Exigência pueril

Mr. Miles anda muito preocupado com a saúde de Trashie, sua mascote. A pequena raposa das estepes siberianas, agora com presumíveis 17 anos, está com problemas de visão e audição, que atrapalham seu célebre senso de localização. Nosso correspondente britânico já recorreu a vários veterinários que, para desgosto do grande viajante, disseram que os problemas da cadela são típicos de sua faixa etária.

O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2012 | 02h10

Para obter uma reação, mr. Miles suprimiu os uísques de 12 anos da alimentação de Trashie e agora só lhe oferece single malts. A medicação caseira parece estar produzindo efeito. Depois de três ou quatro doses, a mascote já não se choca contra paredes e presta atenção a tudo o que se diz.

A seguir, a pergunta da semana:

Caro mr. Miles: a reeleição do presidente Obama, a seu ver, pode acabar definitivamente com a exigência de vistos para os brasileiros que vão aos Estados Unidos? E qual é a sua opinião sobre a tal reciprocidade, que obriga os americanos a também tirar visto para visitarem o Brasil?

Osvaldo Figueroa, por e-mail

"Well, my friend: o presidente Obama (a quem cumprimento pela vitória), in fact, parece ter muito mais boa vontade em receber turistas estrangeiros do que outros políticos de nossa antiga colônia. Não podemos esquecer, however, que ele teve quatro anos para suprimir essa barreira burocrática e ainda não o fez.

Como eterno otimista que sou, acredito que, no futuro, os governos aprenderão com os viajantes que o mundo é uma coisa só, uma extensão dos quintais de cada um de nós. E que as fronteiras internacionais deveriam ser - como são - traços invisíveis, apenas reconhecíveis nos mapas que, of course, servem para que as crianças aprendam nas escolas que povo vive aonde.

Unfortunately, não sei quem criou nosso planeta e os seres que o habitam. Mas se, de fato, existiu alguém com tais poderes, ele certamente teria posto muros indevassáveis nos lugares adequados se quisesse que a Terra fosse uma colcha de retalhos de civilizações sem contato entre si.

Nevertheless, verifico (com alegria e com a sensação um tanto arrogante de que tenho certo mérito no fato) que vocês, meus queridos brasileiros, têm se transformado em grandes viajantes, que gastam muito e interessam a todos os países preparados para receber turistas. Os Estados Unidos, of course, pensam da mesma maneira. Se, nowadays, é quase impossível não encontrar brasileiros em Orlando, Miami ou Nova York, imagine, Oswald, qual seria o cenário sem a exigência de vistos. O Brasil, by the way, perde fortunas todos os anos em função dessa arcaica lei da reciprocidade, que remonta aos tempos bíblicos: olho por olho, dente por dente. É a chamada diplomacia da pirraça: se você não me deixa entrar sem papéis, então também terá de conseguir papéis para me visitar.

É tempo de acabar com isso, don't you agree? Essa exigência pueril faz com que milhares de norte-americanos, todos os anos, escolham outros destinos apenas para evitar a burocracia e as taxas cobradas pelas representações diplomáticas brasileiras. É dinheiro jogado fora, considerando que os norte-americanos, apesar da reciprocidade, formam o segundo maior contingente de turistas estrangeiros que o Brasil recebe, atrás apenas dos argentinos.

Faço votos para que mr. Obama facilite o ingresso de seus compatriotas em terras americanas e que o mesmo aconteça em cada país do mundo que nega ou dificulta o acesso às suas belezas para qualquer outro povo. E que a recíproca seja verdadeira."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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