Dry martinis e David Niven

Nosso impávido correspondente internacional está se preparando para o que chama de "melhor momento do ano para viajar". Para ele, que tem, a nosso ver, uma experiência mais que relativa, a primavera que se aproxima no Hemisfério Norte e o outono que está chegando por aqui são as estações mais adequadas para quem deseja percorrer o planeta. "Menos turistas, clima mais moderado, luz mais oblíqua e povos mais hospitaleiros."

O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h13

A seguir, as respostas da semana:

Sou médico, caso em outubro, quero ir para a Grécia e, se possível, outro país próximo. Turquia? Egito? Israel? Algum conselho?

Leonardo Haddad, por e-mail

"Well, doctor, vejo que sua opção foi juntar romance e história, num território em que Júlio César e Cleópatra fizeram algo parecido. É tudo uma questão de conquista, isn't it? Em outubro, I'm sorry to say, as ilhas gregas já não têm o calor do verão e, muitas vezes, ainda sopra o furioso meltemi, um vento que levou à breca velas gregas e troianas. Ainda assim, uma lua de mel no mar dos deuses é insubstituível.

A Turquia é extraordinária, mas tome cuidado para não perder sua noiva no Grande Bazar de Istambul, onde o poder de sedução do consumo já superou paixões aparentemente inabaláveis.

Em Israel, não importa se vocês têm alguma fé, há algo de abençoado no ar - e não apenas aviões militares. O Egito é apoteótico por seu legado, mas o assédio aos turistas não me permite indicá-lo como um endereço romântico. But don't worry, doctor: as pirâmides saberão esperá-los, mesmo que seja para uma viagem de bodas de ouro. Congratulations!"

Mr. Miles: onde se pode degustar o melhor dry martini?

Caio Lorena Bueno, São Paulo, SP

"Um purista etílico, my fellow? Well: dry martinis, devo confessar, não são a minha especialidade, mas meu saudoso hermano Luis Buñuel era um expert no tema. Tive o prazer de acompanhá-lo em dry martinis no bar do Hotel Plaza de Madri e no El Parador, na Cidade do México, onde o gelo sempre estava totalmente congelado, o que é essencial, according to Buñuel, para que o martini nunca fique aguado.

Luis também me dizia que, naqueles dois estabelecimentos, os bartenders sabiam borrifar a quantidade precisa de gotas de vermute para dar acabamento ao drinque e que ambos utilizavam, sabiamente, a marca Noilly-Prat. Ficava muito palatável, indeed. Como você sabe, eu sempre preferi um bom scotch, mas desisti de influenciá-lo quando ele me disse, definitivo: 'Miles, viejo, um bom dry martini deve assemelhar-se à concepção da Virgem Maria'. Não se discute com um sujeito desses."

Dúvida: a foto no alto é sua ou do David Niven?

Rodrigo de Melo Porto, São Carlos, SP

"Devo tomar sua dúvida como um lisonjeio, shouldn't I? Não, meu caro Rodrigo, este antigo retrato, que estampa também meus passaportes e salvo-condutos, é, de fato, uma imagem do que fui um dia (nem queira saber quando). I'm afraid to tell you que, do original, só restou mesmo o chapéu coco, que, hoje também, já é um remoto descendente desse que você vê no alto da página. David e eu estivemos juntos em diversas ocasiões e não me lembro de termos sido confundidos.

Otherwise, observando atentamente, concordo que, de fato, há discretas semelhanças entre minha única foto e algumas imagens do grande ator. Talvez porque, quando tive de me submeter à torturante série de poses que resultou nessa efígie, eu não estivesse, in fact, nos meus melhores dias."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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