Pousada Aguapé
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Férias com crianças: oito destinos nada óbvios

Viajar em família não significa apenas parques de diversão: opções 'adultas' são uma oportunidade de mostras às crianças um mundo de riquezas culturais e naturais

Bruna Tiussu, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 05h20

Falta pouco mais de um mês para as férias escolares de inverno e a dúvida é a de sempre: para onde viajar com as crianças? Destinos marcados por parques de diversão (alô, Orlando) são uma escolha óbvia. Mas viajar em família não precisa necessariamente ser só para as crianças – adultos também podem (e devem) se divertir. 

Buenos Aires, Lisboa, Londres, Jericoacoara e Tanzânia não são destinos tradicionais para ir em família. Ainda assim, oferecem a oportunidade de mostrar às crianças um mundo de riquezas culturais e naturais. Que tal apresentar o Aboporu, de Tarsila do Amaral, ou a sempre atual Mafalda, de Quino, na capital portenha? De quebra, está a apenas 3 horas de São Paulo. 

Pasteizinhos de Belém, história do Brasil ou mesmo o lindo Oceanário são ótimas razões para ir a Lisboa. Em Jeri, lagoas calminhas, de águas mornas, agradam a viajantes de todas as idades. Londres tem Harry Potter; a Tanzânia, safáris para observar na natureza bichos que os pequenos só veem em zoos. Nossas sugestões incluem ainda Bonito, Gramado, Socorro e Pantanal, opções nacionais em tempos que a instabilidade do câmbio pode pesar demais no bolso em uma viagem em família.

Organize a documentação

Documentos: o passaporte infantil é válido pela idade da criança até os 5 anos – detalhes no site da Polícia Federal. Na América do Sul, países como Argentina, Chile e Peru aceitam RG em bom estado emitidos em no máximo 10 anos. Para informações sobre visto, consulte o site do Ministério das Relações Exteriores. Caso a criança vá viajar com apenas um dos pais ou com um parente, há regras específicas; veja aqui.

Programação: com crianças, a programação deve ser mais tranquila. Nada de horários espremidos: deixe tempo para brincadeiras, um parquinho inesperado no caminho ou para a milionésima ida ao banheiro. 

 

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Bruna Tiussu, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 05h00

Você quer o agito de uma cidade grande, mas também contato com a natureza? Deseja conhecer outra cultura, sem ter de viajar para muito longe? Se esse é o combo ideal para suas férias em família, seu destino tem nome: Buenos Aires.

A capital portenha ganha pontos logo que pensamos na logística da viagem. Ela está pertinho (menos de três horas de voo desde São Paulo) e brasileiros podem entrar no país apenas com a carteira de identidade. E a proximidade do espanhol com o português facilita muito a interação em passeios e visitas a museus e restaurantes. 

Viajantes adultos e mirins cumprem alguns pontos turísticos obrigatórios, como o Caminito, com sua arquitetura multicolorida, restaurantes tradicionais e dançarinos de tango pelas ruas, e o bairro vizinho La Boca, um dos pioneiros da capital e a casa do estádio La Bombonera. Para deixar o passeio mais dinâmico, vale explorar essas áreas pedalando – várias agências oferecem aluguel de bicicletas e tours guiados.

Puerto Madero e San Telmo

Puerto Madero e San Telmo também entram nesta lista. O primeiro é a região portuária e atualmente a mais moderna de Buenos Aires, com ótimas opções gastronômicas e os curiosos Corbeta Uruguay e Fragata Sarmiento (a entrada em cada um custa 10 pesos; crianças menores de 5 anos não pagam), duas embarcações transformadas em museu onde o visitante descobre como era a vida a bordo delas.

San Telmo é um bairro melhor aproveitado aos domingos, quando recebe uma animada feira de antiguidade com shows de artistas de rua. Também é ali que crianças – e adultos também – garantem a foto com a estátua da personagem Mafalda, do cartunista Quino.

Para dar um tempo no corre-corre urbano, basta escolher um parque para passar algumas horas.

