Erik Refner/ NYT
Erik Refner/ NYT

Escandinávia: Inofensiva rivalidade

São mais de 16 horas de deslumbrante travessia entre Copenhague e Oslo, em navio com estrutura de minicruzeiro, cabines confortáveis e restaurante de luxo

Roberto Lameirinhas/ COPENHAGUE, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h11

Há uma rivalidade saudável e cordial entre dinamarqueses e noruegueses. Os dois países da Europa, vizinhos no Mar do Norte, esmeram-se para oferecer a melhor arquitetura, design, culinária, os projetos energéticos mais sustentáveis, a vida noturna animada, os melhores artistas, sem falar no legado da cultura viking. O destino turístico mais empolgante, enfim.

Tudo isso em atrações que transcendem as capitais. Se Copenhague tem o Tivoli Park, o segundo mais antigo do mundo, Billund, no centro-sul da Dinamarca, tem o Legoland, com réplicas de cidades europeias feitas de milhões de peças de Lego. Se Oslo tem parques que mais parecem museus a céu aberto, Alesund - condado considerado a capital mundial do bacalhau -, no noroeste, é o porto de entrada para os fiordes do sul, exuberantes obras de arte da natureza.

Os habitantes dos dois países têm pouco do que reclamar da vida. A Noruega tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo. A Dinamarca, o 16.°. Ambos os países rejeitaram em referendo a entrada na zona do euro - o que significa, por um lado, que foram poupados da fase mais aguda da crise econômica que devasta a Europa e, por outro, que há poucas promoções para turistas. A certeza, porém, é a de que o passeio vale cada centavo gasto.

Navegação. A travessia entre as duas capitais é um espetáculo à parte. Os navios da DFDS (dfds.com), a companhia dinamarquesa que opera o transporte, têm mais de 10 andares. A viagem, que começa às 17 horas na capital da Dinamarca e termina às 9h30 em Oslo, tem toda a estrutura de um minicruzeiro. O navio abriga pelo menos três restaurantes - um dos quais de alto luxo -, cassino, bares, piscinas, boate, loja livre de taxas (os preços, sem os impostos que as vezes ultrapassam a alíquota de 40%, valem a pena). As cabines, principalmente as da categoria comodoro, são amplas e bem equipadas. E a paisagem ao largo da costa da Dinamarca, pela Baía de Oresund, até ganhar águas abertas pelo Mar do Norte, nada menos que deslumbrante.

"É mais confortável que enfrentar o estresse de aeroportos e aviões. E muito mais divertido", diz o norueguês Peter, que volta para casa depois de férias na Dinamarca com a mulher e um casal de filhos pequenos. "Essa é a viagem ideal para quem não tem pressa de chegar", continua.

Enquanto é possível ver a costa, predominam os cataventos que captam energia eólica, da qual a Dinamarca é uma das maiores produtoras de todo o planeta. O excedente energético é vendido para a vizinha Suécia.

Tanto dinamarqueses quanto noruegueses orgulham-se da consciência ecológica de seus compatriotas. Embora tenha se tornado um país com uma das maiores reservas petrolíferas da Europa, a Noruega retira grande parte da energia que consome - e o consumo durante os invernos rigorosos é altíssimo - de gêiseres e da queda das geleiras abundantes em sua geografia.

O navio entra no fiorde de Oslo por volta das 7 horas. O contraste da quase totalmente plana Dinamarca com as majestosas montanhas que cercam o braço de mar que invade o vale fica óbvio. A viagem termina pouco mais de duas horas depois, no porto da capital norueguesa e com a visão do grandioso e novíssimo edifício da Ópera de Oslo.

Duelo à mesa

Água na boca

Dinamarca e Noruega também competem pela fama de melhor e mais exótico destino gastronômico do continente europeu. E, com fartura de frutos do mar fresquíssimos à disposição, costumam mesmo fazer bonito à mesa. Para alegria dos visitantes.

Melhor do mundo

Recentemente eleito (de novo) o melhor restaurante do mundo, o Noma (noma.dk), em Copenhague, baseia seu cardápio em frutos do mar, peixe - quase sempre cru ou marinado - e ingredientes escandinavos. Reservas exigem antecedência mínima de três meses. O jantar custa, em média, 350 por pessoa.

Isolamento total

Só de barco se chega ao Cornelius (cornelius-restaurant.no), na norueguesa Bergen. O isolamento permite a obtenção de frutos do mar frescos - que, em roupa de mergulho, o proprietário Ronald Saetre sai para colher perto da ilha todos os dias. Cabe ao chef do restaurante fatiar e preparar os pratos na hora.

O que levar

O básico

No verão, as temperaturas são baixas para os padrões brasileiros, mas o sol brilha forte e por muitas horas durante o dia. Os escandinavos costumam aproveitar a estação para ficarem vermelhos. No caso de turistas, melhor evitar.

Cartão de crédito

O dinheiro de plástico é aceito até em barracas de mercados ao ar livre, tanto na Dinamarca quanto na Noruega. Lembre-se que os dois países estão fora da zona do euro e os estabelecimentos normalmente relutam em aceitar moeda estrangeira.

O que trazer

Chocolates

O chocolate escandinavo, particularmente o da Noruega, é considerado um dos melhores do mundo. Free shops de aeroportos como os de Oslo e Copenhague costumam ter convidativas ofertas do produto.

Porcelana

A porcelana real dinamarquesa, ícone de elegância, pode ser encontrada a preços interessantes no comércio de Copenhague. Para bolsos mais recheados, a Stroget - maior calçadão comercial do mundo, com 3,2 quilômetros - tem casas de porcelana com o selo oficial da família real.

Saiba mais

Aéreo: SP-Copenhague- SP, desde R$ 2.635 na KLM (klm.com.br); R$ 3.306 na Lufthansa (lufthansa.com.br); R$ 3.944 na TAP (flytap.com.br); R$ 4.991 na British (ba.com). SP-Oslo-SP, desde R$ 2.616 na KLM; R$ 3.287 na Lufthansa; R$ 4.044 na TAP; R$ 5.078 na British. Voos com conexão.

Visto: apesar de não pertencerem à União Europeia, ambos os países são signatários do Tratado de Schengen e não requerem visto para permanência até 90 dias.

Pacotes: veja em blogs.estadao.com.br/viagem

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