Entre glaciares e colônias de pinguins

O termômetro na recepção do navio marca 7 graus - sem contar o vento e, quem sabe, a garoa. Tempo perfeito para visitar mais um ponto de parada. Antes de cada desembarque do Stella Australis (são dois por dia), há palestras sobre as características do local a ser explorado.

PUNTA ARENAS, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2013 | 02h19

Nossa primeira parada foi na Baía Ainsworth, local de passagem de elefantes-marinhos. Fomos recebidos com neve, o que não atrapalhou o passeio. Aqui, surgem os primeiros sinais dos castores, animais que foram introduzidos na região há cerca de 70 anos e hoje são um problema ecológico, já que não têm predadores.

Mas o que emociona mesmo é a proximidade com as geleiras. Vimos várias, do navio, em uma região apelidada de Avenida dos Glaciares. Chegar perto de um deles, contudo, tem outro sabor. Para ter uma visão panorâmica do Glaciar Pía, é preciso subir no topo de um morro, por uma pequena trilha. Antes de voltar para o bote, um providencial chocolate quente aquece os exploradores - ou um uísque com gelo do glaciar.

Desembarcar não significa, necessariamente, atracar. Nas Ilhotas Tuckers, por exemplo, os botes com passageiros apenas contornam as colônias de pinguins-de-magalhães e de outras aves, como cormorões, carancas e a bonita gaivotas-austrais, de penas cinzas.

Inesperado. O último dia de viagem é especial: o cruzeiro chega ao Parque Nacional Cabo de Hornos, ponto mais ao sul do continente. Um monumento que desenha as formas do albatroz (foto) recebe os turistas que superam a escadaria até lá. Atrás dele, o temido Mar de Drake.

Mau tempo e mar agitado por vezes impedem o desembarque. Sim, bate uma ponta de decepção. E nos coloca em nosso devido lugar: como coadjuvantes frente à força da natureza.

Fomos recompensados mais tarde: o céu abriu e o sol deu as caras na Baía Wulaia. Depois de uma trilha íngreme, chega-se ao topo da montanha. Os guias do navio que acompanham os turistas sugerem que se faça um minuto de silêncio para se ouvir os sons da natureza, mas a visão de toda a baía, rodeada por montanhas nevadas, é realmente inspiradora e pede um pouco mais. Todos sentados entre os arbustos, ninguém troca palavra por longos cinco minutos. Uma bela despedida antes de chegar a Ushuaia, nosso ponto final. /M.P.

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