Só no bairro de Palermo há três que valem a visita: o Jardim Japonês (entrada a 120 pesos, menores de 12 anos não pagam), com lagos e pontes típicas da cultura nipônica; o Jardim Botânico (grátis), uma enorme área verde com estufas distintas; e o enorme Parque Tres de Febrero, que tem como maiores atrativos o rosedal – são mais de cem espécies da planta – e o Planetário Galileo Galilei. Renovado em 2011, ele conta com um moderníssimo sistema de vídeo e som, que o visitante confere durante os variados espetáculos – há para todas as idades, a 120 pesos por pessoa. Também é possível observar as estrelas nos seus potentes telescópios nas noites de sábado e domingo, sem pagar nada por isso.

'Aboporu' e mais

Vale aproveitar a viagem para mostrar às crianças Abaporu, obra de Tarsila do Amaral exposta no Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba), um símbolo da cultura brasileira.

A capital argentina tem ainda um museu com jogos sob medida para a garotada: o Museo de los Niños, localizado dentro no shopping Abasto (ingresso a partir de 30 pesos para adultos e 100 pesos para crianças). O espaço é como uma cidade interativa em miniatura, onde os protagonistas são os visitantes mirins, de até 12 anos. Ali eles assumem o papel de médicos, pedreiros, mecânicos e cinegrafistas, entre outras profissões. Podem fazer compras no supermercado ou bancar o atendente do caixa. Ou fazer saques no caixa eletrônico do banco.

O museu oferece também uma área com brinquedos para crianças menores, como escorregadores e gangorras, além de uma biblioteca e uma fábrica de biscoitos. É neste espaço que os pequenos aprendem o passo a passo para fazer cookies e a guloseima mais famosa da Argentina: o doce de leite.

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Bruna Tiussu, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 05h00

Os números não deixam dúvidas: Portugal vem trabalhando com maestria a sua verve turística. E os brasileiros têm tirado proveito disso. Em 2017, 869 mil estiveram no país, um aumento de 39% em relação a 2016. Ainda que explorem cidades e regiões distintas, Lisboa segue como destino favorito.

Entender a predileção é fácil. Com equilíbrio entre história e modernidade, a capital oferece passeios para todos. Adultos e crianças querem conhecer o monumental Castelo de São Jorge (8,50 euros, menores de 10 anos não pagam), construído pelos mouros no século 11 na mais alta colina de Lisboa. Não abrem mão também de uma volta a bordo do clássico bonde 28 e se impressionam com o vaivém na Rua Augusta, onde lojas de grifes internacionais são vizinhas de pequenas mercearias e artistas de rua ocupam as esquinas.

Um pouco de história

Ainda na Praça do Comércio, o coração da cidade, fica outra atração que combina com perfeição passado e presente. Inaugurado em 2012, o Lisboa Story Centre (7 euros para adultos e 3,50 euros para crianças entre 6 e 15 anos) relata os principais eventos que marcaram a trajetória da capital e influências ainda presentes no seu dia a dia. Tudo é contado com aparelhos interativos e sensoriais, que captam a atenção das várias faixas etárias.

Enquanto as projeções do espaço ilustram de forma lúdica a importância do Rio Tejo na formação da capital portuguesa, o Museu da Marinha (adultos a 5 euros e metade para crianças entre 6 e 15 anos) destaca o pioneirismo dos portugueses na conquista do além-mar. O acervo composto de fardas, armas, mapas e embarcações originais torna o local um dos preferidos das crianças.

Viajantes mirins também são maioria no Oceanário (15 euros para adultos e 10 euros para crianças entre 4 e 12 anos), construído para a Expo 98, num complexo ultramoderno, o Parque das Nações. O espaço possui um aquário central, com 5 milhões de litros d’água salgada, e abriga cerca de 500 espécies, entre aves, peixes, anfíbios e mamíferos. É tanta vida em exibição que adultos também acabam encantados. 

Doce vida

Em frente ao Cais do Sodré e aos pés do Rio Tejo está o endereço gastronômico mais descolado de Lisboa. E democrático: há opções para todos os bolsos e para todos os paladares. 

