Em Tampa, bichos e brinquedos radicais

O jipão atravessa lentamente o terreno acidentado. Da boleia, vemos o grupo de girafas ficar cada vez mais próximo. A guia abre a geladeirinha. Tira de lá um vistoso pé de alface romana e acena para as pescoçudas. A isca funciona rapidinho: uma das girafas mais altas vem na nossa direção. Enquanto ela se aproxima, a guia demonstra os procedimentos: separe uma folha, levante o braço o mais alto que puder e fique frio. A girafa vai chegar perto, pôr a linguarona para fora e slurpt!, abocanhar a iguaria (para quem passa basicamente a capim e folhas duras de arbustos, um chumaço de alface crocante e docinha equivale a um bombom).

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2010 | 02h21

Durante quinze minutos o grupo de dez turistas vai se revezar na tarefa de alimentar o bichão. Na primeira vez dá uma certa aflição, mas na terceira você já está PhD em dar comida a girafas. Se a sua companhia de viagem não for boa de câmera, não tem problema. O fotógrafo oficial do passeio se encarrega de registrar folha de alface por folha de alface toda a sua aventura - disponível dali a quinze minutos no quiosque de embarque.

A uma hora de Orlando, o Busch Gardens se pretende um pedacinho da África na Flórida. Uma África cheia de montanhas-russas radicais, claro, porque sem elas a savana não teria tanta graça. E uma África onde você pode interagir com os bichos, como neste Serengeti Safari, um passeio de meia hora por entre antílopes, rinocerontes, gnus e aves exóticas, cujo momento alto (põe alto nisso) é a sessão de alimentação de girafas.

Pré-Disney. Não parece, mas o Busch Gardens é o mais antigo dos parques temáticos da Flórida. Foi aberto em 1959, duas décadas antes da Disney World. Inicialmente era apenas um anexo à fábrica da Anheuser-Busch (que faz a cerveja Budweiser) e sua principal atração - além da cerveja grátis - era a criação de cavalos clydesdale da família Busch. Aos poucos o parque foi ganhando bichos da savana e vilarejos cenográficos africanos. Desde o ano passado não pertence mais à cervejaria: foi comprado pelo mesmo grupo que controla o Sea World.

Os bichos e as construções imitando kasbahs servem como cenário exótico para a mais cultuada coleção de montanhas-russas da Flórida. Uma delas, a Gwazi, é uma relíquia: toda de madeira (são 360 quilômetros de tábuas recicladas), conserva a aura dos clássicos, com dois circuitos diferentes que se entrecruzam. Para os aficionados, dar uma volta nela é como andar num carro de colecionador.

As outras montanhas-russas são bem mais radicais. A Kumba tem nada menos do que sete loopings (ou seja, você fica sete vezes de cabeça para baixo). A Montu atinge velocidade de 96 km/h. Mas a grande estrela é a SheiKra, a única montanha-russa dos Estados Unidos que proporciona uma queda em ângulo reto - e de uma altura de 61 metros. Uma segunda queda é amortecida naturalmente por uma passagem pela água, que serve para refrescar (e molhar completamente) quem esteja junto à cerca. A velocidade chega a 112 km/h.

Tigres, cangurus e Garibaldo. Felizmente, os gritos da garotada em looping e queda livre são abafados por uma excelente trilha sonora: por todo o parque, ouve-se o melhor do pop africano. Fica mais fácil entrar no clima para visitar o viveiro de aves exóticas, ver a floresta dos macacos e sobretudo contemplar os belíssimos tigres brancos de Bengala, os únicos felinos que gostam de água. De tempos em tempos um treinador joga brinquedos n"água; a sessão fica ainda mais espetacular quando vista através da parede de vidro do tanque.

Mas nem só de África vive o Busch Gardens: uma nova ala é dedicada à fauna australiana, incluindo cangurus e seus primos wallabies. Por US$ 5 dá para comprar um copo de ração e alimentar um canguruzinho. Outros animais exóticos podem ser vistos no Jambo Junction, uma espécie de berçário do parque, por onde também passam os bichos recém-chegados enquanto cumprem quarentena.

Outra área nova do parque é animada pelos personagens da Vila Sésamo, devidamente caracterizados com roupas de safári ou inspiração tribal. É o melhor lugar do parque para levar os baixinhos. Entre os brinquedos, o destaque é uma montanha-russa infantil, para pais e filhos andarem juntos. Seu pimpolho pode voltar para casa com uma foto onde se lê "Minha primeira montanha-russa". Dá para aproveitar para tirar fotos com vários personagens da Vila Sésamo.

Quanto custa. Adultos pagam US$ 74,95 (mais taxa) e crianças de 3 a 9 anos, US$ 59,95 (mais taxa). O melhor negócio é aproveitar os pacotes dos parques do grupo Sea World. Quem compra o Ultimate Ticket do Discovery Cove tem direito a frequentar outros três parques, incluindo o Busch Gardens, por 14 dias consecutivos. Há um ônibus, o Busch Gardens Shuttle Express, que faz a viagem desde Orlando por US$ 10 ida e volta (buschgardens.com).

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