Bruna Tiussu/AE
Bruna Tiussu/AE

Entre os casarões da simpática Brive

Ruelas em tons de pedra contrastam com vitrines chamativas em um vilarejo com cenário de cinema, alegria contemporânea e moradores ávidos por um bom bate-papo

Bruna Tiussu,

28 Novembro 2011 | 23h00

BRIVE-LA-GAILLARDE - Ela é grande em número de monumentos, mas esconde seus detalhes mais charmosos pelas ruas dos bairros pequeninos. A cada sábado, concentra moradores e turistas em um mesmo lugar, o gigante e tradicional mercado, enquanto nos demais dias da semana todos se espalham aqui e ali, por lojas de porta única que se dedicam aos produtos locais. É toda medieval, e ao mesmo tempo exala uma contagiante alegria contemporânea. Brive-la-Gaillarde é assim, uma cidade um tanto paradoxal e, por isso mesmo, uma das mais encantadoras de Limousin.

 

Caminhe meio sem rumo pelos calçadões do centro antigo para sentir essa particularidade do destino. Dos dois lados das ruelas, o que se vê são os típicos casarões do século 15 e 16, com janelões e arandelas clássicas. E também lojas com fachadas coloridas - no caso, cores fortes e vibrantes -, vitrines chamativas, bandeirolas lá no alto. Além de jovens e famílias reunidas nas mesas ao ar livre que, quem diria, riem alto e correm atrás das mais animadas crianças.

 

Cenário que faz qualquer um duvidar que realmente se trata de uma vila francesa. Até o olhar ir um pouco mais além e alcançar, lá no fundo da ruazinha, a superelegante torre da Igreja Saint-Martin, construída nos séculos 13 e 14 e classificada como monumento histórico da França desde 1862.

 

Vale aproveitar o clima amigável de Brive (é simplesmente assim que os moradores a chamam) para bater papo com os locais, descobrir onde se vende a legítima mostarda Violette, os melhores foie gras e o que há ao redor dali que todo turista deve conhecer.

 

Você certamente vai acabar ouvindo falar do museu Labenche, em estilo renascentista e que reúne uma coleção espetacular de tapeçarias inglesas do século 17. E da Destilaria Maison de Noix, comandada pela mesma família que, agora na quarta geração, produz os aclamados licores de nozes da região desde 1819. Aberta aos visitantes - eles organizam tours guiados e gratuitos pelas instalações da fábrica durante o ano todo -, também fazem rodadas de degustações dos produtos. Quando passar por lá, aproveite para provar outros dos 14 aperitivos que são criações da casa.

 

Passeio em versos. Quando o assunto for explorar os arredores de Brive, sugestão unânime serão os Jardins de Colette. Contam por lá que a escritora viveu parte do seu terceiro casamento na cidade vizinha de Varetz e, apaixonada pela natureza, frequentava a área de 5 hectares para se inspirar e criar. Em sua homenagem, o local foi transformado em jardim público, aberto em 2008.

 

Um passeio de uma hora (4, com guia) conduz por seis diferentes jardins e labirintos floridos, em uma tentativa de relembrar o universo da escritora, além de traçar, de forma poética, sua vida e obra.

 

Um dia para desbravar a vila das fachadas cor-de-rosa

COLLOGNE-LA-ROUGE - Com cerca de 400 habitantes, o pequeno povoado de Collogne-la-Rouge é do tipo que vive para o turismo. Conserva suas muralhas, ruelas e casarões - ali chamados de castel - do jeitinho que foram concebidos, com as tradicionais pedras rosadas da região. Mantém os jardins coloridos e dá especial atenção às flores das varandas, sempre alinhadas. Tudo para que o visitante de fato se sinta em um ambiente requintado lá do século 9.º, quando o local começava a viver o seu auge.

 

Distante apenas 20 quilômetros de Brive (e 120 de Limoges), o vilarejo se tornou destino de passeio de um dia, sobretudo no verão, quando vê sua população triplicar. Especialmente no primeiro fim de semana de agosto, o movimento se intensifica. É quando é realizada a Festa do Pão, no gigantesco e centenário fogão à lenha da praça em frente à catedral.

 

A igreja, aliás, tem histórico interessante. Foi construída no século 12 por católicos e protestantes, o que a fez ter seu interior dividido e utilizado para rituais de ambas as religiões. Fora isso, ainda exibe uma parte gótica, que data do século 14.

 

Peregrinos rumo a Santiago de Compostela também são habitués na vila, que está inserida na rota francesa. Ali descansam, comem (muito) bem e entram no clima das orações: há imagens de santos incrustadas até nas fachadas das construções.

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