Antes frequentado por lisboetas que buscavam comprar frutas, verduras e flores, o Mercado da Ribeira ganhou uma grande praça de alimentação, sob curadoria da revista Time Out. São mais de 30 pequenos restaurantes que valorizam produtos locais, entre especializados em peixes, receitas orgânicas, massas e hambúrgueres, além de variados cafés e docerias com o autêntico pastel de nata.

Chefs portugueses também marcam presença ali, como Alexandre Silva (do restaurante Bica do Sapato) e Henrique Sá Pessoa (do Alma). Independentemente do menu, o esquema é o mesmo: depois de fazer o pedido, há que buscar um lugar nas mesas e balcões comunitários. 

O lugar cai bem ainda para comprar souvenir. Vinhos são facilmente encontrados ali, assim como modernos apetrechos de cozinha, sabonetes e conservas. Para levar um pouco “da terrinha” para a casa.

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Em Londres, lendas, castelos e Harry Potter

Os gastos são em libras, mas os museus são grátis

Bruna Tiussu, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 05h00

Não tem jeito. Londres está no imaginário da maioria dos viajantes brasileiros. Com seus monumentos, ícones, atrações cheias de história e outras ultramodernas, a capital britânica é uma das principais escolhas quando a ideia é passar férias no Velho Continente. Esteja você com ou sem crianças. 

Pois todo mundo quer ver de perto o Big Ben, dar uma volta completa na London Eye, a roda-gigante mais famosa do mundo (ingresso a partir de 32 libras) e cruzar a Tower Bridge até chegar à monumental Tower of London, complexo medieval que foi cenário de grandes conquistas e muitas lendas ao longo da trajetória do Reino Unido (adultos pagam 22,70 libras e crianças entre 5 e 15 anos pagam 10,75 libras.

PIQUENIQUE E PARQUINHO

Caminhar sem pressa ao longo da margem do Rio Tâmisa também é um passeio por si só. Assim como conhecer os inúmeros parques da capital inglesa, feitos sob medida para viajantes adultos e mirins e com a vantagem de serem gratuitos.

LEIA TAMBÉM: Os melhores lugares de Londres para levar as crianças

O Hyde Park, a maior área verde do centro da cidade, é uma opção certeira para fazer um piquenique, tomar sol (a partir de julho, é possível alugar cadeiras), andar de pedalinho e, aos domingos, divertir-se com oradores e excêntricos que soltam a voz e deixam seu recado no Speaker’s Corner.

Ele também tem um grande playground, que atualmente concorre como o favorito das crianças com o Princess of Wales Memorial Playground. Localizado no Kensington Gardens, um vizinho mais sossegado do Hyde Park, ele presta homenagem à princesa Diana, que adorava Peter Pan.

Seu maior atrativo, portanto, é um grande navio pirata feito de madeira, rodeado por uma praia artificial. Tendas, trilhas sensoriais, esculturas e outros brinquedos que remetem ao universo do personagem da história infantil completam o cardápio de atrações do parquinho para quem tem até 12 anos.

Grandes museus

Visitar Londres também significa a possibilidade de conhecer alguns dos mais incríveis museus do mundo sem desembolsar uma libra sequer. O British Museum, famoso pelo seu lindo hall de entrada, tem um gigantesco acervo para narrar toda a trajetória humana, enquanto a National Gallery, localizada em plena Trafalgar Square, reúne obras de mestres da arte (entre eles, Van Gogh, Picasso, Michelangelo e Caravaggio).

Já a Tate Modern, o mais popular museu de arte moderna e contemporânea do mundo, ficou ainda mais imperdível depois que inaugurou um novo prédio, em 2016. Hoje, conta com fotografias, vídeos e trabalhos multimídias de artistas cujas origens vão além da Europa e dos Estados unidos, como a japonesa Yayoi Kusama e o brasileiro Cildo Meireles.

Museus gratuitos que agradam a crianças também são vistos na capital inglesa. O principal é o Museu de História Natural, com a exibição de micro-organismos a esqueletos de baleias. A sala mais concorrida ali é a Galeria dos Dinossauros, que apresenta um T-Rex em tamanho real.

