Wanise Martinez/ AE
Wanise Martinez/ AE

Expedição Peru

O grande objetivo no Peru era chegar à cidade sagrada dos incas. Mas o país reservou também passeios radicais na natureza, história e um triste imprevisto

Wanise Martinez - O Estado de S. Paulo,

04 Outubro 2011 | 11h39

 Machu Picchu

Compramos nosso pacote a Machu Picchu da agência Inkapa the Expeditions, em Cuzco, por US$ 150 (R$ 270) por pessoa. O valor incluía transporte de ida e volta desde Cuzco, passeio de bicicleta, trekking, entrada na cidadela, duas noites de hospedagem, guia e alimentação.

 

A bagagem ficou guardada no hostel e seguimos com uma pequena mochila. De van, em três horas pelo Vale Sagrado, chegamos a Abra Málaga. Dali, capacetes, bikes e cachecóis (para driblar o vento forte) a postos, começamos a descida de 32 quilômetros, entre a montanha e o precipício. Um daqueles passeios que você faz por sua conta e risco, mas do qual se lembrará sempre como uma grande aventura.

 

Depois de uma noite na cidadezinha de Santa Teresa, com direito a balada, o dia seguinte foi dedicado ao trekking, parte dele junto aos trilhos do trem - um trecho belíssimo. Naquela tarde, chegamos a Águas Calientes.

 

Às 4h30 da madrugada seguinte nos reunimos com o grupo, munidos de lanterna e capa de chuva, indispensável para proteger a mochila com lanche e documentos. A escuridão dificulta o trajeto pelo o chão de terra e os infindáveis degraus que precisamos subir. O ar falta e as pernas ficam pesadas. Com o passar do tempo, o dia clareia e a missão se torna mais agradável. Chegamos à entrada do sítio arqueológico 1h30 depois.

 

Eu me sentia vitoriosa. Ao olhar ao redor e ver aquele monte de gente ensopada e suja de barro, mas com os olhos brilhantes de emoção, percebi que compartilhava de uma verdadeira catarse dos mochileiros.

 

Como cheguei entre os 400 primeiros, consegui meu carimbo para subir à montanha de Huaynapicchu (ou Waynapicchu). Tudo tão marcante, tão forte, que vale todo o esforço, cansaço e a chuva tomada. Estive em Machu Picchu.

Cuzco

Onze horas de ônibus, 100 bolivianos (R$ 25) e dois postos de imigração depois, chegamos à histórica e animadíssima Cuzco, no Peru. Capital do então império inca e cidade habitada mais antiga das Américas, dá acesso ao Vale Sagrado e à cobiçada Machu Picchu.

Repleta de atrações para o dia e a noite, Cuzco, cujo nome significa "umbigo do mundo", recebe visitantes de todo o planeta, que se encontram na bela e cheia de vida Praça de Armas, ponto de partida para bares, restaurantes e o comércio da região central.

 

Lindas catedrais, bairros históricos, o Museu de Arte Pré-Colombiana e as ruínas de Pisaq e Sacsayhuaman, com suas muralhas de pedra de até 5 metros de altura, compõem o cardápio de passeios. Há várias agências - quanto mais completo o pacote, mais descontos são oferecidos.

 

A feira de artesanato da Avenida El Sol é ótima para comprar lembrancinhas, de objetos para a cozinha estampados com motivos incas até miniaturas de Inka Cola, o refrigerante local, tão popular que chega a ser vendido no único Mc Donald’s da cidade.

De sucessos internacionais a música típica, passando pelo funk carioca, toca de tudo nas baladas de Cuzco. No Mama Africa Club, sendo mulher e brasileira, não me foi cobrado nem um centavo para entrar. Tanto ali quanto nos bares espalhados pela região da Praça de Armas, jovens se divertem em diferentes idiomas.

Arequipa

O trajeto de Cuzco a Arequipa, com quase 9 horas de duração, foi feito durante a noite de propósito, para economizar uma diária. De manhã, na rodoviária, tive uma de minhas bagagens roubadas. Sem roupas adequadas para enfrentar as mudanças climáticas nos passeios pelo Deserto do Atacama, decidimos seguir pelo litoral do Chile no dia seguinte.

 

No centro de Arequipa comprei algumas roupas. Como tínhamos apenas um dia, optamos por um city tour de 4h30, que custou 25 novos soles (R$ 15). Segunda mais importante do Peru, Arequipa é conhecida como "Cidade Branca" por conta das pedras vulcânicas desta cor usadas em grande parte de suas construções.

 

O mau humor foi cedendo lugar ao prazer de ver uma nova cidade à medida que os pontos turísticos desfilavam diante do ônibus aberto, daqueles típicos de city tour. O centro colonial, com prédios dos séculos 18 e 19 de arquitetura barroca, foi eleito Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A Plaza de Armas, o Mosteiro de Santa Catalina, o Museu dos Santuários Andinos e o de Arte Colonial são pontos que merecem a visita. Igrejas, parques e praças completam o passeio.

 

A 3 quilômetros do centro fica o Mirador de Sachaca, um ótimo ponto para ter uma bela vista panorâmica da região. Vá de táxi. Lá, será preciso subir a pé vários lances de escada, pois o ponto de observação fica no alto de uma torre. As fotos que você fará dali compensam o esforço.

 

Além de ter uma bela área urbana e histórica, Arequipa abriga três vulcões: Chachani, Pichu Pichu e, o mais procurado por mochileiros do mundo todo, El Misti, com 5.822 metros de altitude e picos eternamente nevados. Mas não tínhamos tanto tempo quanto gostaríamos para o tour, que é feito parte de carro e outra a pé, em dois dias (e custa cerca de US$ 60 ou R$ 108, vendido em agências da cidade).

 

O Cânion del Colca é outro highlight entre viajantes aventureiros. Em um tour de dois dias, você visita toda a região do Valle del Colca e admira alguns dos cenários deslumbrantes da América do Sul, como as misteriosas lagunas que mudam de cor. 

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