Cristal da Rocha/Estadão
Cristal da Rocha/Estadão

Étretat surpreende com falésias e belas vistas

A poucos minutos de Le Havre, na França, as falésias de Étretat estão entre os principais destinos turísticos da região da Normandia

Cristal da Rocha, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 09h00

O contraste entre beleza e o movimento do turismo fica por conta da pequena Étretat, cidade a menos de 30 km de Le Havre – algo em torno de 40 minutos de carro. É lá que você vai encontrar as falésias e a natureza vai te comover. É possível aproveitar a vista a partir de duas perspectivas: de frente pro mar ou aceitando o desafio e subindo as falésias. 

O caminho que nos leva para a praia e para as falésias é a parte mais agitada da viagem e, por onde passo, ouço tantos turistas falando que fica difícil identificar as nacionalidades. Com crianças a tiracolo e câmeras fotográficas penduradas ao pescoço, eles se espalham pelas inúmeras lojinhas de souvenirs e produtos feitos na região da Normandia, como biscoitos, compotas e conservas enlatadas de peixe. 

Fica difícil não se distrair com tantas portinhas e há uma enorme oferta de restaurantes com atendentes esperando ansiosos pra te receber. O divertido e entusiasmado movimento das pessoas nas estreitas ruas desemboca na praia e parece que entramos em uma outra cidade, onde todos contemplam a vista do dia ensolarado que está fazendo. O burburinho dá lugar ao som das gaivotas e ondas quebrando. 

A vista nos impressiona de tal forma que não parece que as falésias são formadas pelo desgaste entre o encontro do mar com as paredes rochosas. A impressão é de que elas se assemelham a obras de arte a céu aberto. As pessoas aproveitam a paisagem se distribuindo pelos bancos de frente pro mar, no calçadão Le Perrey e também descendo para ver de perto as ondas quebrando de mansinho.

A praia formada por pedras brancas se transforma em desafio na descida até a água – cuidado para não tropeçar – e diversão para as crianças que, entre brincadeiras, dão para as rochas novas interpretações e sentido. 

Subindo as falésias

O caminho vai exigir fisicamente de você, portanto esteja com um calçado confortável e, em dias de sol, leve chapéu, óculos de sol e protetor solar. E claro, água. Lá em cima não há nenhum tipo de comércio, o que não é exatamente ruim, já que ajuda a manter as falésias preservadas. Se for subir com tempo, leve uma cestinha de piquenique pra almoçar lá em cima enquanto descansa para retornar. 

A vista é de tirar o fôlego, mas a história da região foi o que mais me emocionou. Em meio àquele lugar lindo no qual o mar e o céu se mesclavam em tons de azul, eu avistei, escondido entre a vegetação, um pequeno bunker, dos tempos em que a região foi sitiada pelos alemães. Ninguém parecia se importar com aquela casinha abandonada, com vacas pastando por perto, mas foi ali meu primeiro contato com a guerra além dos livros, fotografias e filmes.

Mais uma vez, me surpreendi ao ver que a vida das pessoas precisou mesmo seguir e os restos das guerra ficaram para ilustrar o passado. Hoje, é um lugar de paz, onde vi, em meio ao movimento dos visitantes, uma porção de escoteiros descansando e fazendo lanche, em uma cena diferente do que a região viu durante a guerra em que havia tensão, medo e violência. 

Museu do Patrimônio relembra histórias da região

Lá em cima das falésias, avistei uma portinha que me chamou a atenção. Chegando ali, me deparei com o Le Musée du Patrimoine d’Étretat (Museu do Patrimônio de Étretat). Pequeno, ele abriga fotos e objetos que contam histórias da região, incluindo algumas do período em que Étretat esteve sob ocupação nazista.

O senhor Jean-Pierre Thomas, única pessoa no museu para atender, me recebe e eu pergunto sobre a Segunda Guerra, ao que ele me mostra algumas imagens e uma foto simpática repleta de crianças no dia da liberação da cidade. Aponta um rostinho sorridente: era o dele. 

Onde ficamos

Le Donjon (Étretat) 

Charmoso hotel com quartos temáticos e belo jardim com piscina conectando os espaços. Da entrada, você ainda conta com uma vista para as falésias e sua localização facilita o ir e vir da praia, que fica a 10 minutos de lá, a pé. O café da manhã é quase um brunch, pela quantidade de opções frias e quentes servidas, além de clássicos franceses como croissants, pain au chocolat e farta opção de embutidos e queijos. O suco é servido em uma pequena jarra de vidro individual, um charme.

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