Até 16 de setembro, o museu abriga ainda a exposição temporária Sensational Butterflies, em que espécies de borboletas da Ásia, da África e das Américas podem ser apreciadas de pertinho (os ingressos custam 5,85 libras).

A poucos passos dali fica o Museu da Ciência, cujas atrações interativas, com recursos multimídia, costumam render longas filas. Itens como a cápsula de comando da Apollo 10, a calculadora de Babbage e diferentes simuladores garantem diversão para uma tarde inteira em família. 

NO MUNDO DE HARRY POTTER

Graças ao ótimo sistema de transporte público disponível no Reino Unido, passar um dia no universo de Harry Potter é bem fácil quando se está visitando Londres. A apenas 30 quilômetros da capital inglesa — percorridos em 35 minutos numa combinação de trem e ônibus — ficam os estúdios da Warner Bros, que depois de servirem de locação para os filmes do bruxinho foram transformados numa espécie de parque temático, em 2012.

No passeio chamado de The Making of Harry Potter (ingressos a partir de 39 libras para adultos e 31 para crianças entre 5 e 15 anos), o visitante é convidado a explorar livremente os cenários e a contemplar objetos e figurinos importantes na saga. O salão principal de Hogwarts está lá, assim como a sala de aula de feitiços do professor Snape, o Beco Diagonal e o trem expresso de Hogwarts. Tudo incluído no programa indicado para se curtir em família.

Dá para ver em detalhes as varinhas usadas pelo bruxo e por seus amigos, o pomo de ouro das partidas de quadribol e os quadros que nos filmes se movimentam. O espaço conta ainda com um bar, onde o visitante prova a cerveja amanteigada, e uma loja, que vende uma infinidade de objetos perfeitos para os pequenos (e grandes) fãs do bruxinho. É a chance de garantir uma capa ou uma varinha igualzinha à de Harry para chamar de sua.

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Em Gramado e Canela, friozinho e brincadeira

Da neve aos dinossauros, cidades da Serra Gaúcha têm atrações para ninguém ficar parado

Bruna Tiussu, Especial para o Estado

29 Maio 2018 | 05h00

É no inverno que Gramado alcança seu auge: a arquitetura europeia, as ruas floridas e os inúmeros restaurantes de fondue foram feitos sob medida para as temperaturas da estação fria. Não por acaso, a pequena cidade gaúcha tornou-se um dos destinos mais cobiçados nesta época do ano, com atrações que satisfazem a toda a família.

Enquanto os adultos se esbaldam com os menus que ora homenageiam a cozinha alemã, ora a italiana – origem da maioria dos imigrantes da Serra Gaúcha –, os pequenos têm de decidir por onde começar sua diversão. Pois as opções são muitas: Gramado investiu em museus e parques temáticos.

Uma vez no inverno, por que não testar suas habilidades nos esportes de neve? O Parque Snowland (em julho, o ingresso adulto custa R$ 169, e crianças pagam R$ 139) foi criado com esse propósito, e é o queridinho das crianças mais radicais. Graças a uma montanha de neve artificial, instalada ali, é possível aprender manobras do esqui e do snowboard no parque da Serra Gaúcha. Patinar no gelo e deslizar numa boia pelos corredores de um castelo mágico são as outras atrações mais concorridas.

Mundo pequenino. A neve também está presente no Mini Mundo (adultos a R$ 36; crianças entre 3 e 15 anos por R$ 18; grátis até 2 anos), no alto da sua Cordilheira dos Andes, uma perfeita réplica da montanha latino-americana. Fundado em 1983, o parque reúne miniaturas de pontos geográficos, monumentos e construções do mundo todo. Há desde a torre de TV de Hamburgo, passando pela Igreja São Francisco de Assis (em Ouro Preto), até o Castelo de Neuschwanstein, aquele da Bavária, na Alemanha, que inspirou Walt Disney a criar o Castelo da Cinderela.

