Dunas, desafios e muita vida no deserto da Namíbia

Enquanto o navio se aproximava da costa da Namíbia, tudo que podíamos ver era areia, muita areia. Os ventos fortes que ajudavam a aproximar o navio da terra nos faziam entender por que ali começa a região que ficou conhecida como Costa dos Esqueletos, uma das mais célebres áreas de naufrágios do mundo.

WALVIS BAY, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2012 | 03h10

Ali, costumam ocorrer bruscas variações de temperatura, chamadas de turbulências térmicas, e os temidos berg winds - ventos súbitos e quentes que vêm do deserto e, de tão secos, fazem as pessoas sangrarem pelo nariz e verem miragens, além de alterarem a propagação das ondas de rádio. Mas estávamos mesmo com sorte, e aportamos em Walvis Bay em um dia apenas nublado.

A maior parte do território da Namíbia é constituído de deserto e regiões pantanosas. Suas dunas se estendem por longas distâncias desde Walvis Bay em direção ao norte; são tão inconstantes e cobrem uma área tão vasta que chegaram a ser chamadas de "areias do diabo" pelo navegador português Bartolomeu Dias, no século 15.

A Duna 7 é a mais famosa, localizada entre as cidades de Walvis Bay e Swakopmund. Para os turistas, o grande desafio é encarar a subida até seu topo de inclinação exagerada, a aproximadamente 130 metros de altura. Lá do alto, a vista compensa cada um dos inevitáveis tombos do caminho.

Como o Silver Whisper pernoitou no porto de Walvis Bay, tivemos dois dias inteiros para passear pelos arredores. E o deserto namibiano, claro, figurava como objeto de desejo da maioria dos passageiros.

Logo na primeira noite fomos jantar em pleno deserto, rodeados por dunas, com mesas perfeitamente montadas sob tendas e cantores namibianos animando a festa. No menu, pratos típicos do país, servidos sob as estrelas.

Mundo bizarro. Na manhã seguinte, uma excursão nos levou ao Parque Nacional Naukluft, a uma hora de distância de Swakopmund. Ali, entre formações rochosas e dunas, vive a wilwitschia, planta que pode atingir até 4 metros de comprimento. Descoberta em 1859 por Friedrich Welwitsch, a espécie pode viver até 1.500 anos.

Entre vastas e inóspitas áreas, fomos surpreendido por cervos e kudus (espécie de antílope africano) cruzando nosso caminho - o local mais fácil para observá-los é nas proximidades do vale do Rio Swakop.

Sim, há vida no deserto - e muita. A prova derradeira foi quando o guia pediu para que o grupo descesse do carro e olhasse fixamente para um musgo preto espalhado sobre as pedras. Após despejar um pouquinho de água sobre elas, a cor preta, em segundos, deu lugar a um verde intenso - estávamos diante das plantas lichen, que se camuflam na secura do deserto.

A parte mais impressionante do tour foi atravessar as Moon Mountains, batizadas assim graças a seu gigantesco vale, de relevo em tons de cinza. Mas nem só de dunas e secura vive um deserto: antes de voltarmos ao navio, no fim do dia, pudemos atravessar um autêntico oásis, o Goanikontes, com sua densa e verde vegetação distribuída entre imensas dunas. /MARI CAMPOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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