Antonio Parrinello/Reuters
Antonio Parrinello/Reuters

Espetáculo incandescente em terras italianas

Visitar os vulcões Etna e Stromboli não é só para aventureiros: há tous para níveis variados de coragem

Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2013 | 02h08

Parece que foi ontem que, no sótão daquela casa bem siciliana em Catânia, subi num banquinho e, por uma janela pequenina, avistei pela primeira vez uns pontinhos alaranjados manchando o Etna. "É lava", disse Ermano Spampinatto, meu anfitrião. Sorri emocionado ao ver (ainda que ao longe) o magma pela primeira vez. E em todas as outras dezenas de vezes durante os três meses em que morei na Sicília.

Quem pisa na famosa ilha italiana percebe o quanto o Etna está na alma - e no horizonte - dos quase 300 mil moradores de Catânia, que começa ao nível do mar e sobe pelas encostas pouco íngremes do vulcão. Construída há centenas de anos, a Via Etnea, principal rua da cidade, é uma linha reta que sai da Piazza Duomo e segue mansa em direção às crateras.

Sim, no plural: o mais alto vulcão ativo da Europa (3.340 metros) é perfurado por dezenas de crateras de erupções passadas, a maioria inativa. Há várias maneiras de entender sua complexidade. A mais clássica é visitando o refúgio Sapienza, principal centro de visitantes, a 1.900 metros. O acesso pode ser feito de carro, mas um ônibus de linha diário (€ 3,65 ou R$ 10) facilita a vida dos turistas: sai às 8h15 da rodoviária e retorna às 16h45, em um trajeto que leva uma hora.

Para os menos dispostos, há marcas interessantes de erupções recentes a poucos passos da estação - o vulcão vem apresentando atividade intensa nas últimas semanas. Aos mais aventureiros recomenda-se tomar o teleférico (€ 19 ou R$ 51) até a parte mais alta, a 2.504 metros. Dica: no inverno o Etna se transforma numa excelente estação de esqui. No resto do ano, a paisagem lembra a de Marte. E é incrível.

Por € 55 (R$ 148), com teleférico incluído, um ônibus 4x4 leva até as mais altas crateras que estiverem abertas à visitação. Se o preço for salgado, também é possível caminhar, mas o caminho de cascalho é ingrato e exige muito esforço.

Ver lava é questão de sorte, e por duas razões. A primeira é que a área do vulcão é imensa - são mais de 1,2 mil quilômetros quadrados com uma circunferência de 140 quilômetros - e a erupção pode não ocorrer perto dos pontos por onde os ônibus conseguem transitar. A outra é a visibilidade: a não ser que haja um intenso rio de magma, tudo o que dá para ver de dia é uma fumacinha com cheiro de enxofre.

Os mais destemidos podem se aventurar nos tours especiais, que chegam perto dos focos de lava ao anoitecer. No entanto, as erupções não têm hora, local nem garantia de acontecerem: tudo é imprevisível. Um jipe leva às partes mais inóspitas da base do vulcão, de onde começam os trekkings. Agências como a Volcano Discovery (volcanodiscovery.com) e a Etna Experience (etnaexperience.com) oferecem o passeio a por a partir de € 44 (R$ 118) por pessoa.

Mais lava. Praia pela manhã e lava à noite. Que tal essa combinação? Apesar de exótica, ela é possível em Stromboli, uma das sete Ilhas Eólias, na Sicília. A ilha, na verdade, é a ponta do vulcão homônimo, considerado o mais ativo do mundo. Se o que você quer é ver magma bem de perto e pagando relativamente pouco (o tour custa € 25 ou R$ 67), aqui é o seu lugar.

Diferentemente do Etna, este é um daqueles vulcões que se parecem com desenho de criança: uma montanha com um buraco em cima por onde escorre a enorme mancha laranja incandescente. Um ferry ( 24 ou R$ 64) leva até a vila em três horas desde o porto siciliano de Milazzo, a 25 quilômetros de Messina.

São 4 horas de subida do nível do mar à cratera, a 926 metros de altitude. Não se engane: o trajeto é puxado. Chegar à boca da cratera (isso mesmo, na cara do caldeirão) não significa ver magma. Uma vez lá em cima, exausto e suado, meu grupo foi surpreendido por uma enorme nuvem. O céu estava limpo até aquele momento, mas na hora de olhar para baixo, tudo cinza. Não se enxergava a dois palmos de distância.

Após 1h30 esperando que a massa cinzenta se dissipasse, o guia da Magmatrek (www.magmatrek.it) resolveu encerrar o passeio. O máximo que vi foram algumas manchas vermelhas precedidas de estrondos entre a densa nuvem. Mas que a lava estava ali, estava. Disseram que na véspera as nuvens não deram as caras, nem no dia seguinte. Humpf.

Se você também não fizer parte da turma dos felizardos, uma dica certeira é o tour noturno de barco que sai das vilas de Stromboli e Ginostra (do lado oposto da ilha) para ver a Sciara del Fuoco (Rio de Fogo). Trata-se de uma parte da cratera que colapsou e de onde escorre a lava, quase ininterruptamente. Custa por volta de € 20 (R$ 53) e é preciso agendar com os barqueiros. Suspiros de "uau" estão garantidos.

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