Espetáculo de baleias na Isla de la Plata

Mãe de seis filhos, minha avó costumava dizer que comparações são odiosas. Ainda mais as desproporcionais como, por exemplo, julgar uma única ilha em relação a um arquipélago inteiro. Injustamente apelidada de Galápagos dos Pobres, a Isla de la Plata é uma notável atração equatoriana - principalmente para quem não pode ir ao arquipélago que Darwin alçou à fama.

ISLA DE LA PLATA, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2013 | 02h09

A duas horas de lancha de Puerto Lopez, distante cerca de 200 quilômetros de Guayaquil, a ilha pode não ter toda a beleza das Galápagos, mas possui uma carta na manga. Ou melhor, muitas delas, já que centenas de baleias jubartes migram para a região anualmente, entre junho e setembro, para se reproduzir ou dar à luz. O passeio dura o dia todo e custa US$ 40 na Palo Santo Travel (palosanto.net).

Durante a travessia de ida o espetáculo é garantido. O comandante desliga o motor ao avistar uma gigante e os turistas colocam as câmeras para trabalhar. Uma sucessão de saltos e poses. Sim, isso mesmo: uma delas ficou com a cauda fora da água por quase cinco minutos, exibindo-se descaradamente. Gritos no teto da lancha, mais uma acaba de pular ali. Droga, não vi.

Aqui valem alguns toques. Aos marujos que enjoam a bordo, o bom e velho Dramin deve dar conta do recado. Escolha um lado do barco e aposte nele para conseguir a melhor foto. Porém, evite ficar por longos períodos com o olhar no visor. Enjoo na certa.

Em terra. Jamais havia sido recepcionado numa praia por três curiosas tartarugas nadando junto ao barco. Em geral, esses animais costumam ser avistados sozinhos, mas a Isla de la Plata parece ter mesmo algo a mais.

Depois do desembarque na Baía de Drake, os turistas seguem rumo ao centro de visitantes, para uma breve explicação antes de escolher entre duas trilhas. Ambas levam cerca de duas horas para serem percorridas e a atração de destaque é a mesma: os pássaros. Foi ali que fiz as melhores fotos de piqueros de patas azuis da minha viagem. Além deles, que fazem seus ninhos no meio do caminho, as fragatas de pescoço vermelho também são vistas de perto. O palo santo, árvore-símbolo do Equador, é abundante por todo o trajeto.

O destaque fica por conta do mirante, com uma vista de tirar o fôlego. Ondas enormes, que batem com força nas pedras lá embaixo, criam um cenário dramático, que pede para ser clicado.

Na volta a Puerto Lopez, o barco ainda para numa enseadazinha de águas calmas para um snorkeling. Os guias contaram que ali, na semana anterior - o melhor dia parece ser sempre na semana anterior à sua visita -, turistas haviam nadado com as enormes arraias-manta. Claro que não nadei com nenhuma, mas mais tarde, como prêmio de consolação, avistamos uma do barco, à distância. Entre caudas e nadadeiras de baleias. Coisa que não vi em Galápagos. /F.M.

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