ARPT Centro de Portugal
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Fátima celebra o centenário da aparição da imagem católica

Cidade em Portugal receberá a visita do Papa Francisco em maio

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

21 Março 2017 | 04h50

Nome de uma das mais tradicionais cidades portuguesas, a pouco menos de duas horas de Lisboa, e de uma das imagens da Virgem Maria dentro da fé cristã, Fátima atrai a atenção de peregrinos há exatos cem anos – e, há muito mais tempo, de interessados em percorrer a história de Portugal nas calçadas e ruas estreitinhas de seus mais encantadores lugares.

Localizada em Ourém, Fátima é uma freguesia – vale explicar que, no país, freguesias são as menores divisões administrativas de um município – de apenas 12 mil habitantes, e que recebeu cerca de 6 milhões de visitantes em 2016 em seu Santuário Nacional do Rosário de Nossa Senhora de Fátima, com seus 72 mil metros quadrados.

A história de Fátima (e de seu nome) começa com uma lenda anterior à centenária que a tornou famosa. Domínio árabe durante a guerra de reconquista cristã, o território ao norte de Portugal teria se configurado como tal a partir da união da princesa mourisca Fátima com o cavaleiro templário Gonçalo Hermingues. Ela teria se convertido ao cristianismo e mudado seu nome para Oureana, motivo pelo qual a freguesia acabou sendo batizada com o nome católico, enquanto o município ficou com o mouro. 

Tanto quanto Aparecida, Fátima foi ganhando força turística desde que, em 1917, três crianças pastoras – os irmãos Francisco e Jacinta e a prima deles, Lúcia – relataram ter visto a santa ao longo de cinco meses. A narrativa ultrapassou os limites do povoado de Aljustrel, onde moravam os três, conquistou devotos de todos os cantos e, em 2017, coloca Fátima no centro do turismo português com as comemorações do centenário das aparições.

Iniciadas em 2010, as celebrações atingem seu ápice em 13 de maio, data da primeira aparição – e quando o Papa Francisco estará no local para rezar uma missa. Os eventos, que incluem performances, conferências, orações e apresentações musicais, vão até 27 de novembro. Tudo será transmitido no site oficial do santuário, onde é possível conferir a programação: fatima.pt/pt.

Pedido realizado. A primeira igreja erguida em homenagem à Nossa Senhora foi a Capelinha das Aparições, em 1919. Ali seria o ponto exato onde a santa teria pedido para que os devotos construíssem um templo em sua homenagem.  Além da Capelinha das Aparições, o santuário é composto por outras partes, como as basílicas do Santíssimo, com as estátuas dos papas João Paulo II e Paulo VI, e a de Fátima, o local mais visitado de todo o santuário. 

Projetada pelos arquitetos Gerardus Samuel van Krieken e João Antunes, a basílica, inaugurada em 1953, foi construída com a pedra calcária da região, branco do mar. Na parte externa, a torre expõe 62 sinos; na interna, a capela-mor conta com 14 altares laterais, vitrais que exibem a ladainha de Nossa Senhora de Fátima e um mosaico da Via Sacra. Na basílica também estão depositados os restos mortais dos três pastores – Lúcia morreu em 2005, aos 97 anos, e Francisco e Jacinta  pouco depois das aparições, em 1919 e 1920, respectivamente.

Entre as duas basílicas, o Recinto da Oração é um espaço aberto de 30 mil metros quadrados, com capacidade para 330 mil pessoas, que deverá ser totalmente ocupado nos próximos dias 13 de cada mês, durante as celebrações do jubileu. 

Como antigamente. Além da basílica, vale visitar a Vila de Aljustrel, onde estão as casas em que viviam as crianças na época das aparições. O dia a dia do início do século 20 pode ser sentido dentro da Casa-Museu de Aljustrel, que pertenceu à madrinha de Lúcia. Dividida em ciclos temáticos (das profissões, do pão, do traje e da casa), a coleção é quase uma viagem no tempo. 

Também é possível visitar a casa dos irmãos Francisco e Jacinta, que foi reconstruída. Lúcia, que se tornou freira carmelita, doou sua casa ao santuário em 1981 – hoje, o local serve como posto de informações. 

NÃO PERCA:

1. Capelinha das Aparições. Construída em 1919, no local onde teriam ocorrido cinco das seis aparições de Nossa Senhora às crianças Jacinta, Francisco e Lúcia. O local é aberto ao público e tem uma imagem da santa de 1920.

2. Caminho dos Pastorinhos. A Via Sacra tem 14 estações e 2 km, ligando o Santuário à Vila de Aljustrel, onde viviam as crianças. Veja também o calvário húngaro, presente dos católicos da Hungria ao santuário.

3. Museu do Santuário. A mostra permanente Fátima Luz e Paz traz variadas ofertas de devotos e preciosidades como a coroa de Nossa Senhora de Fátima cravada com a bala do atentado sofrido pelo papa João Paulo II em 1981. 

SAIBA MAIS

Onde ficar. Grande parte dos turistas passa apenas o dia em Fátima. Mas há hotéis na freguesia, como os sete do grupo Fátima Hotels, com diárias a partir de R$ 260.

 

Como ir. Para maio, o trecho SP – Lisboa – SP sai desde R$ 4.253 na TAP, voo direto de 9h. Na KLM sai a partir de R$ 4.935, com conexão em Amsterdã e 15h, em média, de viagem. E na Iberia, desde R$ 4.904, com conexão em Madri e tempo médio de 15h de viagem. De Lisboa a Fátima, são cerca de 130 km; é possível alugar carro ou embarcar em um dos dos ônibus diários da Rede Expressos – 43,20 euros (R$ 145) ida e volta. 

Quanto custa. A entrada no santuário, no museu e nas casas dos pastores é gratuita, assim como o estacionamento. Para visitas guiadas, é preciso agendamento.

 

Pacotes. Com a Catedral Viagens, 6 noites entre Fátima, Tomar, Batalha, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Sintra, Cascais e Lisboa, com aéreo, ônibus com guia e hospedagem; a partir de R$ 7.289. Na CVC, sete noites, com paradas em Fátima, João Madeira, Coimbra e Lisboa, com hospedagem, passeios, café da manhã e duas refeições extrasvisita a adegas, a partir de R$ 4.684 por pessoa.

Site.  fatima.pt/pt .

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