Entre medinas, ruínas e o deserto, um cinema ao vivo

No norte da África, país desfila cenários explorados na série 'Star Wars' e legados de sua trajetória épica

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

31 Março 2009 | 02h42

Portas coloridas, arredondadas, com um quê de castelo medieval. Casas brancas, às vezes decoradas com azulejos de estampas mouriscas. A perfeição do cenário faz com que Sidi Bou Said, povoado vizinho a Túnis, pareça uma cidade cenográfica. Nada disso: é só o começo de seu tour pela Tunísia, no qual surpresas se acumulam pelo caminho.

 

Obra de arte - Dougga já era aliada dos romanos antes da destruição de Cartago. A decadência da rival colaborou para seu crescimento. Boa parte dos mosaicos do Museu do Bardo vieram daqui

Percorrer esse país do norte da África realmente pode ser comparado a acompanhar de perto uma produção cinematográfica. Não só porque George Lucas usou vários pontos de seu território como locação da série Star Wars. Se a Tunísia fosse filme, seria do tipo que começa interessante o suficiente para prender você diante da tela. E, com o desenrolar da trama, vai ficando cada vez melhor.

 

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As primeiras cenas são em Túnis, a capital, metrópole de grandes avenidas, hotéis luxuosos e a primeira medina - cidade antiga, onde se concentra o comércio - das muitas incluídas no seu tour. Lá também é o ponto de chegada do voo do protagonista - no caso, você -, depois de uma conexão, provavelmente em Paris. Ao seu lado, europeus ávidos por relaxar nos resorts all inclusive às margens do Mediterrâneo.

 

Puro charme - Peça um narguilé para dividir com os amigos ou um chá no Café des Délices, em Sidi Bou Said. Pelas ruas do povoado, casas brancas, com portas totalmente enfeitadas, e lojinhas diversas

Você, no entanto, escolherá outro roteiro. Que pode ter elementos épicos como as batalhas de Cartago e Roma. Ou as lutas de gladiadores em El Jem, espécie de Coliseu local. Ao passar pelas ruínas - sete delas declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco - de várias civilizações, a tela ganha flashbacks de invasões, guerras e conflitos que moldaram a Tunísia atual.

 

Imensidão de sal - Uma estrada de 86 quilômetros cruza o maior lago salgado do país, o Chott El Jerid. No período mais seco, de maio a setembro, é possível caminhar pelo leito do lago

No cenário contemporâneo, o país exibe uma mistura de tradições islâmicas e hábitos do mundo não-muçulmano. Há turistas que abusam dessa tolerância e andam de minissaia nas medinas. Não é para tanto. Mas é comum ver grupos de mulheres, até da mesma família, em que algumas cobrem a cabeça com lenços e outras exibem os cabelos.

 

Religiosidade - A mesquita de Kairouan é uma das mais importantes para os muçulmanos. Depois de visitá-la, siga para a medina, que mescla lojas bem turísticas com outras supertradicionais

Reflexo da abertura trazida por Habib Bourguiba, que assumiu o poder logo após o país se tornar independente da França, em 1956. Sob seu comando as mulheres ganharam direitos: estudam, trabalham e integram o parlamento. O francês virou idioma obrigatório nas escolas e, hoje, quase toda a população fala a língua. Bourguiba, já doente, acabou deposto em 1987. Zine Abdine Ben Ali assumiu e reelege-se sistematicamente desde então. Para os tunisianos, simples reflexo de um bom governo.

 

Coliseu? - O anfiteatro de El Jem bem se parece com o encontrado em Roma. Ao seu redor espalham-se lojas de souvenirs, onde os vendedores disputam a tapa (literalmente) os possíveis compradores

EM VEZ DE PIPOCA, TÂMARAS

O filme segue e você, claro, sente vontade de beliscar algo enquanto assiste ao desenrolar da trama. Em vez de pipoca, escolha degustar tâmaras frescas ou o brik, um pastel que pode levar diversos recheios, mas um é obrigatório: um ovo inteiro. Ou ainda saborear os "dedos de Fátima", semelhantes a rolinhos primavera. Deliciosos.

 

Autêntica - A feira de gado de Douz, às quintas-feiras, dá ao visitante uma ideia da rotina dos locais. Comercializa-se ali animais vivos, levados um sobre o outro em caminhonetes ou até em carrinhos de mão

Não poderia haver melhor local para o final feliz que o Deserto do Saara. Observar o nascer do sol dourando as areias até onde a vista alcança faz tudo que havia encantado até então ficar sem importância. Como nas cenas em que a câmera congela o que está ao redor do ator, que ouve apenas o próprio coração bater.

 

Nascente verde - Chebika é um pequeno povoado, erguido em um oásis no Deserto do Saara. O lago de águas verdes, cercado por palmeiras, parece até coisa de desenho animado

Coisa digna de Oscar. É pena que, neste caso, vai ser difícil você assistir a uma reprise. Ao menos tão cedo.

COLEÇÃO DE MOSAICOS

Quem vai a Túnis precisa conhecer a coleção de mosaicos romanos do Museu do Bardo, um ótimo começo para o turista na Tunísia. As peças foram retiradas de sítios arqueológicos que o visitante vai ver durante a viagem e enfeitavam o piso de residências luxuosas. Há exemplares imensos, como o Triunfo de Netuno, de 70 metros quadrados. E joias cuidadas com esmero, como o Mosaico de Virgílio, do século 3.º, no qual o poeta aparece entre musas na criação de Eneida. A peça que você mais verá reproduzida pelo país, de ímãs de geladeira a painéis, é Ulisses e As Sereias, do ano 260.

 

Viagem a convite da HR Turismo (http://www.hrturismo.com.br/)  

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