Em Yasawa, o lado econômico dos resorts

Convivo bem com mochileiros individuais e os tolero em pequenos grupos, mas uma multidão deles me aterroriza. Por isso, ao topar com vários à espera do catamarã Yasawa Flyer, para ir da ilha principal de Fiji às Ilhas Yasawa, as mais idílicas do país, tive medo de que meus dias no paraíso pudessem se tornar uma participação no spring break.

SETH KUGEL / SOSO , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2012 | 03h10

Foi assim até que vi uma mulher de cabelos loiros e ao menos algumas décadas acima da média dos passageiros do Flyer conversando com um grupo de jovens americanos que não pareciam tão abduzidos pelo iPod quanto o resto. "Você imagina se vivesse em uma ilha que não tem muito contato com o mundo ocidental e todos viessem e ficassem bêbados?", eu a ouvi dizer.

Foi assim que conheci Helen Sykes, consultora de um resort local que estava guiando um grupo de estudantes no trabalho de fim de semestre para aprender sobre práticas de turismo sustentável nas Ilhas Yasawa. Decidi pedir a ela uma dica de qual resort ofereceria a melhor experiência. Seu grupo estava a caminho do Botaira, um resort local para onde me aconselhou a ir também.

Fiji é mais conhecido pelos resorts paradisíacos em praias de areia branca procuradas por casais em lua de mel. Mas muitos resorts em Yasawa guardam um segredo: um sistema misto de cabanas privativas para viajantes de salto alto e também quartos compartilhados, um tipo de opção mais parecida com hostels, por a partir de 130 dólares de Fiji (R$ 145), com refeições. Um verdadeiro achado para viajantes econômicos, nem sempre anunciado na internet.

Passamos do catamarã para um pequeno barco que nos levou ao Botaira (botaira.com; diária em quarto compartilhado desde US$ 120 ou R$ 240), onde fomos recebidos com performance de música local ao vivo. Assim que desembarcamos na praia e recebemos copos de suco de goiaba, um dos estudantes comentou: "Acho que nenhum de nós poderia estar mais feliz neste momento".

Os funcionários do Botaira não pareciam estar ali interpretando - ou eram muito convincentes. Eles logo estariam jogando vôlei e admirando o pôr do sol com o grupo enquanto serviam refeições e levavam alguém para ver, na floresta, o ponto onde garrafas coletam água da chuva. Os turistas podem, ainda, praticar snorkeling entre peixes e moluscos que povoam a barreira de corais, remar caiaques, surfar ou apenas relaxar na praia.

Cultura fijiana é trazida como cortesia pelos funcionários, que são, na maioria, da vila de pescadores de Soso, uma rápida mas cansativa escalada pela montanha que fica bem atrás do resort. Membros do staff mostraram a etiqueta para beber kava, bebida à base de raízes ligeiramente amarga que é parte vital da vida local (supostamente, tem propriedades sedativas). Em outra noite, vestiram trajes típicos, tocaram músicas e interpretaram danças rituais que são, ao mesmo tempo, alegres e bélicas.

O quarto era básico - beliches em uma cabine decorada com motivos marinhos e banheiros aceitáveis (quando não habitados por lagartos) em um prédio separado, a poucos passos de distância. Os hóspedes têm acesso às mesmas experiências que os ocupantes das cabanas elegantes.

Quando pedi água de coco, George, o condutor do barco, escalou uma palmeira para colher uma fruta. Solicitei uma visita a Soso e, em pouco tempo, estava escalando a montanha com Chris, entre casas de madeira e telhados de metal, onde mulheres quebram cocos e secam folhas para fazer esteiras.

Perguntei sobre outros resorts da região. Otto and Fanny's (ottoandfanny.com; desde 138 dólares de Fiji ou R$ 154); Blue Lagoon (bluelagoonbeachresort.com.fj; 129 sólares de Fiji ou R$ 144), com excelente comida; e o renovado Mantaray (stayinfiji.com/accommodation; 118 dólares de Fiji ou R$ 131) foram bem recomendados.

Minha ideia era avaliar três resorts em três noites. Mas uma tempestade depois convertida em ciclone me impediu de sair do Blue Lagoon por quatro dias (um lugar nada mau para isso). Os funcionários ajudaram, liberando a senha do Wi-Fi e as linhas de telefone para que os hóspedes pudessem remarcar voos.

Cinco dias antes, eu flutuava tranquilamente na baía paradisíaca do Botaira. Agora, estava envolvido em um jogo de tabuleiro com um britânico e um eslovaco. Não era como eu imaginava minha temporada em Fiji - mas o preço ainda era justo.

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