Já o Hollywood Dream Cars (R$ 60 para adultos; R$ 30 para crianças de 5 a 12 anos) homenageia a época de ouro dos carrões norte-americanos, com um acervo de 28 modelos dos anos 1950. Referências a Elvis Presley são encontradas por todo o espaço, que tem como destaque um Cadillac Eldorado Biarriz 1957 cor de rosa.

Quem tiver mais tempo na viagem à Serra Gaúcha pode ainda visitar os outros museus do grupo de entretenimento: o Super Carros, dedicado a veículos esportivos; o Harley Motor Show, com belo modelos da marca; o Museu de Cera, onde estrelas nacionais e internacionais estão representadas; e o Parque dos Dinossauros, para uma experiência com os gigantes. O passaporte combo, com entrada para todas as atrações, sai por a partir de R$ 170.

Mais diversão ao lado. Como se as atrações de Gramado não fossem suficientes, há ainda muito o que se ver e fazer em Canela, cidade a apenas 7 quilômetros. Lá fica o Alpen Park, com tirolesa, arvorismo, cinema 4D, quadriciclo e trenó, além de carrinho de montanha-russa (R$ 90 o passaporte para seis atrações; ingresso da montanha-russa a R$ 24,30). Gramado e Canela dividem ainda a tradição local do chocolate, com muitas lojas para se deliciar.

Cascata e passeio de bondinho

O principal chamariz da cidade de Canela é a Cascata do Caracol, uma queda d’água de 131 metros de altura. É possível apreciar esse cartão-postal da Serra Gaúcha a partir do mirante do parque de mesmo nome (R$ 20), no entanto, o melhor ângulo da cascata se consegue durante o passeio de bondinho (R$ 42), um investimento bastante válido.

A segunda grande atração dali é o Castelinho Caracol, a antiga residência de uma família de imigrantes alemães da região que foi transformada em museu. Os cômodos da construção possuem móveis, louças e peças originais, e a cozinha do lugar chama a atenção com seu fogão a lenha esmaltado à mão, ainda em funcionamento. É nele que as cozinheiras preparam o famoso apfelstrudel (torta de maçã típica da Alemanha), uma receita passada de geração em geração, servida no café do museu. Se o frio da serra permitir, recomenda-se provar essa delícia acompanhada por uma bola de sorvete.

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Em Jericoacoara, praia, sol e lagoas

Agora com fácil acesso, município do Ceará oferece o combo águas calmas e quentinhas para curtir à beira-ma

Bruna Tiussu, Especial para O Estado

29 Maio 2018 | 03h00

Ex-refúgio hippie, Jericoacoara aos poucos se firmou como destino de praia cobiçado por brasileiros e estrangeiros, viajantes desencanados e exigentes, esportistas e amantes do dolce far niente. Desde o início do ano, famílias com crianças pequenas também ganharam um incentivo para incluir o lugar em suas listas de destinos de férias: com as companhias aéreas Gol e Azul operando voos até lá, chegar a esse paraíso do litoral cearense ficou fácil, fácil.

E o mês de julho ainda guarda estímulos extras: enquanto faz frio em boa parte do País, o sol segue firme em Jeri e o período das chuvas já passou. Também é nesta época que os turistas conseguem presenciar uma das cenas mais bonitas do lugar: o sol se encaixando com perfeição dentro do buraco da Pedra Furada no fim do dia.

A visita a este cartão-postal pode ser realizada a pé (são 30 minutos de caminhada pela praia, desde que a maré permita), de bugue ou a cavalo. Os guias e seus animais costumam ficar sempre disponíveis, para potenciais clientes, próximos da Duna do Pôr do Sol – os profissionais cobram desde R$ 30 para fazer o passeio.

Essa duna, aliás, é outro ponto emblemático de Jericoacoara e parada obrigatória para quem visita o vilarejo: todos os dias, moradores e visitantes sobem até seu topo para contemplar do alto mais um entardecer no destino cearense.

