Domínios do glaciar

A capital Buenos Aires havia ficado para trás e o sol invadia a aeronave. Foi quando o piloto anunciou que a pequena El Calafate se aproximava. Inquietos, os passageiros se contorciam em busca do melhor ângulo nas estreitas janelas. Todos com o mesmo objetivo: avistar, mesmo que de relance, o principal ícone da Patagônia argentina - o glaciar Perito Moreno. A hora de se programar para conhecê-lo é agora: de setembro a maio, as temperaturas da região ficam mais amenas.

BIANCA PINTO LIMA / EL CALAFATE, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2014 | 02h07

Os primeiros a aparecer, no entanto, foram os tons de azul e verde do Lago Argentino, praticamente um Mar do Caribe. Ao fundo, a Cordilheira dos Andes compunha o cenário. E, sem maiores avisos, um pedaço do gigante de gelo passou rapidamente pelos nossos olhos. Era só um aperitivo para o que nos aguardava em terra.

Isso porque o forte de El Calafate são mesmo as paisagens estonteantes. As diferentes combinações entre gelo, montanha e lago fazem dessa cidade da província de Santa Cruz e de suas redondezas um interessante destino. Nos últimos 14 anos, o povoado quadruplicou de tamanho e hoje o turismo é a principal atividade econômica.

Na parte de hotelaria, há opções variadas: desde estâncias elegantes, com amplos spas, até hostels mais despojados. A comida também agrada a diferentes paladares: carnes argentinas, empanadas fumegantes e o tradicional cordeiro patagônico.

Os passeios, que à primeira vista podem parecer pouco instigantes, certamente ganham outro encanto por conta da paisagem. Foi assim a visita ao Cerro Frias, um parque de ecoturismo a meio caminho entre El Calafate e o Parque Nacional Los Glaciares. Ali, é possível deslizar em uma tirolesa de 2,3 quilômetros de comprimento ou simplesmente cavalgar, caminhar e andar em jipes 4X4. Com os carros, chega-se ao topo de uma das montanhas, a 1.030 metros.

Vastidão. Do cume, acompanhamos o entardecer com a visão panorâmica do Lago Argentino. Um daqueles momentos de perplexidade, em que você se sente pequeno diante da imensidão do planeta. Para terminar, vinho argentino e bolo caseiro no restaurante do parque - uma construção com enormes janelas, que valorizam o que a região tem de melhor.

A programação do dia seguinte era um passeio de barco entre os glaciares. Finalmente nos aproximaríamos das enormes massas de gelo e a expectativa era grande. A excursão dura quase um dia inteiro e as horas finais acabam sendo um pouco monótonas e cansativas. Mas o saldo é bastante positivo.

O ponto de partida é o porto de Punta Banderas, a 45 quilômetros de El Calafate. No roteiro, o canal que liga os glaciares Spegazzini e Upsala. O primeiro é o mais alto do pedaço, com 130 metros, e o segundo o mais extenso, com uma superfície de 800 quilômetros quadrados - como se quase metade da cidade de São Paulo fosse um bloco gigante de água congelada.

Durante a navegação, o barco passa ao lado de diversos icebergs que parecem pintados de diferentes tons de azul (leia mais na pág. 9). Com o imponente Upsala ao fundo, uma pausa para o brinde: uísque on the rocks com pequenos fragmentos da geleira. Previna-se e leve agasalhos. Do lado de fora da cabine, o vento é intenso e gelado.

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