Charles Dick/Reuters
Charles Dick/Reuters

Em busca do ouro líquido: a rota do óleo de argan

Usado para hidratar a pele e os cabelos, óleo é produzido na região entre Marrakesh e Essaouira - e é possível comprar direto dos produtores

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Na última década, com o crescimento do turismo internacional no país, o Marrocos também desenvolveu suas rotas turísticas, criando itinerários para fãs de uma determinada série ou que viajem com interesses específicos. Por um lado, surgiram os chamados “itinerários para nerds”, que focam em fenômenos da televisão e do cinema, como as rotas Star Wars e Game of Thrones, que percorrem lugares que serviram de locação para as grandes produções, geralmente instalados em pleno deserto marroquino.

Mas a rota turística que mais tem feito sucesso no país ultimamente tem sido a rota do argan. Desenvolvida em princípio para aproveitar a febre internacional do óleo de argan há alguns anos, a rota (também conhecida como rota do ouro líquido) acabou caindo no gosto dos turistas em geral e ainda vai muito bem, obrigada.

O famoso óleo capaz de deixar cabelos e pele sedosos e hidratados é velho conhecido dos marroquinos. Os primeiros registros de utilização do mesmo datam de mais de cem anos atrás. No dia a dia, diferentes versões do óleo são usados: anti-idade, hidratante, fortalecedor de unhas e cabelos, antisséptico, no combate a doenças de pele e até na comida. E a maioria dos spas e hammans do país têm menu de tratamentos específicos com o produto.

Reserva da Unesco

Boa parte dos passeios para conferir a produção do óleo se concentra nas estradas que ligam Marrakesh e Essaouira, que costumam ser ladeadas pelas árvores do argan, semente dura como uma noz e muito rica em vitamina E. A fartura do raro argan ali é tanta que a Unesco denominou a região como reserva mundial de biosfera por isso. 

Ao longo da estrada se desenvolveram algumas cooperativas femininas de produção artesanal do óleo, caso da Argan Co-Op (num povoado próximo a Essaouira), Toudarte (em Tamri, a 2h30 de Essaouira), entre outras. Os frutos são colhidos manualmente, separados de acordo com a utilização que terão, tostados ou triturados e amassados crus com auxílio de um pilão. 

Nesses locais, um litro completo de óleo de argan custa ao turista cerca de US$35 e garante boa parte da renda familiar das mulheres envolvidas nas cooperativas. Além do óleo, o argan costuma ser vendido também em versões creme, pomada, sabonete, xampu e azeite para cozinhar.

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