É galeria, mas parece parque com quadros

Design de Frank Gehry faz toda a diferença na excelente AGO

O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2009 | 02h27

O passeio começa em duas salas brancas a princípio bem comuns, como as de qualquer outra galeria de arte. A não ser pela luz relaxante, nada similar às fileiras de holofotes que costumam iluminar quadros pelo mundo afora. Ao olhar para o alto, o visitante vê a claraboia envidraçada, cuja função é conduzir luz natural até as telas de pintores canadenses. Arquitetura, ali, também é arte.

A Galeria de Arte de Ontário (AGO, em inglês) existe desde 1900, mas foi reaberta ao público em novembro do ano passado em um prédio assinado por Frank Gehry, o arquiteto do Museu Guggenheim de Bilbao. Na cidade que passa poucos meses por ano ao ar livre por causa do frio, o projeto de Gehry é uma declaração de amor à rua.

Ou o que mais poderia ser dito a respeito da Galleria Italia, apêndice arredondado de madeira e vidro no segundo andar, debruçado sobre a calçada? Bancos de madeira convidam a momentos de descanso para contemplar telhados cobertos de neve. Quase um parque, mas aquecido. Sensação reforçada pelo tronco de árvore de 1 metro de diâmetro e quase 6 de altura, transformado em escultura por Giuseppe Penone, que domina o centro do espaço.

Passa-se então à sala das esculturas de Henry Moore (1898-1986). São mais de 20, o maior acervo público de peças do artista britânico. Placas de vidro no teto garantem, mais uma vez, a luz perfeita.

Em algum momento chega-se ao átrio central e à escada caracol de madeira. Também assinada por Frank Gehry, ficou pronta em 4 de dezembro, 16 dias depois da reinauguração da AGO. Ela se ergue do segundo ao último andar, com janelões abertos para a cidade.

Elvis at Ferus e Silver Liz as Cleopatra, de Andy Warhol, estão no quinto andar. Em outra sala fica Venetian Blind, formada por 24 autorretratos do canadense Michael Snow em Veneza, sempre de olhos fechados.

A loja merece uma visita porque é um dos melhores lugares para compras em Toronto. Há peças de decoração, móveis, utilidades domésticas, bolsas... A seção infantil leva à loucura também os adultos. Os preços não são lá muito modestos (os quebra-cabeças com reproduções de obras de arte, por exemplo, custam 145 dólares canadenses ou R$ 269). Ah, sim: a AGO tem café e restaurante. Abertos para a rua, como a loja.

AGO: 317 Dundas Street; (00--1-416) 979-6648; por 18 dólares canadenses (R$ 33)

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