Em Santarém, um encontro em duas cores

De qualquer parte da cidade dá para admirar as águas verdes do Tapajós brigando com o barrento Amazonas

Camila Anauate/ SANTARÉM,

30 Novembro 2010 | 10h00

 

 

 

As águas quentes do Rio Tapajós seguem seu curso sem pressa. Verdes, transparentes. Passam por Santarém e levam barcos pela floresta. De um deles, não muito longe da orla, você vê chegar com força um Rio Amazonas de águas frias e rápidas. Barrentas.

 

O primeiro encontro é um fracasso, ainda bem. Por alguns quilômetros, você vai poder ver as águas correndo sem se misturar. O motivo - diferença de temperatura, densidade - pouco importa. Prepare a câmera porque logo um boto vai saltar.

 

É bem na divisa entre os dois rios que os botos ficam de boca aberta, à espera de tucunarés, pintados, dourados... Os peixes perdem habilidade na mudança de águas, os botos aproveitam e você clica.

Ver de perto esse encontro é necessário e emocionante. Mas o espetáculo continua a qualquer hora do dia, em vários pontos de Santarém. A cidade é toda voltada para o Tapajós - e tem outras atrações.

Ao descer da embarcação, corra para a Feira do Pescado, que funciona todas as manhãs em um trapiche de madeira à beira-rio. Ali, uma variedade de peixes amazônicos. Fresquinhos. Tome tempo para observar o divertidíssimo vaivém.

 

Depois entre na cidade para ter outro encontro. Dessa vez, com personagens históricos. Em casarios antigos, da época da colonização portuguesa, funcionam o Centro Cultural João Fona e o Museu de Dica Frazão.

 

No Centro Cultural, peças pré-históricas e cerâmicas tapajônicas contam a história de região. Mas nada substitui o papo com o artista plástico e idealizador do centro, Laurimar Leal. Aos 87 anos, cego, ele passa o dia ali, defendendo a cultura local.

 

Dona Dica Frazão é outra figura. No auge de seus 90 anos, ela faz questão de mostrar aos visitantes cada uma de suas criações. "Vocês nunca viram isso". Dona Dica confecciona vestidos e objetos com materiais da Floresta Amazônica. "Não tem tecido, é tudo natureza." Orgulhosa, ela conta que criou uma roupa para a rainha da Bélgica e mandou uma toalha para o Vaticano.

 

Para terminar o dia como se deve, tome açaí e vá ao mirante, no centrinho da cidade. Enquanto jovens com seus computadores aproveitam o Wi-Fi gratuito na praça, você senta e observa a orla agitada. As águas verdes do Tapajós. E a faixa barrenta do Amazonas, ao fundo.

 

 

Veja também:

link Beleza singular

blog Blog. Dicas e bastidores das viagens da nossa equipe

blog Twitter. Notícias em tempo real do mundo turístico

Mais conteúdo sobre:
viagemSantarémTapajósAmazonas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.