É ético viajar a um lugar que acaba de passar por uma tragédia?

Ricardo Freire acredita que não; entenda por quê

Ricardo Freire, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2015 | 21h43

"Venham para Nova York e gastem dinheiro aqui”. A poeira ainda não tinha baixado direito do ataque terrorista do 11 de setembro, e o prefeito Rudolph Giuliani já estava convocando turistas americanos e estrangeiros a ajudar a reerguer a economia da cidade.

Ainda demoraria algum tempo até forasteiros sentirem vontade de voltar a Nova York, mas a mensagem do prefeito é clara: não há nenhum desrespeito em visitar um destino que se recupera de uma tragédia. Num país pobre, isso é ainda mais verdadeiro: a perda da receita com o turismo é uma segunda catástrofe que se abate sobre o lugar – às vezes, sem nenhuma justificativa.

Por exemplo: depois de 2005, inúmeros destinos asiáticos foram evitados por medo de um novo tsunami – que, além de bastante improvável, sequer tinha atingido muitos deles, como Bali.

Em 2010, o terremoto do Haiti ameaçou o turismo da vizinha República Dominicana, que não tinha sofrido nenhum abalo – e ainda empregava, em seus resorts, imigrantes haitianos que precisavam dos salários para enviar dinheiro às famílias. 

Evidentemente, o Nepal não é visitável neste momento. Mas assim que o país tiver condições de receber turistas novamente, vai proporcionar viagens incríveis. Alguns palácios e torres vão estar faltando, mas a simpatia e o agradecimento genuíno sobrarão.

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