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Dois em um

Francês. Alemão. Inglês. Às vezes, até português (carregado de um sotaque bem lusitano). Em Fribourg, nunca se sabe que idioma um novo interlocutor irá escolher para falar com o recém-chegado. A cidade de 38 mil habitantes, fundada em 1157, é considerada a fronteira entre as chamadas "Suíça alemã" e "Suíça francesa". Sua universidade é a única do país em que o currículo é 100% bilíngue. E suas ruas, as únicas a exibir placas com os nomes em francês e em alemão.

Camila Hessel / Fribourg, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h09

A fronteira propriamente dita é mesmo o Rio Sarine, que corta Fribourg ao meio, e sobre o qual foram construídas as belas pontes, ora de pedra, ora de madeira, que unem sua parte moderna, de ruas asfaltadas e edifícios, à Cidade Velha (chamada pelos locais de cidade baixa), onde as ladeiras de paralelepípedos são pontuadas por igrejas, conventos e outras construções medievais. Longe da rota das cidades suíças mais procuradas por turistas, Fribourg e seu entorno são uma bela síntese deste país dividido por culturas e línguas tão distintas, orgulhosamente unido pela neutralidade.

Embora oficialmente mude-se de lado a cada vez que se cruza uma ponte, em Fribourg é difícil dizer em que Suíça você está. Sem qualquer razão aparente para a escolha, a garçonete de um café na cidade baixa alternava "guten morgens" e "bonjours". Questionada sobre que idioma preferia falar ou sobre como decidia a quem se dirigir em cada língua, disse: "Sou neutra, vou alternando e espanto o tédio".

Vá a pé. A Avenue de la Gare (ou Hauptbanhofstrasse, se você preferir) é o umbigo da cidade. É nela que fica a estação de trem. Dela partem os ônibus e os bondes para toda a parte. E é ali, à sua esquerda, que começam os bulevares exclusivos para pedestres que, em dias de tempo bom, fazem dos seus pés o melhor meio de transporte.

Pequenina e cercada de montanhas de um verde profundo, Fribourg foi feita para se percorrer com calma. A Cidade Velha reúne mais de 200 fachadas góticas, erguidas no século 15. É um prazer descobrir os detalhes de cada uma e, à medida que se avança, identificar os padrões que se repetem em várias delas.

A partir da estação, a melhor rota para chegar ao marco zero da cidade - a Catedral de São Nicolau - é a Rue de Romont. Pontuada por lojas e cafés, ela abriga uma curiosidade: a estátua que chora. Dali, pode-se optar por um caminho mais direto, tomando a Rue de Lausanne, ou serpentear pelas ruazinhas e vielas, sem medo de se perder.

Outra rota interessante é a das 12 fontes históricas. Instaladas em pátios, rotatórias e diante de prédios públicos, as fontes são decoradas com motivos bíblicos e fornecem água potável para os peregrinos do Caminho de Santiago, que passa por ali.

Prepare-se para muito sobe e desce, e para algumas das fotografias mais bonitas que você vai tirar. E encerre o passeio na torre da catedral. Aberta ao público entre o domingo de Páscoa e o dia 31 de outubro, recebe visitas das 10 às 17 horas. Para chegar ao topo de seus 74 metros, é necessário pagar 3,50 francos suíços (R$ 8) e encarar 368 degraus. Mas a vista da cidade - e da paisagem pré-alpina que a circunda - banhada pelo sol compensa. E ainda ajuda a abrir o apetite para as delícias locais, à base do especialíssimo creme de leite.

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