Pela areia. Para aqueles que preferem curtir as atrações de bugue, é possível alugar um (com ou sem guia) nas agências de turismo ou diretamente nos hotéis, com valores a combinar. O passeio mais vendido é o que leva até as Lagoas Azul e Paraíso, que na verdade são dois trechos da mesma lagoa de Jijoca, o município em que a vila de Jeri está inserida.

Com redes estrategicamente instaladas na beira da água e restaurantes localizados a poucos passos de distância, fica difícil querer ir embora dali. É realmente um lugar delicioso para se aproveitar em família.

O segundo tour mais procurado vai até a Lagoa de Tatajuba, também um convite ao deleite no estilo pé na areia. Durante o trajeto, passa-se por uma bonita área de mangue seco, que é praticamente uma aula de geografia para os pequenos. Também há a possibilidade de fazer uma parada para ver cavalos-marinhos, na qual os guias explicam as características e o modo de vida da espécie.

Vento e vida boa. Como em Jericoacoara o vento é sempre constante, os amantes do windsurfe e do kitesurfe têm um carinho especial pelo destino. Velas coloridas voando alto fazem parte da panorâmica da praia, e as escolas estão por ali para ensinar os primeiros passos desses esportes. Adultos e crianças podem fazer aulas, basta terem tempo e força de vontade.

Turistas menos dispostos podem contemplar as manobras dos que estão dentro d’água. Vale esticar a canga na areia e curtir o sol, assim como se acomodar em um dos diferentes bares e restaurantes à beira-mar, caso do Clube dos Ventos, opção número 1 dos gringos, e da Creperia Naturalmente, com menu e atmosfera bem familiares.

As atrações gastronômicas de Jericoacoara continuam vila adentro, espalhadas por suas ruas de areia, sempre em distâncias caminháveis. O restaurante A Casa Dela tem sido o favorito nas listas sobre o destino, graças ao seu ambiente repleto de caprichos e às receitas com raízes nordestinas.

Outra boa opção gastronômica local é o Bistrô Caiçara, comandado pelo chef José Apolinário. Ele prepara ótimos pratos de frutos do mar para serem apreciados a céu aberto, com a lua de Jericoacoara como companheira.

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Na Tanzânia, um safári africano

São 18 áreas de conservação para buscar os 'big five': leão, búfalo, rinoceronte, elefante, leopardo

Bruna Tiussu, Especial para O Estado

29 Maio 2018 | 05h00

Eles não têm onças-pintada, mas leões, elefantes e hipopótamos estão por toda parte. Se esse é o grupo de animais que sua família sonha em ver nas férias, os parques nacionais da Tanzânia estão à sua espera. São 18 no total, cobrindo porções gigantescas do país africano, que tem quase 40% do território formado por áreas de conservação. É muito verde concentrado.

Para sair satisfeito, ou seja, para ver todos (ou quase todos) os chamados big five — leão, búfalo, rinoceronte, elefante, leopardo —, aposte nos internacionalmente famosos parques do Norte, Serengeti e Ngorongoro. Ou nos dois principais do Sul, Selous e Mikumi, cujos preços são mais acessíveis.

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Em qualquer um deles a lógica é a mesma: você se hospeda em hotéis próximos ou dentro dos parques e agenda safáris de um dia inteiro ou de meio dia — os hotéis oferecem os passeios ou indicam operadoras. 

Então basta se acomodar no veículo 4x4 e ficar atento para apreciar cada zebra pelo caminho, girafas comendo no alto das árvores, manadas de elefantes à beira de lagos, famílias de leões descansando na sombra, e hipopótamos na água. É tanto bicho junto que você vai achar que foi passar férias numa animação da Disney

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Em plena natureza no Pantanal e em Bonito

Cidades do Mato Grosso do Sul formam uma dupla perfeita para observar animais com doses de aventura

Bruna Tiussu, Especial para O Estado

29 Maio 2018 | 05h00

A visita ao Pantanal sul-mato-grossense tem um objetivo primordial: ver de perto alguns dos bichos que só conhecemos por fotos. Tatus, tamanduás, jacarés, araras, tuiuiús e a tão temida onça-pintada fazem da maior planície alagável do mundo o seu lar, e pouco se intimidam com os turistas boquiabertos diante de sua presença.

