Espelette, vilarejo em tons de vermelho

No início de junho, localidade comemora com concursos e festas os dez anos[br]de um feito e tanto: a conquista do cobiçado selo de origem controlada

Carla Miranda, Espelette, O Estado de S.Paulo

30 Março 2010 | 01h52

Se você ficou no mínimo curioso com a foto que ilustra a capa do suplemento, pode marcar outubro no seu calendário. É nesse mês que Espelette acentua sua natural predileção pelo vermelho ao pendurar nas fachadas longas cordas das pimentas que fazem a fama da cidade. Pimentas, não, dizem alguns. O mais correto seria falar em uma espécie de pimentão que não chega a arder, mas "pica", segundo a guia basca, capaz de se comunicar em euskera, francês e algo entre o espanhol e o português.

O cenário é espantoso. O branco das casinhas fica praticamente soterrado de pimentas recém-colhidas. E assim segue por um mês. Só que o vermelho-fogo dos primeiros dias vai se transformando em bordô e, por último, chega a um tom quase marrom. É hora de retirar os condimentos da parede e moer.

Daí já não há mais nada para ver - a não ser no Hotel Euzkadi, que deixa os pimentões dependurados eternamente para não decepcionar os turistas. Em compensação, o País Basco ganha muito com o que temperar.

Não seria exagero afirmar que Espelette vive de seus pimentões. Eles viram pó, são cobertos de chocolate, ganham as orelhas das mulheres na forma de brincos. Também receberam a honra de um museu temático, com a história de todos os tipos de pimentas e pimentões do mundo, no castelo da cidade.

Origem. Em junho, estão previstos concursos gastronômicos e festas. É que o único tipo de pimentão/pimenta cultivado na França, graças a um microclima muitíssimo especial, comemora dez anos de sua denominação de origem (Appelation d"Origine Controlée, AOC), obtida em 1.º de junho de 2000.

Isso quer dizer, por exemplo, que os pimentões de Espelette são só os produzidas na região de Espelette, depois colhidos manualmente e postos para secar ao ar livre. Fora outra grande lista de normas. Tantos detalhes podem não ter significado para os leigos, mas vale muito no exclusivo mundo da gastronomia.

Doce. Depois de uma semana no País Basco você terá provado o Espelette em carnes, aves, peixes, omeletes, saladas... Então, rume para a loja da Antton para ver o que acha dos bombons ganache de chocolate amargo recheados com o pimentão (leia mais ao lado). Depois da fila, o teste. Deliciosos, mas "picam", como diria a guia basca em seu questionável espanhol-português.

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