Claudio Marques/Estadão
Claudio Marques/Estadão

Encontrei a minha pequena joia. E, quer saber? Foi moleza

Era mais um dia em Abu Dabi pleno de compromissos e visitas. Mas, um passeio programado para o meio da tarde deixava uma expectativa no ar e ajudava a aliviar o mal-estar causada pela febre, consequência de uma infecção contraída sabe-se lá onde e porquê. Chegamos ao ancoradouro próximo à Corniche para pegar o barco que nos levaria para conhecer como era a atividade dos caçadores de pérolas durante uma volta no mar do Golfo Pérsico. De minha parte, imaginava que um "pescador" mergulharia em busca dos crustáceos que poderiam esconder a joia em seu interior. Estava errado.

Claudio Marques, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2013 | 02h17

Entramos no jalboot, pequena embarcação de madeira que era usada na busca junto às pedras. Fomos convidados a retirar os calçados antes de pisar no tapete que cobre o piso da embarcação. Nosso guia, Humaid Alhammad, falou sobre a rotina dos mergulhadores. Eles atavam uma corda com uma pedra em torno do pé para afundar - caso contrário, as águas extremamente salgadas do Golfò Pérsico os levariam de volta à superfície. Para evitar que a água entrasse pelo nariz, usavam um pregador feito de osso de tartaruga.

A atividade, que foi importante para a economia do país, perdeu espaço com a descoberta do petróleo e com a "fabricação" de pérolas pelo Japão - sim, os japoneses aprenderam a obtê-las artificialmente.

Pensei que naquele momento alguém mergulharia em busca das ostras. Em vez disso, o guia abriu um pote de plástico cheio delas. Começou então nossa pequena caça ao tesouro. A primeira pessoa a tentar logo conseguiu achar uma pérola dentro da ostra - e vibrou com a descoberta, claro. Mas comecei a ficar desconfiado quando os integrantes do grupo, um a um, também iam encontrando pérolas nas ostras que iam sendo abertas. Devem ser as tais ostras japonesas, pensei. Chegou a minha vez e... Nada! O mal-estar, a febre, o calor, tudo pareceu voltar a incomodar.

Vou voltar para o Brasil sem uma pérola, pensei, mesmo que das japonesas. E então, na terceira tentativa, bingo! Lá estava ela, pequena, oculta na carne da ostra. Na manhã seguinte, eu poderia voltar para São Paulo com minha joia no bolso.

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