Em Kyoto, clima zen entre chás   e templos

Em Kyoto, clima zen entre chás e templos

ROBIN POGREBIN / KYOTO , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2014 | 02h05

Em uma autêntica cerimônia do chá, deve-se oferecer a cumbuca a quem está servindo; girá-la para a direita; provar o doce de feijão antes do forte e amargo chá verde; e terminar a bebida em três sorvidas e meia. Fazer barulho ao beber é recomendado. Pois foi isso que meu marido, nossos dois filhos adolescentes de 15 e 17 anos e eu fizemos, agachados e sem sapatos, sobre um tablado de madeira em Kyoto, antiga capital do Japão.

Pegamos o trem-bala da capital atual, Tóquio, para ir até lá, o que por si só já foi uma experiência e tanto. Pela janela, vimos a paisagem passar num borrão ao lado de famílias que seguiam para suas casas depois do feriado de Ano Novo.

Em Kyoto, nos registramos no Royal Park Hotel (rph-the.co.jp/en/kyoto; desde R$ 300 o casal), localizado perto de Gion, o tradicional distrito das gueixas. O bairro, que está sempre fervilhando de locais e turistas, se mostrou perfeito para uma caminhada, que deixamos para mais tarde. No primeiro dia, tínhamos agendado um passeio de carro com Junji Yoshida, da Kyoto Limousine.

São aproximadamente 1.600 templos na cidade, a maioria deles budistas e xintoístas, o que faz de Kyoto um local de peregrinação. Nossa primeira parada foi no Kinkaku-ji, o Pavilhão Dourado, uma excelente introdução a Kyoto - a construção é cercada por jardins exuberantes, que pedem uma contemplação cuidadosa. Exploramos a área do templo zen, que tem os dois últimos andares revestidos em folhas de ouro. Evite ir ali aos fins de semana, quando o local fica lotado de turistas.

Pensei que meus filhos ficariam impacientes, mas eles não paravam de fazer perguntas, tanto sobre as variedades das bebidas da casa de chás Sekka-tei, como quando ajoelhamos para seguir à risca o passo a passo da cerimônia do chá, seguindo as orientações de Yoshida.

De alguma maneira, conseguimos visitar naquele mesmo dia o jardim de bambus Arashiyama Bamboo Grove - uma floresta que parece de outro mundo, com hastes verdes bem altas - e o Templo Gio-ji, reduto de calmaria cujos jardins forrados de musgo formam um carpete natural.

Almoçamos no Wakadori (Marunouchi Oazo 6F, 1-6-4), restaurante instalado entre árvores especializado em frango empanado. Como manda o costume, tiramos os sapatos na porta e sentamos no tatame com Yoshida. Ainda houve tempo para ir a Ryoan-ji, que integra a lista de patrimônios da humanidade da Unesco, considerado um dos mais belos jardins zen do Japão. Com 15 pedras cercadas de cascalho, é uma área sagrada para meditação.

Yoshida nos deixou no Mercado Nishiki, um verdadeiro ataque aos sentidos. Provamos alguns snacks, como kiritanpo (espetinho de arroz). Mas resistimos às tentações: queríamos guardar lugar no estômago para o jantar no disputado Kinmata (kinmata.com/english).

Ali, alguns dos pratos, incluindo as sardinhas cristalizadas e as ovas de arenque foram demasiado desafiadores para mim. Mas tive de tirar o chapéu para meus filhos, que se mostraram bem mais intrépidos.

Cartões-postais repletos de história
Fundada há mais de mil anos, Kyoto é pródiga em construções e templos históricos. Entre os cartões-postais mais icônicos estão o Kiyomiku-dera, patrimônio da Unesco datado do ano 780, localizado no alto de uma montanha, de onde se tem a mais bela vista da cidade. O Sanjusangen-do, ou Templo dos Mil Budas, guarda no seu interior milhares de estatuetas, esculpidas em madeira e folhadas a ouro. Fushimi Inari rende fotos belíssimas entre o Senbon Torii, caminho com mais de mil portais vermelhos alinhados, que leva ao cume do Monte Inari numa caminhada de 2 a 3 horas. 

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