Daniel de Granville
Daniel de Granville

Pantanal e Bonito: bicharada à solta

Cidades do Mato Grosso do Sul formam uma dupla perfeita para observar animais com doses de aventura

Bruna Tiussu, Especial para O Estado

29 Maio 2018 | 05h00

A visita ao Pantanal sul-mato-grossense tem um objetivo primordial: ver de perto alguns dos bichos que só conhecemos por fotos. Tatus, tamanduás, jacarés, araras, tuiuiús e a tão temida onça-pintada fazem da maior planície alagável do mundo o seu lar, e pouco se intimidam com os turistas boquiabertos diante de sua presença.

Há 40 anos, fazendas da região de Miranda (a 200 quilômetros da capital, Campo Grande) investem em hospedagens e passeios que colocam os visitantes a poucos metros destas espécies, além de apresentar os campos e as plantas do bioma, intitulado pela Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. A partir de junho, no início da alta temporada, famílias do mundo todo disputam um espaço nessas propriedades. Pois com o fim das chuvas avistar mamíferos e aves fica mais fácil.

Na Fazenda San Francisco (uma das poucas que oferece day use: R$ 225 para adultos e R$ 155 para crianças entre 5 e 11 anos), a saga em busca dos animais pode começar pela água. No passeio de chalana pelo Corixo São Domingos, um braço do Rio Miranda, jacarés estão por todo lado. Principalmente depois que visitantes e guias começam a testar suas habilidades na pesca esportiva de piranhas. 

Por terra, o tour mais procurado é o feito a bordo de uma camionete 4 x 4 adaptada ao turismo. De dia, ele recebe o nome de safári fotográfico – é quando os visitantes conseguem clicar espécies de hábitos diurnos, com destaque para as aves e os cervos. À noite, o passeio é conhecido como focagem, e seu objetivo é encontrar animais que saem da toca quando o sol já se foi e o clima está mais ameno. A expectativa é ficar cara a cara com a onça-pintada, mas ver um tamanduá, um lobinho ou uma jaguatirica também são verdadeiras conquistas. 

Perto de Aquidauana, cidade a 140 quilômetros de Campo Grande, a Pousada Aguapé também foi feita sob medida para famílias (diárias desde R$ 960 para o casal, com pensão completa e dois passeios). Os cavalos mansos estão acostumados a serem cavalgados por visitantes mirins, e os guias conduzem adultos e crianças em divertidos passeios de caiaque e caminhadas pela mata. Próximo ao restaurante – todo aberto, para que até as refeições sejam feitas em meio à natureza –, fica a palmeira preferida das araras-azuis, e tatus-peba são figurinhas constantes, sempre atrás de uma ou outra fruta que cai no chão.

Pés de carambola e limão, aliás, compõem o cenário da fazenda, que mantém placas com informações sobre a flora local em cada uma de suas árvores. A piscina estrategicamente posicionada ao lado do bar garante um merecido e refrescante mergulho ao fim do dia, que pode ser seguido do tradicional churrasco pantaneiro. Porque depois de tanta atividade, é preciso recarregar as energias, exatamente como os locais fazem.

Ecoturismo em Bonito. Vizinha do Pantanal, a cidade de Bonito pode ser visitada após dias nas fazendas da região de Miranda. Famoso por sua estrutura hoteleira e atividades de ecoturismo, o destino guarda outras experiências na natureza, com doses de adrenalina.

Dentre suas principais “fontes” de diversão estão os rios. Difícil ir a Bonito e não ficar perplexo com os cardumes de dourados, pacus e piraputangas que nadam ao seu lado na flutuação no Rio da Prata. São 1,5 mil metros percorridos na superfície da água cristalina (graças ao colete salva-vidas e roupa de neoprene), ao longo de três horas, com máscara e snorkel.

As águas igualmente transparentes da Lagoa Misteriosa também podem ser exploradas. A quantidade de peixes ali é bem menor, há que se dizer, mas a estrutura dessa caverna subterrânea – tem mais de 220 metros de profundidade e é cercada de mata nativa – confere ao local uma atmosfera mágica. Talvez só batida pela famosa Gruta Azul, principal cartão-postal de Bonito. É preciso descer quase 300 degraus para ver de perto a caverna cheia de estalactites e estalagmites e com um lago de águas incrivelmente azuladas. Mas, ao contrário da Lagoa Misteriosa, ali não se pode nadar.

Para viajantes atrás de mais atividades aquáticas, há ainda fazendas com circuitos de cachoeiras, como a Estância Mimosa, onde os visitantes podem cumprir trilhas de fácil acesso para curtir as várias quedas, tomar sol e depois provar o almoço ao estilo pantaneiro.

Outras propriedades oferecem hospedagem e também atividades, para turistas a fim de passar o dia lá. É o caso da Cabanas, que, situada à beira do Rio Formoso, desenvolveu o passeio de boia-cross – adultos não hóspedes pagam R$ 80, e crianças entre 6 e 11 anos, R$ 70). A fazenda montou ainda um trajeto de arvorismo (R$ 110 para adultos e R$ 90 para crianças entre 6 e 11 anos), instalado a 15 metros de altura. Quer testar seu equilíbrio? Aventureiros adultos e mirins são bem-vindos. 

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