Em Budapeste, cultura além do roteiro óbvio

Por décadas, a região do 8.º distrito mereceu o título de uma das piores de Budapeste. Dizimado durante a 2.ª Guerra e cravejado de balas na Revolução Húngara de 1956, o trecho (também conhecido como Józsefváros) era sinônimo de violência. Aos poucos, no entanto, foi mudando de ares.

Alex Crevar BUDAPESTE / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2010 | 01h32

Depois da instalação de câmeras de segurança, em 2000, o número de crimes caiu, abrindo espaço para a instalação de galerias e cafés, atraídos pelos aluguéis baratos e pela arquitetura do século 19. Embora a violência não tenha desaparecido totalmente, pode-se dizer que hoje a área - do lado Peste do Danúbio - funciona como imã para os boêmios, chamando também a atenção de uma elegante elite.

"Sempre disseram aos turistas para ficarem longe daqui", diz Gyuri Baglyas, da agência Beyond Budapest Sightseeing (beyondbudapest.hu), que oferece tour de três horas pela área, por 4 mil forints (R$ 33). "Mas olhe em volta: esta é a melhor parte da cidade, com diversidade em arte, música e arquitetura."

Um dos pontos culturais mais importantes dali é o Museu Nacional da Hungria (mnm.hu). Instalado num edifício neoclássico, tem no acervo verdadeiras relíquias do país.

Ao virar a esquina você encontrará o Jazz Club Budapeste (bjc.hu). Aberto em 2008, o espaço é considerado o melhor do gênero na cidade. Música, a bem da verdade, não é uma vocação nova em Józsefváros. Nos anos de 1990, suas ruas decadentes abrigaram uma fortíssima cena underground, que ia do rock a sons alternativos. Bandas independentes hoje compõem a programação dos cafés da região.

Também fica ali a Lumen Gallery and Cafe (photolumen.hu), fundada em 2008 para promover fotógrafos húngaros e estrangeiros. Não muito longe, uma antiga fábrica de tubos cerâmicos passou a abrigar o Ateliers Pro Arte (ateliers.hu), onde estúdios de pintores e uma arejada galeria dividem espaço com o charmoso restaurante-bar APA Cuka (apacuka.com).

Até mesmo a metade oriental do 8.º distrito ganhou vida nova. Seu maior representante é o Cafe Csiga (cafecsiga.org), com chão de assoalho e arte estampada de parede a parede. O local atrai os que estão dispostos a esquecer rapidinho que essa parte da cidade já significou apenas o outro lado dos trilhos.

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