Há 40 anos, fazendas da região de Miranda (a 200 quilômetros da capital, Campo Grande) investem em hospedagens e passeios que colocam os visitantes a poucos metros destas espécies, além de apresentar os campos e as plantas do bioma, intitulado pela Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. A partir de junho, no início da alta temporada, famílias do mundo todo disputam um espaço nessas propriedades. Pois com o fim das chuvas avistar mamíferos e aves fica mais fácil.

Na Fazenda San Francisco (uma das poucas que oferece day use: R$ 225 para adultos e R$ 155 para crianças entre 5 e 11 anos), a saga em busca dos animais pode começar pela água. No passeio de chalana pelo Corixo São Domingos, um braço do Rio Miranda, jacarés estão por todo lado. Principalmente depois que visitantes e guias começam a testar suas habilidades na pesca esportiva de piranhas. 

Por terra, o tour mais procurado é o feito a bordo de uma camionete 4 x 4 adaptada ao turismo. De dia, ele recebe o nome de safári fotográfico – é quando os visitantes conseguem clicar espécies de hábitos diurnos, com destaque para as aves e os cervos. À noite, o passeio é conhecido como focagem, e seu objetivo é encontrar animais que saem da toca quando o sol já se foi e o clima está mais ameno. A expectativa é ficar cara a cara com a onça-pintada, mas ver um tamanduá, um lobinho ou uma jaguatirica também são verdadeiras conquistas. 

Perto de Aquidauana, cidade a 140 quilômetros de Campo Grande, a Pousada Aguapé também foi feita sob medida para famílias (diárias desde R$ 960 para o casal, com pensão completa e dois passeios). Os cavalos mansos estão acostumados a serem cavalgados por visitantes mirins, e os guias conduzem adultos e crianças em divertidos passeios de caiaque e caminhadas pela mata. Próximo ao restaurante – todo aberto, para que até as refeições sejam feitas em meio à natureza –, fica a palmeira preferida das araras-azuis, e tatus-peba são figurinhas constantes, sempre atrás de uma ou outra fruta que cai no chão.

Pés de carambola e limão, aliás, compõem o cenário da fazenda, que mantém placas com informações sobre a flora local em cada uma de suas árvores. A piscina estrategicamente posicionada ao lado do bar garante um merecido e refrescante mergulho ao fim do dia, que pode ser seguido do tradicional churrasco pantaneiro. Porque depois de tanta atividade, é preciso recarregar as energias, exatamente como os locais fazem.

Ecoturismo em Bonito. Vizinha do Pantanal, a cidade de Bonito pode ser visitada após dias nas fazendas da região de Miranda. Famoso por sua estrutura hoteleira e atividades de ecoturismo, o destino guarda outras experiências na natureza, com doses de adrenalina.

Dentre suas principais “fontes” de diversão estão os rios. Difícil ir a Bonito e não ficar perplexo com os cardumes de dourados, pacus e piraputangas que nadam ao seu lado na flutuação no Rio da Prata. São 1,5 mil metros percorridos na superfície da água cristalina (graças ao colete salva-vidas e roupa de neoprene), ao longo de três horas, com máscara e snorkel.

As águas igualmente transparentes da Lagoa Misteriosa também podem ser exploradas. A quantidade de peixes ali é bem menor, há que se dizer, mas a estrutura dessa caverna subterrânea – tem mais de 220 metros de profundidade e é cercada de mata nativa – confere ao local uma atmosfera mágica. Talvez só batida pela famosa Gruta Azul, principal cartão-postal de Bonito. É preciso descer quase 300 degraus para ver de perto a caverna cheia de estalactites e estalagmites e com um lago de águas incrivelmente azuladas. Mas, ao contrário da Lagoa Misteriosa, ali não se pode nadar.

Para viajantes atrás de mais atividades aquáticas, há ainda fazendas com circuitos de cachoeiras, como a Estância Mimosa, onde os visitantes podem cumprir trilhas de fácil acesso para curtir as várias quedas, tomar sol e depois provar o almoço ao estilo pantaneiro.

