Entre ilhas 1

Pegue uma geografia única, composta de vulcões, gêiseres, praias e geleiras. Adicione uma excelente infraestrutura turística, com os esportes de aventura como grande vedete. Tal combinação já seria suficiente para fazer da Nova Zelândia um destino irresistível. Mas há mais, muito mais. Antiga colônia britânica, descoberta por James Cook em 1769, esse distante país da Oceania formado por duas ilhas guarda parques nacionais e reservas de beleza exuberante - que, aliás, ocupam um terço de seu território.

TIAGO QUEIROZ / AUCKLAND, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2012 | 03h10

Durante 26 dias, entre abril e maio deste ano, descobri ali um povo hospitaleiro, que sabe receber bem os turistas, mesmo aqueles que não dominam o inglês (ou ficam perdidos no difícil sotaque local). Que kiwi, por lá, não é apenas uma fruta - além de ser assim que os neozelandeses se autodenominam, é também o nome do pássaro símbolo do país (leia mais no detalhe acima). E que o número de ovelhas supera o de habitantes: são 31 milhões de animais e uma população estimada em 4 milhões de pessoas.

Planejei pouco da viagem no Brasil. Além da passagem aérea, saí daqui com reserva em um hostel em Auckland, na Ilha Norte, maior cidade neozelandesa e ponto de partida para a aventura.

A Queen Street marca o coração da cidade. Ao seu redor, lojas, joalherias, arranha-céus e um cartão-postal: a Sky Tower (skycityauckland.co.uk; ingresso a 28 dólares neozelandeses ou R$ 45), que se ergue a 328 metros de altura. Lá em cima, uma vista de 360 graus sobre Auckland e a possibilidade de caminhar na área externa, preso a um cabo de segurança. Parece pouco? Experimente radicalizar no Sky Jump, saltando da plataforma ao chão preso por um cabo de aço. Só para corajosos.

O grande número de barcos deu a Auckland o título de cidade das velas. Mas poderia ser chamada de terra do arco-íris. Os dias de clima instável, que alternam chuva e sol a todo momento, são propícios ao fenômeno.

Os parques se destacam. Flanar pelo Grey Lynn Park, além de relaxante, coloca o visitante em contato com uma das paixões nacionais: o rúgbi. À tardinha, é comum encontrar grupos de adolescentes praticando o esporte ali. Há ainda o Western Park, o mais antigo da cidade, e o Victoria Park, com uma recém-construída pista de skate. Reserve ainda um fim de tarde para andar despreocupadamente por Viaduct Harbour e Wynard Quarter, área de marinas repleta de bares, lojas e restaurantes.

A colônia asiática trouxe para a cidade uma infinidade de restaurantes chineses e japoneses. À noite, os letreiros iluminados com ideogramas indecifráveis e becos esfumaçados ajudam a dar ao centro um clima Blade Runner.

Depois de explorar Auckland, era hora de seguir viagem. Tinha comigo o bilhete do Kiwi Bus, comprado em uma tentadora promoção, para cruzar o país de norte a sul. Uma espécie de excursão onde é possível descer em qualquer lugar e seguir viagem no ônibus seguinte. Assim, passei por Hot Water Beach e pelas cavernas de Waitomo até chegar ao centro da Ilha Norte, região de intensa atividade vulcânica. Em Rotorua, pude conhecer mais sobre a cultura dos maori, nativos que habitavam as ilhas antes de os britânicos chegarem. Um bom lugar para entender seus hábitos é a Tamaki Maori Village (maoriculture.co.nz), que reproduz as tradições desse povo.

No decorrer dos dias, já mais ambientado ao país e ao esquema do Kiwi Bus, percebi que coordenar o roteiro com o dia em que o próximo ônibus vai passar não era algo tão simples. Vale para quem tem tempo de sobra - mas eu precisava de mais liberdade. Desisti de seguir com o pacote na Ilha Sul. Continuei de trem, ônibus de linha e até em um aviãozinho, como você verá nas próximas páginas.

lWestern Park

No parque mais antigo

de Auckland, diversão para todas as idades

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.