Dois ícones de uma quase capital

Atmosfera cosmopolita, vias abarrotadas de carros, movimento por toda parte e a qualquer hora renderam a Atlanta o apelido de capital do sul dos Estados Unidos. Ou, para os mais modestos, a cidade que se propõe a ser a face moderna da região. Não à toa, foi eleita casa de dois ícones americanos: a Coca-Cola e a rede televisiva de notícias CNN. Duas corporações com a cara dos Estados Unidos que, surpreendentemente, acabaram se tornando bons motivos para o turista ficar alguns dias na cidade.

ALEXANDRE RODRIGUES / ATLANTA, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2011 | 03h07

Afinal, o aeroporto da cidade é um dos maiores hubs do país e principal base de conexões da companhia aérea Delta. Ou seja, em algum momento, você acaba passando por lá. Aí fica fácil repensar o programa das férias e optar por uma parada mais longa na capital da Geórgia.

O primeiro endereço a ser visitado é o Centennial Olympic Park, onde a Coca-Cola mantém um museu dedicado à história e cultura da marca, que está completando 125 anos. O The World of Coca-Cola tem lá a estátua do criador da bebida, o farmacêutico John Pemberton - que chegou à cobiçada fórmula em 1886 em meio às tentativas de criar um revigorante para ganhar a vida na Atlanta do pós-guerra civil -, mas está longe do tédio de um museu tradicional.

Quem paga US$ 16 pelo ingresso (US$ 12 para crianças) é recebido por monitores em uma sala com relíquias da companhia, como as primeiras garrafas e placas publicitárias. Um desenho animado reforça a fantasia criada em torno da marca e, na saída do cineminha, o corre-corre da criançada é para garantir a foto com personagens de comerciais, como aquele urso polar que todo mundo acha fofinho.

O grande hall de pé direito alto revela a arquitetura arrojada do prédio, além de exibir exemplares da tradicional garrafa do refrigerante decoradas com motivos de vários países onde é comercializada. A partir dali, cada visitante se vê livre para escolher entre as outras atrações do museu.

A mais procurada é o cinema 4D, onde a diversão vai além dos óculos de 3 dimensões. O quarto D vem das sensações proporcionadas pelo movimento das cadeiras, que tremem como numa montanha-russa e respingam água no público. Na telona, o filme mescla atores e animação, divertindo com a trama sobre o segredo da fórmula do refrigerante - que, claro, permanece bem guardado após a projeção.

Voltado mais para o público adulto, um outro cinema exibe comerciais famosos da Coca-Cola em versões para dezenas de países, enquanto a galeria de pop art reúne pinturas e esculturas inspiradas na marca.

É em uma das salas do segundo andar que o visitante mata a sede. Lá é possível provar mais de 100 sabores de bebidas produzidas pela marca e seus parceiros, além de brincar com uma máquina capaz de misturá-los. Haja estômago para tanto refrigerante... Como nem sempre sobra espaço para a original, o turista ganha uma simpática garrafinha de Coca-Cola na saída.

Quem sucumbe à overdose de marketing, ainda pode passar na lojinha e sair de lá com lembrancinhas que vão de ioiôs e canecas a camisetas e até pijamas inspirados no lendário logotipo.

Bastidores. Diante do quartel-general da CNN o visitante até esquece que a cidade sofreu certo abatimento pela crise econômica. Mantido em Atlanta por uma exigência do fundador a rede, Ted Turner, o edifício parece ser hoje o mais movimentado do centro da cidade e bem semelhante a um grande shopping center, com praça de alimentação que reúne inúmeros restaurantes, além de lojas.

Mas a grande atração é a visita guiada pelos estúdios da rede de TV (ingresso a partir de US$ 15), quando os turistas podem chegar bem perto dos cenários onde os âncoras conduzem a programação ao vivo da rede. De tão acostumados, funcionários das redações e áreas de produção parecem nem se incomodar mais com o vai e vem de visitantes nos corredores e atrás das muitas paredes de vidro.

Antes de deixar o local, é na lojinha de souvenirs que o visitante consegue ter a real noção da estratégia da CNN de celebrizar seus âncoras. Dá para voltar para a casa com boné, camiseta, caneca e até pôsteres de corpo inteiro dos apresentadores mais famosos, como os jornalistas Anderson Cooper, Erin Brunnet, e T.J. Holmes.

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