODO MUNDO SE ENCONTRA ALI Mais uns quarteirões e você está nas redondezas da Estação Central de Trem - dali sai a linha que leva até São Petersburgo -, com terminais de ônibus e estação de metrô. O primeiro terminal data de 1860, mas o prédio logo ficou pequeno e obsoleto. No começo do século 20, a estação foi redesenhada e ganhou novas plataformas. Mais uma vez, os finlandeses pensaram pequeno e tiveram de reformular tudo na década de 1960, quando a construção ganhou um elegante hall, hoje abarrotado de lojas de doces e souvenirs. Gaste umas horas por ali - as bancas vendem ótimos sanduíches tipo wrap. Ao lado da estação fica o exuberante Teatro Nacional, de 1872; na calçada oposta está o Ateneum Art Museum, que abriga acervo e exposições de arte moderna finlandesa. No mesmo quadrilátero há uma penca de cassinos (mas, atenção, só tente a sorte se souber alguma coisa de finlandês; as maquininhas, sem tradução em inglês, não perdoam turistas ''analfabetos''). Uma última volta pelo centro antes de seguir para o hotel. As ruas de comércio, como a Mannerheimintie, abrigam lojas de marcas que, provavelmente, você nunca ouviu falar - porque são locais, oras. Há, claro, toda sorte de cadeias internacionais, como Zara e H&M. Entre os melhores endereços para compras estão o shopping Forum e a loja de departamentos Stockmann (veja mais na página 9), mas não se empolgue muito. Os preços em toda Helsinque raramente são vantajosos. Uma curiosidade: diferentemente do Brasil, os shoppings lá simplesmente não têm bancos nem cadeiras para o visitante sentar e descansar, somente na praça de alimentação e, para ficar ali, é preciso consumir... Catedral Luterana: Senaatintori, 709 Cat. Uspenski: Kanavakatu, 1 Temppeliaukio: Lutherinkatu, 3 Teatro Nacional: Rautatientoru, s/n.º Ateneum Art Museum: Kaivokatu, 2; www.ateneum.fi/en; entradas a 8 (R$ 21) Forum: Mannerheimintie, 20; http://www.cityforum.fi/ Viagem feita a convite da Royal Caribbean

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