Serjão Carvalho/Estadão
Serjão Carvalho/Estadão

Em Itacaré, veja passeios para se fazer entre a mata e as ondas

O banho de mar é um prêmio para quem encara as trilhas – de níveis variados – que estão entre os principais atrativos de Itacaré

Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2019 | 04h30

Os bebês tartarugas caminhavam capenguinhas, aprendizes, mas com muita certeza do rumo a seguir. Um deles se atrapalhou com o peso do próprio corpo e virou de pernas para o ar. Perguntei ao Capixaba se podia ajudá-lo, e assim descobri que os filhotes não são tão frágeis assim. 

Capixaba é um dos pilares do projeto Txaitaruga, que o Txai Resorts mantém na praia de Itacarezinho em parceria com a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e o Projeto Tamar. Todas as manhãs, antes do sol, ele sai de sua casa no distrito de Serra Grande e caminha 12 quilômetros pela areia da praia até o Txai. No trajeto, vai identificando pelas pegadas os novos ninhos de tartaruga, que são marcados e protegidos. Mais de 60 mil tartaruguinhas já nasceram no âmbito do Txaitaruga.

Na “minha” manhã, precisamos caminhar apenas alguns poucos metros pela areia para chegar a um ninho onde o Capixaba sabia que os ovos estavam para eclodir. Ele enfiou as mãos lá dentro, cavando fundo na areia, e aquilo começou a brotar filhotinho de tartaruga como se fosse olho d’água. Os bichinhos têm o tamanho do meu dedão, são agitados e muito bonitinhos. Têm pressa de chegar ao mar e nenhum medo das ondas; toda hora uma arrebentação mais forte arremessa um deles de volta para a areia. Aí a gente pode dar uma força para o sujeitinho encontrar logo o seu rumo na água salgada, e então se emocionar vendo a vida seguir seu curso. Bonito e inspirador. A época entre a desova das tartarugas e a eclosão dos ovos ocorre entre novembro e maio, aproximadamente. 

Mas a manhã de passeio com o Capixaba não acabava ali. O tour completo era uma caminhada de 8 quilômetros de extensão, metade ida, metade volta, quase toda pela areia, para chegar à foz do Rio Tijuípe. 

E por que andar tanto? Para ter a sensação de ser dona de uma praia onde não passava mais ninguém e respirar o ar puro da Mata Atlântica. Para ser apresentada a plantas como a aromática salsa-da-praia, que o saber popular ensina que é cicatrizante, e ver parcialmente ocultas pela vegetação as casas de gente graúda como o ator Vincent Cassel e a família Moreira Sales. E, por fim, para tomar um banho na foz do Tijuípe, ao lado das raízes aéreas do manguezal das margens (mais para cima, com acesso pela rodovia, o rio forma uma bela cachoeira, boa para banho).

Só faça o passeio se você tiver certeza de que aguenta caminhar. A areia é firme, mas carro não chega nessa parte isolada da praia – você depende exclusivamente de suas pernas para voltar à base. 

 

Mais caminhos. Fazer trilha é um dos grandes baratos de Itacaré. As melhores praias exigem caminhadas. O passeio mais popular é o conhecido como 4 Praias, que qualquer agência do centrinho vende (a Bicho de Pé, que opera dentro do Txai, também, cobrando entre R$ 120 e R$ 150 por pessoa). Com duração de três horas, começa da BA-001 para a Engenhoca e segue pelo costão em direção a Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho. Com várias paradas em mirantes, claro. 

Para quem não tem pique de caminhar, o acesso a Itacarezinho pode ser feito de carro, via BR-001, pelo restaurante Itacarezinho, no canto esquerdo, junto ao costão. O restaurante serve peixes em folhas de bananeira, moquecas, arroz de coco, patinhas de caranguejo, camarões e risotos de frutos do mar preparados pelo chef Clécio Campos, a um custo médio de R$ 50 a R$ 80 o prato. Há cabanas com espreguiçadeiras acolchoadas de frente para o mar. É a melhor infraestrutura de praia de Itacaré. 

Também dá para ir à praia sem gastar o fôlego em trilhas a partir do centro da cidade, que fica na foz do Rio de Contas. Caminhadas curtas levam, na sequência, às praias do Resende, da Tiririca e da Ribeira que, apesar de urbanas, são enseadas cercadas por mata verde. 

Por falar no centro de Itacaré, ele fica bastante animado quando a noite cai (antes das 18h, é morto). O agito está na Rua Pedro Longo – a famosa Pituba. 

Na Pituba estão muitos restaurantes e pousadinhas, vendedores de doce em tabuleiro, músicos de rua, hippies “quer conhecer o meu trabalho?”, mesas ao ar livre. Em uma esquina, de frente para a praça da feirinha de artesanato, está a hamburgueria Bastante Elefante. Eu tinha jantado um acarajé no quiosque Experto, na Travessa Castro Alves, no pé da Pituba, e por isso não queria hambúrguer – mas me interessei pela placa que anunciava a cerveja da casa, uma IPA.

Por R$ 24, comprei uma garrafa de 500 ml da cerveja Bastante Elefante. Uma cerveja comum, mas a notícia aqui é que Itacaré está atenta às tendências, como a das cervejas locais. Desceu bem na noite quente, depois de um dia de praia e de um acarajé. 

Água doce. O outro grande atrativo de Itacaré se afasta da costa: fica no distrito de Taboquinhas, distante 20 quilômetros do centro. É o rafting no Rio de Contas, que nasce na Chapada Diamantina e deságua na cidade. 

Considerado um dos melhores do País para a prática do rafting, com corredeiras de nível 3 e 4, o Rio de Contas neste trecho segue entre plantações de cacau e cravo e passa por um cânion. A descida dura cerca de 1h30 e é operada pela Ativa. Custa R$ 95, com transporte desde o centro. Agende: 73-9928-1372. 

Tudo o que sabemos sobre:
turismoItacaré [BA]Bahia [estado]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.