Jean Picon/Divulgação
Jean Picon/Divulgação

Economize forças para a maratona noturna

Dê uma chance à vida noturna de Paris. Ela pode ser discreta, elegante, sem as squat parties (festas secretas) e raves eletrônicas que inundam Londres. Mas não deixe ninguém convencê-lo de que pouco há para fazer na madrugada. É verdade que os parisienses não costumam se engajar em festas populares, como a Fête de la Musique (que comemora a chegada do verão). Mas nos endereços que eles frequentam tem de tudo: rock underground, festas que varam a madrugada, fanfarras de música instrumental ou bares abertos a noite toda. Seja qual for o seu estilo, a verdade é uma só: você só vai ficar em casa se estiver cansado dos tours diurnos.

RENATA REPS /PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2012 | 03h09

Trio efervescente

A fórmula é comum: um time de sócios decide abrir várias baladas mas para públicos diferentes. A regra do selecionadíssimo Clube Silencio é corresponder ao perfil de alto nível buscado pelo host que fica na porta e decide quem entra - como nas casas de São Paulo, Nova York, Londres ou Tóquio.

A decoração interna, criada pelo cineasta David Lynch e baseada em jogos de luzes e espaços amplificados, forma um labirinto cuja dificuldade de localização condiz com a da triagem da porta. Quem é conhecido cumprimenta o host com beijinho no rosto e entra vestido como quiser - o passe livre custa até 1.500 por ano. Quem não é, precisa convencer. Com alta produção, ar desinteressado e cara de endinheirado, mesmo que não pague nada para entrar. Apenas os coquetéis lá dentro - uma média de 20 cada.

A maioria, contudo, é barrada na porta. Não tem motivo: o host simplesmente não foi com a sua cara. Nessas horas, ele pode dar um conselho que, desavisado, você consideraria esnobe: "Temos outro clube ali do lado". Trata-se do mesmo número, o 142 da Rua Montmartre, mas mundos totalmente diferentes. A casa de música eletrônica não responde ao esnobismo da vizinha mais nova. Aceita todo mundo, vende ingresso e corresponde mais à ideia brasileira de festa democrática e à facilidade do turista que não tem tempo a perder. O ambiente escuro, com luz negra e néon no teto, lembra o cenário do filme Tron Legacy (2010), e ótimas bandas costumam se apresentar no local. Só fecha às 6 da manhã.

Longe dali, no Quai d'Austerlitz, no 13º arrondissement, a mesma equipe montou um point com cara de verão. A Wanderlust espalha-se pelos mais de 1.500 metros quadrados do terraço da Cité de la Mode e du Design. Faz mais sentido quando se presta atenção ao público, boa parte dele provinda do vizinho Institut Français de la Mode, uma das mais célebres escolas de moda de Paris. A entrada é gratuita, mas igualmente sujeita a aprovação depois das 22 horas. Antes disso, costuma ser mais democrático. "Nos fins de semana, abre ao meio-dia e funciona como restaurante. Dá para tomar sol nas espreguiçadeiras e relaxar", conta a relações públicas Servane Magnan, de 35 anos. Como a vizinhança é de prédios comerciais, a festa só acaba de manhã.

Segredo bem guardado

Eles parecem não ter nada demais. Simples, meio esquisitos, sem algo que revolucione seus conceitos de diversão e, no entanto, são os preferidos dos parisienses. Dá para comer, mas a ideia é esperar a noite cair para entender melhor esses bares. A proposta do Le Connétable (55 Rue des Archives), no Marais, é simples: paquera generalizada. Todo mundo está ali para ver e ser visto e dá para beber até o garçom gritar que o bar está fechando, lá pelas 4 da manhã. Gente de todos os tipos, lugares e estilos vai ao apertado ambiente para esticar a noite. Não longe dali, a La Candelaria pode parecer uma simples casa de tapas. Até você perceber, depois de uma hora sentado ali, que no fundo do restaurante existe uma portinha. Ela leva a um aconchegante bar onde todos estão confortavelmente sentados ou animadamente de pé, bebendo elaborados coquetéis. É o ponto de encontro da galera moderna/cult de Paris, que não quer ser descoberta nem aguenta pegar fila.

Esses recantos escondidos, de cortinas fechadas e ambientes escuros em que fica difícil distinguir a cor do drinque fazem a alegria dos locais. Outro sucesso de público é o L'Experimental Cocktail Club (37 Rua Saint-Sauveur, 2º arrondissement): passa despercebido pelos milhares de turistas que sobem e descem a adjacente Rua Montorgueil. Sofás e um ambiente intimista abrigam os melhores barmen da cidade, que servem drinques de 12 a 18.

No bairro underground e popular de Ménilmontant, no 20º arrondissement, há dois endereços imperdíveis. Um é a construtivista Miroiterie, uma grafitada casa de shows, exposições, espetáculos de arte, exibição de filmes e até churrascaria de vez em quando. O outro é o bar L'International, com uma agenda incrível de bandas que fazem fila para se apresentar no concorrido espaço de rock parisiense. Prove a panachet (3,50 euros), bebida típica que mistura cerveja e suco de limão. O bar fecha no horário mais comum de encerramento na cidade: 2 horas. Já a Miroiterie costuma funcionar até meia-noite.

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