Gustavo Coltri/ Estadão
Gustavo Coltri/ Estadão

Entre águas

Emoldurada por serenos lagos azuis salpicados de geleiras e montanhas com picos nevados, Aysén se mostra versátil: aconchego para todos, mas ação de sobra para os investimentos

Gustavo Coltri , O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2014 | 02h08

CERRO CASTILLO - A morte de um lenhador teria passado despercebida na maior parte dos lugares do mundo, mas foi um dos destaques do noticiário radiofônico ouvido por quem tomava café em um restaurante de Cerro Castillo, na região chilena de Aysén. Assim, pelo ar, circulavam as mensagens cotidianas entre os povoados da região - a terceira maior do país e a menos ocupada - antes que a Carretera Austral ligasse as comunidades locais, serpenteando os Andes.

A estrada, hoje principal via de ligação do sul do Chile, começou a ser construída em meados dos anos 1970 durante o governo de Augusto Pinochet. Quase 40 anos depois, tem 1,2 mil quilômetro de extensão, formada, na maior parte, por pequenas pedras batidas que, se não tornam a viagem confortável, amenizam e muito o incômodo durante os deslocamentos.

Cerro Castillo marca hoje o fim de um trecho pavimentado da Carretera que se estende desde Coyhaique, a maior cidade de Aysén, com aproximadamente 50 mil habitantes. O fim do concreto na estrada, que está em processo de pavimentação, é um convite à exploração do que essas terras têm de melhor: belezas intocadas ao lado de montanhas com picos nevados e de pequenas propriedades rurais voltadas à pecuária.

A cordilheira enfeita a paisagem para onde quer que se olhe. Entre as montanhas, rios de águas azuis escorrem de geleiras em uma intrincada rede fluvial. Alguns deles são ótimos para o rafting, outros têm especial vocação para a pesca esportiva. Em terra, os visitantes podem realizar expedições a cavalo ou acampar por dias nas rotas de trekking, bebendo na fonte águas tão puras quanto frescas.

Aos mais corajosos, uma opção é andar sobre campos de gelo e até dormir no chão frio entre um dia e outro de descobertas. Outros podem escalar montes locais, que assustam mais pelos desafios climáticos do que pela altitude.

A barreira montanhosa que corta o país longitudinalmente cria diferentes cenários entre o interior do Chile e o oceano. Nas proximidades de Balmaceda, na fronteira com a Argentina, os pampas amarelos predominam. Mais próximo ao mar, o reinado é das florestas temperadas verdes e úmidas, acompanhadas de pingos gelados de chuva, seja lá qual a for estação do ano.

Lá vem o sol. A alta temporada em Aysén inicia-se no verão, quando o frio dá uma trégua (ao menos durante o dia) e as altas temperaturas permitem bermudas e regatas. Milhares de chilenos seguem para o sul nessa época do ano, em busca de tranquilidade e contato com a natureza. Com atividades e hospedagem, cada dia na região custa, em média, US$ 200 por pessoa.

E quando a maioria dos visitantes já estão voltando para casa, no outono, o cenário patagônio ganha novas cores. A vegetação fica avermelhada, contrastando com o azul dos lagos. E os termômetros podem marcar até 20 graus durante o dia - bem mais amigável do que a latitude da região parece sugerir.

Claro que o agasalho não está dispensado da mala de viagem, em especial quando a intenção é sair de barco em busca de algum paredão de gelo para apreciar de perto. Vestir-se em camadas, você verá, é o grande segredo para não passar apuros. De resto, mantenha os olhos bem abertos, escute o silêncio e boa viagem.

O repórter viajou a convite do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Senatur).

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