Thibault Camus/AP
Thibault Camus/AP

Dúvidas comuns sobre viagens e coronavírus

Voos e cruzeiros cancelados por causa da pandemia do coronavírus? Está com dificuldade de falar com as empresas? Confira as dicas

Nathalia Molina, especial para o Estado

20 de março de 2020 | 06h00

Países com fronteiras fechadas, as principais atrações turísticas do mundo paradas, voos e cruzeiros cancelados. Resultado: planos de viagem adiados. Adiar, aliás, é o apelo das empresas ao consumidor, no lugar de cancelar de vez. O pedido foi feito em uma carta entregue ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, na qual entidades que representam operadoras, agências, hotéis e companhias de cruzeiro e de turismo corporativo solicitam que o Ministério da Justiça dê parecer favorável à remarcação, no lugar da devolução do valor pago por serviços de viagem.

O motivo: falta de recursos para tanta indenização. “As agências não possuem reservas para realizar a devolução de valores e a remarcação da viagem seria uma solução para manutenção do negócio sem prejudicar o consumidor”, dizia o comunicado de domingo (15). O governo federal anunciou na quarta-feira (18) medidas para socorrer as companhias aéreas, mas não o restante do setor de turismo. Viagens geralmente envolvem mais do que as passagens.

No início da semana, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e a empresa Vertebratta – agência de marketing de Alterra Mountain Company/Ikon Pass (estações e passe de esqui) e destinos como Toronto – lançaram a campanha Adia!, pedindo ao consumidor que altere seus planos para se proteger da covid-19, mas que não cancele, para garantir a sustentabilidade econômica de empresas de turismo, cultura e lazer.

Com tanto acontecendo todos os dias, muitas dúvidas aparecem em relação a viagens. Respondemos algumas delas aqui:

1. Meu voo foi cancelado. O que acontece?

As empresas reduziram drasticamente sua capacidade. A Gol suspendeu todos os voos internacionais até 30 de junho. A companhia permite a alteração da viagem para uma data dentro de 330 dias, contados desde a compra da passagem; o viajante não paga taxa de remarcação, mas completa o valor da diferença tarifária (se houver).

Todos os voos internacionais da Azul também foram cancelados, exceto os com saída de Campinas. Passagens para março, com origem ou destino em Lisboa, Porto, América do Sul e Estados Unidos, podem ter a data alterada para voo até 30 de junho, sem custo adicional.

A Latam reduziu em 90% os voos internacionais e em 40% as operações domésticas. Quem iria viajar até 31 de maio em uma das frequências afetadas pode alterar uma vez, sem pagar taxa de remarcação ou diferença tarifária, para embarques até 31 de dezembro.

2. Meu cruzeiro foi cancelado. Como fica a minha situação?

A MSC Cruzeiros suspendeu suas operações mundialmente até 30 de abril. Passageiros recebem um voucher no valor pago, para usar em um roteiro em 2020 ou 2021. Quem tem saídas com a MSC em maio ou junho e prefere mudar a viagem não paga taxa para remarcar o embarque para até 12 meses da data original e na mesma região geográfica.

A Costa também cancelou todos os cruzeiros até 3 de abril. A companhia concede um crédito a ser usado até 31 de março de 2021 para viagens antes de 30 de novembro do próximo ano.

3. Se não ficar satisfeito com a negociação, como reclamo?

Procure os canais de atendimento do Procon – pelo site do órgão (procon.sp.gov.br) ou no aplicativo disponível para Android e iOS. Se a empresa for cadastrada em consumidor.gov.br, existe a opção de fazer a reclamação nessa plataforma. Confira a lista de companhias no site; entre as aéreas, segundo a Anac, todas as que voam para o Brasil estão na plataforma criada em 2015 pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, e monitorada por Procons, Defensorias Públicas, Ministérios Públicos e Agências Reguladoras. Em ambos os canais, as companhias têm até dez dias para responder às reclamações.

4. Não consigo falar com a empresa de turismo. O que eu faço?

Tente buscar por coronavírus no site da empresa. Muitas companhias estão criando áreas para o tema. Decolar, por exemplo, concentra dúvidas e orientações sobre viagens na página decolar.com/coronavirus. Busque ainda por aplicativo da empresa.

5. Vale aproveitar as promoções para futuras viagens?

Diversas companhias aéreas e de cruzeiro estão com ofertas para reservas futuras – a maioria das promoções vai até o fim de março. Fique atento às regras de cancelamento. Na Norwegian, quem comprar cruzeiro com saída até 30 de setembro pode cancelar até 48 horas antes da partida e receber o valor pago como crédito para usar em qualquer roteiro da empresa até o fim de 2022.

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