Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Clima universitário e noite agitada marcam Salamanca

SALAMANCA - O pôr do sol em Salamanca é, na verdade, um despertar. A luz reflete nas pedras dos edifícios próximos à Plaza Mayor, criando um espetáculo único. Chegue um pouco antes para observar os detalhes da praça em estilo barroco, composta por 88 arcos e repleta de bares e restaurantes. No verão, as mesas na calçada são disputadas mas, mesmo nas noites frias, a parte interna dos estabelecimentos está sempre lotada – depois da meia-noite, alguns se transformam em baladas e a festa segue, sem hora para terminar.

Mateus Coutinho, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2015 | 00h00

A atmosfera boêmia é reflexo do clima estudantil – ali está a mais antiga universidade do país, a Universidad Civil, fundada em 1218 sob o nome de Estudo General, com alunos do mundo todo. Admirando a fachada ornamentada, haverá sempre uma multidão de turistas. Junte-se a eles: todos estão à procura do sapo incrustado entre figuras de heróis míticos e brasões, que se tornou o símbolo da cidade. Dizem que quem o encontra por conta própria tem boa sorte. Fique tranquilo: se não conseguir enxergá-lo no prédio, certamente o encontrará nas lojas de souvenir.

Salamanca encanta por mesclar a inquietude universitária com a herança histórica. Durante o dia, troque o agito por uma caminhada por suas ruas de pedra, admirando os edifícios renascentistas. Repare na Casa das Conchas, que, como o nome sugere, exibe conchas incrustadas na fachada – ali funciona uma biblioteca pública. Em dias ensolarados, relaxe como os jovens universitários: tomando sol nos gramados, despreocupadamente. Ao longo das margens do Rio Tormes, que corta a cidade, há um extenso parque com quadras esportivas, pista para cooper e uma ponte de estilo romano.

Indispensável, mesmo para os desprovidos de fé, é visitar as catedrais, a antiga e a nova, construídas uma ao lado da outra. Com o aumento da população no século 15, a Catedral Velha, de estilo românico, ficou pequena. A vizinha, gótica, foi concluída dois séculos depois, em 1733. 

Na parte exterior da igreja gótica, a rica simbologia dos ornamentos guarda uma surpresa quase tão curiosa quanto o sapo da universidade: a imagem de um astronauta e de um demônio tomando sorvete em meio a santos e figuras religiosas. A explicação? Durante as obras de 1992, um dos restauradores sugeriu colocar figuras que remetessem à história humana no século 21 para ficarem registradas no templo – e a solicitação foi aceita pelos padres. A visita às duas catedrais, que são conectadas, custa 4,75 euros. A gótica tem um atrativo extra: a subida às torres, de 110 metros de altura, que custa mais 3,75 euros. 

Se possível, aproveite para assistir ao pôr do sol antes de voltar a festejar, abastecido por porções de jamón ibérico pata negra, produzido na cidade (a tábua de frios custa em média 14 euros) e chope gelado (cerca de 3 euros).

ROTEIRO SAGRADO

Santa Teresa chegou a Salamanca em 1570 a convite dos monges dominicanos, que apoiaram a criação de um convento na cidade naquele mesmo ano. Atualmente, a Casa de Santa Teresa não tem freiras carmelitas, mas guarda resquícios de sua passagem e pode ser visitada gratuitamente. Os monges mantêm sua herança na cidade, no Convento de San Esteban e na igreja dedicada ao santo, repleta de relíquias e ornamentos religiosos com ouro. Era ali que Santa Teresa se confessava (entrada 3 euros). Fique atento aos arcos da Plaza Mayor: a figura da santa está ali, entre retratos de reis e rainhas. 

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