Dubai, um canteiro de alucinantes notícias

À beira-mar. A cor das águas do Golfo Pérsico, entre verde e azul, pega desprevenido quem se acostumou a pensar na região apenas como um árido palco de disputas por petróleo (que tom pode ter o mar em um lugar assim senão o da triste mancha oleosa?). A bela vista e o calorão de 35 graus fazem você sonhar com uma cerveja gelada num quiosque. Mas cerveja e quiosque não existem assim, ao ar livre. Em Dubai, o consumo de bebida alcoólica fica restrito ao ambiente dos hotéis e de um ou outro restaurante. Vida boa. A cidade mais famosa dos Emirados Árabes não vira as costas para o mar. Apenas não o trata como atração principal. Nos resorts da orla, a expressão "vida boa" ganha significado amplo e variado. Quem adora hotéis-bolha, daqueles que desestimulam uma visita ao mundo exterior, verá que os de Dubai foram feitos sob medida. Restaurante, parque aquático, centro de compras, baladas boas de verdade com DJs realmente relevantes na cena internacional (Paul van Dyk está bom para você?)... E seu quarto está logo ali. Sacolas cheias. Dubai encontrou muitas formas de espantar o calor do deserto e atrair visitantes. Transformou suas areias em moldura para tantos atrativos quanto uma carteira bem recheada puder desejar. Compras, por exemplo. Mesmo sem ser fã de shoppings, admito: é uma delícia comprar em Dubai. O cartão de crédito parece ganhar superpoderes diante do dirham, moeda cujo valor equivale a dois terços do real. E os inodoros templos do consumo são equipados com potentes sistemas de ar-condicionado, tanto que chega a ser necessário levar uma blusa. Arquitetura. Um tour arquitetônico é mais que necessário para entender Dubai. A cidade se acostumou a ser chamada de canteiro de obras, gosta disso e se esforça para continuar a merecer a alcunha. Surgem assim prédios cada vez mais envidraçados, brilhantes, pontiagudos, geométricos, retorcidos. Tudo em mutação. Faz um ano que estive em Dubai. Nesse período, não param de chegar notícias. Há cerca de seis meses foi a inauguração do Hotel Raffles, em formato de pirâmide. Na semana passada, a ampliação do aeroporto - e o maior terminal de passageiros do mundo vem aí. A cidade é o destino para quem gosta de mordomia (não confunda com luxo) e é capaz de se encantar com a criatividade humana. Um lugar em constante mutação e uma daquelas histórias que só os nossos olhos podem nos contar.MÔNICA NÓBREGA SHOPPING DE RUA Saem de cena as grifes e as luzes artificiais e entram jóias de ouro, tapetes, pashminas e pimentas. As compras típicas em Dubai são de ótima qualidade e têm os souks como endereço. Os mercados de rua ficam junto ao porto, às margens do Creek, braço de mar que corta a cidade. Um raro espaço para andar a pé. Sim, no calor.

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