Entre as dunas e o pôr-do-sol, um destino para voltar sempre

O simpático vilarejo de Jericoacoara lança feitiços difíceis de quebrar (na verdade, quem vai querer fazer isso?)

Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

03 Março 2009 | 02h18

Fincado entre as mesas de um restaurante de Jericoacoara, o flamboyant ganhou aos poucos status de árvore dos desejos. Seus galhos passaram a sustentar fitas coloridas de cetim com recados multilíngues, apenas uma das muitas evidências de que a antiga vila de pescadores no litoral oeste do Ceará, a 300 quilômetros de Fortaleza, tem lugar garantido na lista de destinos famosos no mundo todo.

 

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Jeri - quem a conhece só consegue usar a forma abreviada, você vai notar - não demora a mostrar aos turistas suas múltiplas facetas. Tem balada para entreter os desacompanhados e quietude na exata medida para tornar inesquecível a viagem de lua-de-mel. Também é tentadora para mochileiros em busca de emoção num refúgio ecológico de primeira.

 

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Nos últimos 25 anos, o simpático vilarejo, distrito da menos conhecida Jijoca de Jericoacora, deixou a pesca de lado para se transformar em fenômeno turístico. Pouco mais de 2 mil moradores recebem, a cada ano, cerca de 150 mil visitantes, que se hospedam em mais de 100 hotéis e pousadas, com diárias para casal que vão de R$ 40 a R$ 800. Números que fazem de Jeri um peso pesado na indústria de turismo do Nordeste.

Outros números também impressionam, mas por serem incrivelmente diminutos. Para se ter uma ideia, a cidadela erguida entre dunas é entrecortada por becos e apenas seis ruelas forradas de areia. Em questão de minutos, é possível passar por todas: a Principal, a da Igreja, a do Forró, a das Dunas, a São Francisco e a Nova Jeri.

Por essas ruas e vielas se espalham não mais que uma creche, uma escola, um posto policial, uma doceria, uma academia, duas farmácias, três salões de beleza, três padarias, algumas lan houses, escolas de kitesurfe, restaurantes e lojinhas. Além das pousadas (descolados se sentem à vontade na Vila Calango e na Mosquito Blue) e das joalherias adaptadas em casas de barro e taipa, prontas para receber senhoritas que insistem no salto, num lugar em que andar descalço é quase regra.

Uma imobiliária acaba de ser inaugurada, símbolo de que as areias de Jeri se valorizaram de vez. Os primeiros pescadores venderam suas casas por quase nada. Mas quem esperou o boom do turismo não se decepcionou. Hoje, o lote mais barato na imobiliária custa R$ 250 mil e o mais caro, 1 milhão.

Os anúncios de venda são quase sempre escritos em inglês - como em outros paraísos nacionais, vários estrangeiros decidiram trocar a condição de turista pela de morador. Donos de empreendimentos por lá, eles acabam atraindo uma nova leva de visitantes. Boa parte vem da Europa, mas os americanos também marcam presença. Tanto que não é nenhum exagero dizer que Jeri está mais para Jerry, como o rato do desenho animado.

Hoje, Jijoca integra a lista de municípios indutores do turismo, criada pelo Ministério. E faz parte da Rota das Emoções, que inclui o Delta do Parnaíba e os Lençóis Maranhenses.

Acesso

O caminho até Jericoacoara não é algo que possa ser descrito como trivial. Só se chega até lá depois de muito corcovear por estradas de areia, a bordo de um 4X4. Enfim, aquele ritual típico de um lugar reservado.

Há três vias principais, todas passando pelo Parque Nacional de Jericoacoara . Quem quiser ir para lá agora não pode perder tempo. Tudo está mais tranquilo e os preços despencam nessa entressafra entre a alta temporada e o ''inverno'' cearense, até junho, quando as chuvas acrescentam lama a um percurso já complicado.

Se deixar a viagem para julho, terá uma atração adicional, um mágico encontro capaz de deixar todo e qualquer turista boquiaberto. Nessa época do ano, o sol e a lua ficam alinhados com o buraco esculpido por ventos e ondas na Pedra Furada.

Noutros períodos, o melhor fim de tarde é no alto da Duna do Pôr-do-Sol, apesar da profusão de visitantes. O sol nunca deixa de mergulhar diretamente no Oceano Atlântico naquela região, espetáculo raro no litoral brasileiro. Uma roda de capoeira toma conta da praia, que anoitece ao ritmo do berimbau.

Mariela de Gregório é uma das que se deixaram seduzir por esse clima amigável de Jeri. Nascida no Rio Grande do Norte, ela montou há dois anos o restaurante Na Casa Dela, na Rua Principal. Entre suas mesas está a tal árvore dos desejos. ''Já pedi algumas coisas e ela realizou'', jura Mariela. Pelo sim, pelo não, resolvi arriscar e escrevi meu pedido em uma daquelas fitas de cetim: ''Quero voltar, Jeri.'' Um pedido simples, para ser atendido bem rápido.

Viagem feita a convite da Secretaria de Turismo do Ceará e da TAM, com apoio da Pousada Mosquito Blue

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