Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Em Botsuana, Parque Nacional do Chobe tem a maior população de elefantes do mundo

Com porta de entrada em Kasane, a área, de 11.700 quilômetros quadrados, reserva surpresas nos passeios de barco e de carro 

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2015 | 00h00

KASANE - A superfície do Rio Chobe, cujo rumo seguia muito além do que olhos podiam alcançar, brilhava ao receber os raios de sol do fim da tarde. À beira da plataforma de madeira do lodge vizinho ao nosso, um barco simples nos esperava para o primeiro passeio em terras africanas. Estávamos em Kasane, povoado de 7 mil moradores no norte de Botsuana e ponto de encontro do país com outros três: Zimbábue, Namíbia e Zâmbia.

Tranquilo, o início da travessia esconde o que todo aquele curso d’água que corta o Parque Nacional de Chobe representa. Um tímido pássaro aqui, outro acolá frustraram as expectativas dos ansiosos e desacostumados ao contato com a natureza. Para se encantar com a mescla desordenada de cores de parte das 460 espécies de aves do local, é preciso paciência – algo que aprendemos ao longo dos dias, perambulando pelas savanas à espera dos animais.

Logo Daniel, nosso guia, aponta um crocodilo cor de pedra – ou os seus olhos. É o tempo de pegar a máquina fotográfica e aguardar, impacientemente, ela se preparar par ao clique. Lá se foi o réptil para a água. Do outro lado, surgem impalas e kudus – no início, talvez você os chame, como nosso grupo, de veados, mas vai se acostumar às diferenças entre os animais. Sem avisar, se afastam da margem – e do zoom da câmera. Parece ingrata a tarefa de aguardar tanto por algo e, em fração de segundos, perdê-lo. Bem-vindo ao tempo da natureza.

Para nosso alívio, porém, não são apenas os ágeis e camuflados que dominam os 11.700 quilômetros quadrados do parque, criado em 1968, e formado por quatro áreas geográficas distintas – Ngwezumba Pans (zonas argilosas), Savuté, Linyanti e a área ribeirinha do Chobe, em Kasane. Nessas duas últimas estão a maior população de elefantes do mundo: aproximadamente 100 mil dos 200 mil espalhados pelo país.

Do barco, chegávamos o mais perto possível da margem, a uma distância segura para o grupo e para os próprios animais. Grandalhões de seis toneladas indicavam o caminho para os menores, de até 120 quilos. Outros faziam fila para banhar-se nas águas do rio, entrecortadas por fileiras de vitórias-régias.

Apesar de os grandes protagonistas serem os elefantes, os búfalos também surgem para o banho de sol vespertino. Gostar mais de um animal do que de outro nos levou a criar expectativas diferentes. A desta repórter talvez tenha sido a menos atingida, já que os hipopótamos custam a dar o ar da graça e, quando aparecem, estão quase sempre dentro d’água. Deles, aliás, os guias mantêm distância. São os mais perigosos quando se sentem ameaçados, podendo alcançar uma velocidade de quase 40 quilômetros por hora na água. 

Depois de 3 horas de passeio e de um merecido drinque à beira-rio, voltamos ao Chobe Bush Lodge, inaugurado há um ano. O local conta com piscina, TV nos quartos e Wi-Fi na área social. Quartos duplos custam desde 1.425 pulas (R$ 446), sem café, e o cruzeiro, 220 pulas (R$ 68).

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