Emoção ao ar livre no entorno de Lima

Ao sul da capital peruana, oásis, dunas, as misteriosas linhas de Nazca e ilhas que lembram Galápagos satisfazem a curiosidade do visitante louco por aventura

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2012 | 12h42

Vencer a pé a trilha inca que leva à mítica Machu Picchu proporciona, sem dúvida, inesquecível dose de emoção. Mas a Cidade Perdida não é a única opção para aventureiros no Peru. Ao sul da capital, Lima, destinos menos aclamados turisticamente (mas não menos interessantes) guardam surpresas capazes de deslumbrar o mais experiente dos aventureiros – linhas de Nazca, Islas Ballestas e o oásis de Huacachina são algumas. E com possibilidade de contato com a cultura local.

 

Você pode alugar carro, mas ir de ônibus também é ótima escolha. O trecho mais longo tem 460 quilômetros e empresas como Cruz Del Sur e Flores oferecem veículos confortáveis e bilhetes a partir de 29 novos soles (R$ 20).

 

No deserto.

À primeira vista, até parece que foi mau negócio ter desembarcado nas empoeiradas ruas de Ica. Mas basta uma voltinha pelo centro – e uma olhada atenta no mapa – para perceber que a barulhenta cidade de cerca de 240 mil habitantes funciona muito bem como pausa e hub para as outras da região.

 

Comece pelo Museu Regional (Jirón Ayabaca, cuadra 8, a 1,5 quilômetro da Plaza de Armas), com acervos das culturas nazca, inca e paracas e exemplares preciosos de tecelagens feitas com penas. Deixe-se espantar com as múmias bem preservadas de uma criança e de uma arara.

 

Huacachina é um oásis com direito a lago e palmeiras no meio de dunas que podem chegar a 300 metros de altura, a apenas 15 minutos de tuc-tuc desde o centro de Ica. Na vila há pequenos restaurantes e hospedagens com apetitosas piscinas a preços justos. Mas o destaque está na areia. O tour de buggy nas dunas é feito em engenhocas envenenadas que levam até 12 pessoas por vez e despencam de declives quase verticais. O passeio sai por 75 novos soles (R$ 52). E, se sentir que leva jeito para o sandboard, pranchas podem ser alugadas por 6 novos soles (R$ 4) a hora.

 

Não é a bebida.

De semelhança com a bebida mais famosa da América do Sul, a portuária Pisco só tem mesmo o nome. Mas a melhor infraestrutura, com restaurantes e opções de hospedagem, está ali, ao redor da (como no?) Plaza de Armas. Muito conveniente para quem quer ir dali a Paracas, distante 17 quilômetros, de onde partem passeios às Islas Ballestas e à Reserva de Paracas. O tour combinado sai por cerca de US$ 50 (R$ 94).

 

As Ballestas, carinhosamente conhecidas como “Galápagos dos pobres”, recepcionam os visitantes com grandes famílias de pinguins-de-Humboldt e revoadas de pelicanos. A exuberante e barulhenta colônia de leões marinhos é a mais cativante dentre as centenas de espécies nativas.

 

O passeio ainda passa pelo misterioso Candelabro, gigantesco desenho talhado no deserto, com 150 metros de altura e 50 de largura, cuja autoria é atribuída aos povos que traçaram as linhas de Nazca. Na belíssima e pitoresca Reserva de Paracas, onde viveu a civilização homônima por 700 anos a partir de 500 a.C., o deserto encontra o mar em falésias deslumbrantes.

 

Mistério.

Um dos maiores mistérios arqueológicos do mundo, o conjunto de desenhos com mais de 800 retas e 300 figuras geométricas que compõe as linhas de Nazca impressiona. Difícil sintetizar o que se sente durante o voo de 35 minutos sobre os grafismos estampados na planície de 500 quilômetros quadrados. Cerca de 70 representações de plantas e animais de perfeição e assimetria assustadoras ocupam o solo. Como a aranha de 46 metros e quase 20 pássaros, entre 8 e 130 metros.

 

O apertado teco-teco balança bastante e desafia estômagos sensíveis enquanto o piloto grita coisas como “a la derecha, el colibri. A la izquierda, la hormiga!”Com a Nazca Flights e a Alas Peruanas, custa, em média, US$ 120 (R$ 220).

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