Aryane Cararo/AE
Aryane Cararo/AE

Entre moradores falando alto e paisagens delicadas, a Sicília se mantém autêntica em todos os detalhes

Da máfia ao cannoli, do modo de vida à paisagem, a Sicília é um resumo irresistível dos principais estereótipos do país. Tudo temperado com belas praias e tradição

Aryane Cararo, O Estado de S.Paulo

19 Março 2012 | 21h30

ERICE - As palavras fogem na tentativa de descrever a Sicília. Correm todas, rolam rápidas como os limões que me vêm à cabeça. Casinhas com quintais de terra e limoeiros ao fundo. Limões amarelos, grandes como não se encontra por aqui. Limões nos morros, nas encostas. Altas montanhas de pedra e capim dourado, vencidas por temerosas estradinhas em ziguezague, que recompensam a coragem com o azul do mar. 

Lá longe, embaixo, a cidade litorânea, quente, úmida e com praia de areia cinza. Aqui no alto, o vento, um sopro forte e frio para fazer dançar as roupas nas janelas. Em sacadas aqui e acolá ensaiam também bandeiras em verde, vermelho e branco. Colorem vielas estreitas, de casinhas com flores nas janelas e chão de pedra escorregadia. Às vezes vigiadas por cavaleiros de madeira, marionetes de fio que contam suas glórias aos mentirosos Pinóquios pendurados ao lado. São lojas de souvenirs, onde há cerâmica, madeira e vinhos. Longe dos turistas, uma gritaria. Confusão coisa nenhuma, que é assim mesmo que os sicilianos falam quando estão só batendo um papo. 

Adjetivos, poderia caçar vários. Mas talvez o que melhor sintetize a Sicília seja dizer que ela é uma ilha bem italiana, autêntica no sotaque, no coração e na tradição. Dessa italiana matrona, como as que vieram parar no Brasil. Dessa italiana ardilosa, mafiosa, que gesticula. Dessa italiana que conta histórias de deuses, romanos que se misturaram aos gregos - ali na Sicília os helênicos foram grandes e foram fortes, e construíram vários de seus templos. Dessa italiana que acolhe, fala alto, briga, mas que embala e protege. Uma Itália com tempero regional, menos globalizada. Aquela que faz você se sentir em casa e perder a vontade de ir embora. 

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ROYAL CARIBBEAN

Saiba mais

Passagem: o trecho São Paulo-Palermo-São Paulo custa desde R$ 2.006 na Alitalia (alitalia.com), em voo direto. Com conexão, a partir de R$ 1.952 na Air France (airfrance.com.br) e R$ 2.491 na TAP (flytap.com.br)

Travessia: o ferry que leva de Villa San Giovanni até Messina sai a cada 40 minutos e faz o percurso em 20 minutos. A tarifa de ida e volta para pedestre custa 0,50 euros; para carro sai por 32 euros - em ambos a volta pode ser utilizada em até três dias. Informações: gotaormina.com. Há quem encare a travessia desde Napoli (http://www.snav.it/), mas o percurso é duro: quase 10 horas de viagem, a partir de 49 euros por pessoa.

Cruzeiros: se não como destino único de suas férias, outra forma de conhecer a Sicília é optando por um cruzeiro que inclui a ilha em sua rota. As principais empresas que operam são Royal Caribbean (royalcaribbean.com.br), Costa (costacruzeiros.com) e MSC (msccruzeiros.com.br)

Internet: saiba mais sobre a Sicília no regione.sicilia.it. Informações sobre o Etna estão em funiviaetna.com

Pacotes: veja opções no blogs.estadao.com.br/viagem

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