Encontro (quase) às escuras

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Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

24 Março 2015 | 17h20

De volta ao Condado de Essex, mr. Miles decepcionou-se: ainda não conseguiu ver qualquer sinal de renascimento em seus canteiros de petúnias e begônias. A primavera ainda engatinha na Grã-Bretanha. A seguir, a pergunta da semana:

Meu caro mr. Miles, você é a pessoa certa para me ajudar com um dilema. Planejo minhas férias para este verão europeu, porém estou na dúvida sobre qual rumo seguir. Contarei resumidamente minha questão. Há alguns anos, quando fiz minha primeira viagem internacional para Buenos Aires, conheci um moço da Suécia que estava hospedado no mesmo hostel. Conversamos bem pouco, mas trocamos contato, pois ele já estava de partida. Cinco anos se passaram e, por acaso ou coisa do destino, voltamos a conversar, ele lá, eu aqui. Descobrimos que temos muitas afinidades – uma delas, a de viajar “solitários”, pois somos solteiros. Agora planejamos o reencontro – afinal, nada substitui um contato visual. Ele disse que eu poderia escolher o destino que quisesse, pois iria ao meu encontro! Pensando em todo esse contexto e tentando unir o útil ao agradável, fiquei na dúvida entre visitar a paradisíaca Grécia, com suas praias e paisagens maravilhosas, terra de deuses como Athenas, Mikonos e a apaixonante Santorini; ou desbravar de trem, como em muitos filmes românticos, algumas cidades do leste europeu como Praga, Viena e Budapeste. Qual decisão tomar, já que a companhia tenho garantida? 

Karina Bibiano, por e-mail

“Well, my dear, sua pergunta é um pouco prolixa, mas sua excitação a justifica e quase pula da tela de meu laptop, letra por letra ribombando como corações disparados. In fact, darling, não a conheço, não sei qual é a sua idade, o que faz para viver, se é loira ou morena. Sei, however, que você está apaixonada, ou melhor, apaixonada pela ideia de estar apaixonada por esse seu sueco, viking distante, projeto de aventura. Espero que as coisas ocorram exatamente como você já planejou e antecipou em sua missiva.

Uma viagem a um lugar idílico como o Egeu, o mar dos deuses, promessas e juras em Delos, sob a bênção de Apolo e Artemis, o jantar na pequena Veneza de Mikonos, o amor selado a ouzo (aguardente local) na noite de um milhão de estrelas. Pode ser também no trem para Praga, Viena e Budapeste – as you said – ou em centenas de outros destinos: a escolha é sua, o enredo é seu, o viking e você são os protagonistas deste filme apaixonante.

Sinto-me, nevertheless, no dever de alertá-la para algumas questões que me preocuparam em sua carta – e que acabaram provocando muita tristeza em situações parecidas. Sven, Gunnar, Bjork: qualquer que seja o nome do sueco que você espera com ansiedade, trata-se de um mero desconhecido, isn’t it? Você menciona que ‘conversou bem pouco’ com o rapaz (ou seria um homem mais velho?) na única vez em que se encontraram. Diz que ‘por acaso ou coisa do destino’ voltou a conversar com ele cinco anos depois.

I’m sorry, darling, mas retomar um contato por e-mail não é acaso ou obra do destino! Um de vocês reabriu a conversa. Or not?

Isso posto, sugiro que você vá com um pouco mais de cautela (não menos expectativa!) à viagem em questão. Saiba mais sobre o viking – o que pensa, sente e espera. Pode ser que ele queira apenas uma aventura com uma brasileira e, nesse caso, é bom saber antes de decidir. Anyway, acho que estou me metendo onde não fui chamado e, como modesto conselheiro de viagens, torço para que tudo dê certo. Um bom destino com boa companhia.”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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