Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Eindhoven

Onde o design molda o presente

Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h09

A hospedagem tinha a aura certa, quartos distribuídos em um antigo prédio industrial, readaptado com decoração minimalista e cores chamativas. E tinha também a localização ideal. Isso porque o hotel Inntel Art fica bem em frente a The Blob, uma estrutura de aço e vidro com 25 metros de altura e formato que mais ou menos lembra uma bolha. É a entrada de um shopping e também um recado: em Eindhoven, a forma importa tanto quanto o conteúdo.

Como primeira parada da parte holandesa do roteiro, Eindhoven trouxe um outro clima à viagem. Temporariamente, saiu de cena a atmosfera medieval e entrou com força o século 20. 

A história de Eindhoven se funde à da companhia de lâmpadas Philips, que nasceu aqui em 1891 e chegou a ser dona de tantos prédios e galpões que quase tudo o que hoje tem interesse turístico em algum momento será descrito como “no passado foi da Philips”.

Hoje, a sede da companhia é Amsterdã. À medida em que foi se mudando para a capital holandesa – um processo que se completou no começo dos anos 2000 –, a Philips foi deixando para trás imóveis abandonados. Foi nesse vazio que a Academia de Design de Eindhoven, a primeira escola de design, artes e arquitetura fundada na Holanda, em 1947, consolidou uma posição de liderança cultural e um estilo de vida na cidade. 

As várias gerações de alunos vêm estabelecendo por Eindhoven novos hubs criativos, que levam consigo gastronomia, lojas interessantes e lugares de encontro. Piet Hein Eek é sem dúvida o mais famoso: seu ateliê é um grande galpão onde são fabricados seus móveis feitos de restos de madeira, muitos deles custando alguns milhares de euros. 

O ateliê é também galeria de arte. Expõe os trabalhos de Hein Eek e de vários outros artistas. Tem uma loja com souvenirs, coisas para a casa, roupas, papelaria, brinquedos. E um ótimo restaurante em um prédio anexo. Tudo isso fica na área de Strijp-R, que começa a despertar interesse como moradia de classe média. 

Casas de criadores. Eindhoven não tem canais, mas é uma cidade plana e pedalável; as corridas de táxi, por serem curtas, sempre sairão mais ou menos baratas. A 2 quilômetros do ateliê de Hein Eek está Strijp-S, concentração de galpões abandonados da Philips sob um pergolado industrial de metal, como uma cobertura que se estende por 500 metros, ocupando a rua.

A mágica das lojas descoladas e ateliês se fez aqui também, e houve quem plantasse uma vegetação sobre a cobertura industrial para tornar menos árida a vista. Deu certo. A moda dos tetos verdes está em alta em Strijp-S. Já são 2.500 metros quadrados. O bom humor também ajudou: no dia gelado em que estive na região, um café tinha colocado na porta uma placa onde se lia: “Design dá fome. É quente e confortável aqui dentro”. 

A leste do centro, o conjunto de galpões Sectie-C provê espaço de trabalho e atmosfera moderninha para outro punhado de jovens designers. A enorme oficina do artista espanhol Nacho Carbonell, que esculpe malucas formas orgânicas, faz valer ir lá. 

Em direção ao sul a partir do centro, entre casas que parecem mais antigas (bem como o bairro onde estão), uma velha igreja hoje abriga o ateliê NL. Nadine Sterk e Lonny van Ryswyck fazem cerâmicas belíssimas e mantêm o projeto Para Ver o Mundo Num Grão de Areia, que reúne areias do mundo todo e tenta fazer vidro com elas. Dá para ver no site ateliernl.com como mandar a sua amostra. Também dá para fazer oficinas de cerâmica e compras no ateliê. 

Mais em Eindhoven

Kazerne 

Criado por Annemoon Geurts, designer e professora da Academia de Design de Eindhoven, e por seu marido, o músico Koen Rijnbeek, o Kazerne é um espaço múltiplo. Tem bar, frequentado na happy hour por estudantes e professores; galeria de arte, cujas mostras se destacam principalmente durante a Design Week da cidade (20 a 28 de outubro), a segunda maior do mundo, atrás de Milão; e um restaurante inspirador, com cardápio enxuto e que muda com frequência para se adapta à disponibilidade de ingredientes. Entrada, prato e sobremesa custam cerca de 40 euros; reserve. Um hotel com oito quartos será inaugurado em outubro.

Festival Glow 

O grandioso festival de luzes reúne multidões para ver as performances luminosas em vários pontos do centro da cidade – a igreja de Santa Catarina vira tela para uma dança de desenhos impressionantemente minuciosos. A 12ª edição, este ano, será de 10 a 17 de novembro. 

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