Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Escavados ou pintados, vestígios narram o passado das Américas

A Serra da Capivara se faz bonita pelo que é, mas também pelo que foi. E pela maneira como tem preservado esse passado. Fora dos paredões, os maiores tesouros arqueológicos estão concentrados no ótimo Museu do Homem Americano (fumdham.org.br; entrada R$ 10), a poucos minutos do centro de São Raimundo Nonato. Entre eles, os crânios de Zuzu e Zazá, de mais de 9 mil anos.

SÃO RAIMUNDO NONATO, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2013 | 02h16

A professora e arqueóloga Niéde Guidon, diretora da Fundação do Homem Americano e responsável pela criação do parque nacional, explica a importância das descobertas na região. "Hoje, não somente a Serra da Capivara, mas outros trabalhos nas Américas confirmam que o homem chegou há muito mais tempo do que a teoria americana afirmava, não entrando apenas pelo Estreito de Bering, mas sim por diversos locais." Uma mudança de paradigma.

Mais de um milhão de peças compõem o acervo da fundação - ficam expostas, contudo, as 90 mais expressivas, demonstrando como o homem utilizou diferentes materiais e técnicas: pedra lascada, pedra polida, cerâmica e arte rupestre.

A machadinha de 9.200 anos e o colar de sementes de 8 mil anos encontrados no Sítio do Meio se destacam pela precisão, assim como as urnas funerárias de barro. Fósseis de preguiça e tatu gigantes e de um mastodonte, pertencentes à chamada megafauna e extintos entre 13 e 9 mil anos atrás, foram descobertos em lagoas e cavernas da região.

No laboratório da fundação, fechado ao público, o paleontólogo Elver Mayer limpava uma presa de mastodonte fossilizada, bem mais comprida que o marfim dos elefantes atuais. "Quando cheguei aqui me senti como o Tio Patinhas na piscina de moedinhas, mas aqui a minha piscina é de fósseis", brinca.

Apesar de as principais relíquias arqueológicas da região estarem no museu, o centro de visitantes do parque nacional, guarda uma peça incrível: um par de presas de um tigre dente-de-sabre, que viveu ali há 9 mil anos, está em perfeito estado. No meu último dia no parque, passei pelo centro de visitantes para revê-las, mas no lugar havia uma plaquinha: "peça retirada para análise". Deve ter ido parar na piscina de fósseis do arqueólogo Elver. / F.M.

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