Esta é a vez deles

Se prepare para ficar exausto e com o cartão de crédito debilitado. Tudo para a garotada se esbaldar no mundo dos parques temáticos. E você, voltar à infância junto com eles

Carla Miranda, ORLANDO

15 Junho 2010 | 02h22

     

Mágica. Visitar a terra das princesas, do Mickey e da Minnie, e de tantos outros personagens, pode ser muito divertido, mas também exige paciência e dinheiro. Foto: Carla Miranda/AE                   

 

 

Ariel, com sua cabeleira ruiva e torneada cauda verde de peixe, era a novidade no verão de 1990, a primeira vez em que pisei no mundo de Walt Disney. Como falar de idade pode ser constrangedor, mais vale mencionar os fatos. Para quem se perdeu na história em algum momento, a pequena sereia se casou com o príncipe Eric, como manda o figurino dos contos de fadas, e tem uma filha, Melody, já entrando na adolescência.

A garota foge de casa, não para no castelo, vira presa fácil de uma versão magrela da bruxa do mar... Tudo por causa da rebeldia e da curiosidade típicas da idade. Também eu tenho uma filha (que pelo menos está com 4 - e não 12 anos). E por causa dela voltei ao Magic Kingdom no mês passado, para tomar bênção da estátua do senhor Disney.    

 

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Uma viagem com menos montanhas-russas de arrepiar mesmo - muito embora os parques tenham alternativas bem radicais para os pequenos e mais fantasia. Aliás, essa é a palavra-chave. Até mesmo para responder a uma das principais dúvidas dos pais: "Vale a pena levar uma criança tão pequena?"

Sim. Principalmente se você quiser observar um menino com o queixo caído diante de um Buzz Lightyear gigante e piscante ou uma garotinha acreditando com todas as forças que aquela moça de azul na carruagem é a primeira e única Cinderela de V-e-r-d-a-d-e. Realidade e fantasia, para os menorzinhos, muitas vezes são uma coisa só. Pelo menos é o que os especialistas dizem e o que se comprova facilmente por lá.

 

Dica. Quem viaja com crianças menores, pode facilmente conhecer um parque só por vez. É só traçar um roteiro para cada dia da viagem. Foto: Carla Miranda/AE

 

Tudo novo. Quem havia ficado muito tempo sem visitar os parques temáticos de Orlando ainda terá a surpresa de ver tudo aquilo sem as rabugices e a ânsia de adrenalina dos 15 anos (idade que, nos anos 1990, era considerada perfeita para aquelas excursões de escola). Atrações como a clássica It"s a Small and Happy World, para a qual a maioria dos adolescentes lança um olhar de enfado, vira um mundo realmente fantástico para os pequenos.

Os personagens em geral - sejam eles Mickey e cia., da Disney, ou Shrek e Harry Potter , da Universal - ganham status de maravilhas ambulantes. Por isso mesmo, nem pense em se esquecer de comprar (ou trazer de casa) um caderninho de autógrafos para ser devidamente assinado por Branca de Neve, Tico e Teco, Aladim ou quem mais vocês encontrarem pelo caminho.

A rotina de vários dias rodando em parques de diversão com crianças pequenas, claro está, não é de todo simples. Mas também passa longe de ser motivo para adiar a viagem. E, não tem jeito, as filas podem ser grandes - só que agora os parques costumam bolar atrações pré-atrações para animar a espera e haverá, com sorte, um tíquete fast pass para ajudá-lo a passar na frente de todo mundo (basta se organizar e recolher os seus no horário definido, mostrado na frente do brinquedo). Ressalvas feitas, mas já apresentando alternativas testadas e aprovadas.

Para poupar seus braços na hora que bater cansaço no pequeno, leve de casa aquele carrinho que já estava meio encostado. A princípio pode parecer estranho um garotão de 5 anos instalado num carrinho de bebê, mas nem ligue. Todo mundo estará fazendo o mesmo. E o possante de quatro rodas será muito provavelmente o principal meio de transporte de seu filho também entre uma atração e outra (e nas filas).

Ufa! Junte a grande oferta de diversão com a ansiedade - sua e dele - de ver tudo que vocês estarão exaustos ao fim da jornada. O melhor, nesses casos, é ir com calma e evitar fazer uma programação muito longa a cada dia. No caso da Disney, por exemplo, dá para dispensar os ingressos tipo hooper. Mais caros que os bilhetes unitários, eles permitem visitar vários parques no mesmo dia e são ótimos para adolescentes irrequietos. Quem viaja com crianças menores, no entanto, pode facilmente conhecer um parque só por vez.

Da mesma forma, não caia na tentação de nadar no delicioso Aquatica pela manhã e visitar o Sea World à tarde só por causa da proximidade entre os parques do mesmo grupo - o primeiro merece um dia, da hora que abre ao momento de fechar, e o segundo, para ser bem aproveitado, só pode ficar junto com algo simples, como um fim de tarde em Downtown Disney, com opções de lazer, compra e restaurantes.

Parêntesis: também evite pensar que há uma unidade imensa da Best Buy, megastore de eletrônicos, pertinho da Universal. Depois de tanto rodar pelo parque, eles estarão agitados ou esgotados demais para deixá-lo escolher qualquer coisa. E você sairá dali sem um mísero cartão de memória novo para a câmera.

Comer, comer. Preocupado com a comida? Os hot-dogs enormes com salsicha recheada de queijo, típicos na década de 1990, não são mais onipresentes e se tornou fácil encontrar frutas frescas, como banana e maçã, e leite para o lanche das crianças. No almoço, bem, no almoço. Se você deixar, o cardápio não vai passar muito de macarrão, batata frita e nuggets. Mas é possível emplacar cenourinhas baby e uma caixa de uvas, para a derrota não parecer completa. Além de itens saudáveis que bolsa de pai e mãe costuma conter (bolachas de aveia e coisas do tipo).

Numa viagem como esta, os figurinhas vão intuir que são eles que mandam - você vai negar o que for absurdo, mas também não se sentirá no máximo de sua força disciplinadora. O melhor, então, é conversar antes e definir algumas coisas, como a hora para fazer as refeições, o momento de ganhar o milésimo bicho de pelúcia, a hora de ir embora...

Regrinhas simples para evitar eventuais pirraças e, principalmente, perda de tempo. Porque as horas vão passar apressadas e você terá a impressão de estar sempre tão atrasado como o coelho gorducho da Alice. 

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