Visit Norway/Divulgação
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Em terra ou no mar, a pedida é ver as luzes

Todos os passeios para ver a aurora boreal exigem que o turista se afaste das cidades: a iluminação artificial esconde as delicadas luzes. Em Tromso, alguns levam ao campo nevado, outros ao mar nos fiordes. Dentro desses dois eixos, existem centenas de opções, em terra ou no mar.

TROMSO, O Estado de S.Paulo

26 Março 2013 | 02h13

Em terra, a caçada às luzes pode ser realizada em trenós puxados por renas ou huskies, a cavalo ou mesmo em um snowmobile, espécie de jet ski de neve. A opção tradicional, contudo, leva os turistas de ônibus até um local afastado da cidade, sem iluminação, onde o grupo aguarda a aurora boreal aparecer (custam a partir de 135). Esses lugares, normalmente, são pontos de acampamento de famílias samis, o povo habitante mais antigo do norte da Escandinávia.

Os samis já habitavam essa região muito antes do domínio viking. Muitos deles ainda vivem de forma tradicional, da criação de renas, que são animais migrantes. Ao longo do inverno, os rebanhos mudam de lugar em busca de comida. As famílias seguem os animais, acampando ao longo desse movimento.

As barracas são cones invertidos, semelhantes às cabanas de índios norte-americanos que vemos nos filmes. No chão gelado eles estiram peles de renas e mantêm um fogareiro que torna a barraca muito agradável, apesar da noite gelada lá fora.

Entre cantos tradicionais e histórias de seu povo, os samis entretêm os turistas enquanto aguardam a aurora boreal. Ao mesmo tempo, se as luzes não aparecerem, a experiência de ouvir histórias de um velho patriarca sami em uma barraca ao ar livre em pleno Círculo Polar já é uma experiência inesquecível.

No mar, barcos de pesca ou de turismo levam a uma navegação pelos fiordes de águas tranquilas. Há sempre um jantar incluído. Apesar de interessante, a experiência da refeição a bordo (cerca de 170 por pessoa) é menos poética: os barcos são modernos, o jantar tem uma lógica própria e, enquanto você pede para o vizinho de mesa passar o azeite, a aurora boreal pode estar temperando o escuro da noite lá fora. Mas tudo é questão de gosto.

Velocidade. Para quem prefere emoções mais fortes, mas sem radicalizar, o snowmobile (cerca de 250 euros) é uma excelente opção. As agências responsáveis mantêm bases ao lado dos parques nacionais, de onde partem os turistas - um atrás do outro, em fila indiana.

Embora seja um veículo forte e rápido, uma espécie de motocicleta da neve, os treinamentos são claros e os guias lideram as filas em baixa velocidade, para evitar excessos. Há cuidados especiais, como roupas térmicas resistentes a temperaturas baixíssimas, das quais é impossível se livrar no inverno. As próprias empresas providenciam os trajes, de todos os tamanhos.

São cerca de quatro horas dirigindo seu bólido polar por entre bosques de chão nevado. E mesmo quem não tiver a sorte de ver a aurora boreal durante o tour certamente poderá escrever uma página importante em seu livro de memórias.

Inesquecível é também o frio: a temperatura de 25 graus negativos que peguei durante o passeio não é rara - se as roupas não fossem muito eficientes, teria congelado. O céu estava encoberto, nevava muito e, por isso, não foi possível ver as luzes do norte. Mas a aventura de snowmobile valeu por si própria. E também pela sopa quente no acampamento ao final do trajeto, que repôs as energias para a volta a Tromso no ônibus de nosso grupo. /L.S.

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