Entre dois oceanos, a natureza em estado bruto

Diversidade de cenários, com vulcões e barreira de corais, alimenta a fama radical da Costa Rica

Ethan Todras-Whitehill, The New York Times, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2009 | 02h45

Espremida entre os trópicos, a pequena Costa Rica tem uma imensa versatilidade. São dois litorais, em dois oceanos, repletos de praias com barreiras de corais. Corredeiras ferozes, montanhas e vulcões protegidos nos parques nacionais. Resorts de luxo, campings. Uma variedade de cenários - e biodiversidade - que atrai turistas do mundo todo.

 

Com força total: é preciso remar muito para vencer as ondas

Com tanto para ver e fazer, o primeiro desafio foi fechar o roteiro para oito dias. Decidi que a floresta, as praias e os parques de aventura seriam meu foco. Descontado o tempo de estrada, eu teria cerca de dois dias em cada lugar. Tempo suficiente para, no mínimo, provar o que o país tem de melhor.

 

Veja também:

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MONTEVERDE

Comecei o tour na selva, na Reserva Monteverde Cloud, com esperança de ver grandes mamíferos. Não vi. Quase ninguém vê. Mas os primeiros dez minutos de uma trilha noturna de três horas pela floresta provaram que plantas - são nada menos que mil espécies endêmicas - e insetos podem ser tão cativantes quanto.

Situada nas montanhas Tilaran, Monteverde é a Disney dos ecoturistas. A cidade fica entre duas reservas, Monteverde e Santa Elena, e tem boa estrutura de hotéis, restaurantes e lojas. A maioria dos turistas reserva as atividades no próprio hotel, uma vez que guias são fundamentais. Mas quem tem olhos aguçados (ou binóculos) até pode fazer os passeios sozinhos.

Durante a trilha, Christian, o guia, mostrou árvores com espinhos amplos e cônicos, desenvolvidos para repelir animais. Depois, apontou animado para a figueira morta, completamente tomada por pássaros. Em um buraco no tronco, ele iluminou uma tarântula alaranjada, que estava na beira à espera de alimentos. Coisas da natureza.

O dia seguinte trouxe luz e, definitivamente, uma face mais benigna da natureza. Nosso grupo passou por pequenas folhas em formato de orelha de elefante e miniorquídeas. Macacos guinchavam e pássaros gorjeavam sobre nossas cabeças.

Mas os animais que mais nos divertiram foram mesmo os beija-flores, companheiros esporádicos dentro da reserva, mas constantes fora dela, onde estão os alimentadores com água doce. Seus nomes por si só forçaram sorrisos: coroa de brilhantes verdes, pedra preciosa roxa da montanha, esmeralda cabeça de cobre. Entre uma bicada e outra, os pássaros voavam baixo e soavam como um esquadrão de aviões.

Sem preocupações: com apenas néctar para comer - e um coração que bate cerca de 1.200 vezes por minuto -, os beija-flores vivem numa incessante corrida por açúcar.

Passada a experiência selvagem, um avião de 18 lugares nos levou para a costa do Oceano Pacífico. Era hora de provar o que legiões de turistas buscam na Costa Rica: sol, areia e relax.

MANUEL ANTONIO

As mais belas praias do país estão em Manuel Antonio, o menor parque nacional da Costa Rica, que recebe 150 mil visitantes por ano. Há 25 anos, a hospedagem era feita em cabanas simples. Hoje, a estrutura é luxuosa: lodges que não custam menos de US$ 200 (R$ 451) a noite, spas e restaurantes .

Conheci primeiro Espadilla Beach, a mais popular. Sentei em uma espreguiçadeira e, apesar de ser o único banhista ao lado de alguns surfistas, um homem insistiu para que eu pagasse pela cadeira. Começou a chover. O grito dos ambulantes penetrou no ar. Espadilla era legal, mas o famoso litoral costa-riquenho poderia ser melhor.

Na outra manhã, fiz uma trilha até chegar a Biesanz Beach. A praia era tranquila, com mar turquesa, quase uma piscina. Como eu queria ondas, segui adiante sem pensar.

O parque nacional é cortado por trilhas que passam por campos de algodão, coqueiros e palmeiras. Saindo mais uma vez da selva, cheguei a Puerto Escondido, praia com brisa fina e pessoas tomando sol. Achei-a pequena demais, cheia demais e com ondas insignificantes.

De volta a Espadilla Beach, parei para dar uma segunda olhada, dessa vez mais atenta. E percebi que, de todas, era a única com ondas. Como não reparei antes? Enfim, surfei. Curti cada onda e experimentei a força desse mar.

COMO IR

linkO trecho SP-San José-SP custa a partir de US$ 649 na Copa Airlines (0--11-3549-2672), via Panamá, e de US$ 838 na Avianca (0800-891-8668), via Bogotá

linkReserva Monteverde: www.monteverdeinfo.com

linkParque Manuel Antonio: Ingresso a US$ 10 (R$ 23). Site: www.manuelantoniopark.com

linkRafting no Rio Pacuare: na Rainforest World (www.rforestw.com), roteiro de um dia custa US$ 95 (R$ 214) por pessoa

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