Felipe Mortara/AE
Felipe Mortara/AE

Entre inúmeros tons de azul. Ou seria verde?

Nuances motivam debates preguiçosos, que começam na lancha a caminho da Isla

Felipe Mortara - O Estado de S.Paulo,

05 Março 2012 | 23h03

Havia poucas horas que o guia Carlos Romero recuperara a voz, após mais de cinco dias afônico. E usava o fiapo de som que conseguia extrair da garganta para insistir, convicto, que uma das belezas mais expressivas da República Dominicana ainda estava por ser vista e deveria receber atenção naquele último dia no país. A partir de Punta Cana, o passeio exigia algum esforço - mas que seria plenamente recompensado pela Isla Saona.

Do hotel em Punta Cana até o simpático porto da pequena cidade de Bayahibe são quase duas horas de carro. Dali, embarca-se numa lancha e, em 30 minutos, começam as primeiras exclamações de espanto. A cor do mar nas piscinas naturais próximas à praia de Palmilla não deixa ninguém indiferente e pede uma parada, na ida ou na volta.

Todos a bordo tentam enumerar e definir os tons de azul. Ou seriam de verde? O passeio é uma cromoterapia intensa. Para tirar a prova, um mergulho mais que justo. Com a máscara dá para ter certeza de que visibilidade acima dos 30 metros existe mesmo. Enormes estrelas-do-mar vermelhas dão as boas-vindas. No barco, o capitão prepara cuba libre com um rum escuro e saboroso. Os copos passam de mão em mão, todos ainda dentro do mar, com água pela cintura. Naquele cenário, até mesmo quem não bebe abre uma exceção e participa do brinde.

De volta a bordo, os dedos trabalham incansavelmente na máquina fotográfica, os olhos parecem querer mais provas de que aquilo é real. Um pouco adiante, um píer abandonado virou lar de peixes que lutam para não serem comidos por pássaros, que fazem rasantes precisos.

Mais alguns minutos e a praia de Punta Catuano aponta no horizonte, ainda vazia. Silêncio pleno quando o motor do barco é desligado. Sorrisos indisfarçáveis identificam espreguiçadeiras espalhadas pela areia fofa e discretas mesas à sombra de coqueiros. O que mais faltava?

A resposta vem nas mãos de um pescador, que tira de um saco de estopa uma enorme lagosta, tão viva que parece dançar merengue. Por US$ 35 extras, poderemos saboreá-la grelhada logo mais, junto com o almoço servido no bufê montado sob uma cobertura de palha, incluído no passeio de um dia - cerca de US$ 100 por pessoa nas operadoras Otium (otiumtour.com) e Mirage (www.miragetours.com.do).

Depois de caminhar pelo lado direito da praia e vê-la encher aos poucos, com a chegada de mais barcos de turistas - nada insuportável -, há duas opções. Sentar e continuar o debate sobre a cor do mar. Ou explorar o lado esquerdo e brincar de descobrir formas divertidas nos pedaços branquinhos de coral pelo chão. Sem esquecer, claro, de levar para casa nada além das centenas de fotos tiradas ali.

Por mais convidativo à prática de snorkeling que o mar pareça naquele ponto, não vale a pena correr o risco de ralar a barriga nas pedras. Em Bayahibe, operadoras de mergulho como a Scuba Fun (scubafun.info) oferecem saídas para pontos mais propícios à atividade.

A essa altura, na caminhada de volta à espreguiçadeira, o estômago pode reclamar. Em boa hora: basta voltar ao seu cantinho no paraíso para sentir o aroma de comida caseira, no exato momento em que o pescador traz na bandeja a elegante lagosta dançarina, grelhada ao alho e sal. Após a mais saborosa comilança da temporada dominicana, a preguiça é inevitável e um cochilo à sombra dos coqueiros coroa o dia, forte candidato a ser o melhor das férias. Na volta, pelo tamanho do meu sorriso, o guia percebeu o quanto foi bom ter insistido na visita à Isla Saona.

Mais conteúdo sobre:
Viagem Caribe

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.