Outras propriedades oferecem hospedagem e também atividades, para turistas a fim de passar o dia lá. É o caso da Cabanas, que, situada à beira do Rio Formoso, desenvolveu o passeio de boia-cross – adultos não hóspedes pagam R$ 80, e crianças entre 6 e 11 anos, R$ 70). A fazenda montou ainda um trajeto de arvorismo (R$ 110 para adultos e R$ 90 para crianças entre 6 e 11 anos), instalado a 15 metros de altura. Quer testar seu equilíbrio? Aventureiros adultos e mirins são bem-vindos. 

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Em Socorro, adrenalina sob medida

Atividades cheias de emoção fazem de cidade do interior de São Paulo um parque de diversões a céu aberto

Bruna Tiussu, Especial para o Estado

29 Maio 2018 | 05h00

Quem chega no centrinho de Socorro, a 130 quilômetros de São Paulo, pode até duvidar que a cidade de tamanho diminuto e poucos 40 mil habitantes tenha mesmo tantas atividades a oferecer. É que para aproveitar os grandes atrativos dali há que explorar sua zona rural, onde fazendas e parques se espalham e recebem visitantes a fim de curtir a natureza – ou se aventurar nela.

Uma das componentes do Circuito das Águas paulistas, Socorro tem a sorte de ser banhada pelo Rio do Peixe, que logo atraiu os amantes do rafting. Hoje, o circuito realizado ali é um dos mais procurados no Estado. No trajeto tradicional (a Rios de Aventura cobra a partir de R$ 75 por pessoa), crianças com no mínimo 7 anos podem encarar os quatro quilômetros rio abaixo, com direito a corredeiras de níveis 1, 2 e 3. Ao final, um mergulho na água gelada ajuda a acalmar os ânimos. 

LEIA TAMBÉM: Em Socorro, com o pet a tiracolo

Se a ideia é ver a adrenalina subir ainda mais, pode-se optar pelo percurso de sete quilômetros e mais de 20 corredeiras. E detalhe: algumas são classificadas como nível 4. A atividade é oferecida pela PróximAventura (R$ 110 por pessoa), empresa que também investiu no rafting da Lua Cheia (R$ 165 por pessoa), realizado uma noite por mês.

Para conhecer a natureza local, agora em terra firme, existem opções de passeios a cavalo ou tours feitos de quadriciclo. Há o que leva até a Pedra da Bela Vista, de onde se vê a cidade de Socorro e as montanhas da Serra da Mantiqueira; o que inclui visita a uma cachaçaria artesanal, com direito a degustação de aguardente, queijos, doces e geleias; e o que tem como ponto alto uma cachoeira, para mais um banho refrescante. 

Desafios. Seus filhos são do tipo aventureiros, mas você não? Tudo bem, Socorro conta com espaços que pensam no seu descanso e na diversão dos pequenos. O Parque Monjolinho, por exemplo, tem uma completa estrutura de lazer em meio a muito verde, pássaros e pequenos animais, além possuir uma equipe de monitores para acompanhar as crianças nas diversas atividades. O circuito de arvorismo desafia os pequenos com 17 obstáculos e uma mini tirolesa de 80 metros ao final, enquanto no rapel eles encaram uma descida de 30 metros.

Misto de hotel e parque temático, o Parque dos Sonhos também tem um vasto cardápio de atividades para visitantes mirins, que vão de arvorismo, passando por cavalgada, até espeleoturismo, uma trilha para desbravar uma caverna por dentro. Entre uma e outra atividade, os turistas podem curtir a piscina, a sauna e a sala de jogos ou até ir conhecer a doceria e a queijaria da propriedade.

Do mesmo grupo hoteleiro, o Terra dos Sonhos segue um conceito ainda mais conectado à natureza. Parte da sua estrutura foi construída a partir de contêineres reutilizados, a propriedade possui um casarão centenário revitalizado, uma horta orgânica e criação de animais. Destaque ainda para a verve educativa da minifazenda, onde crianças e adultos podem alimentar carneiros, coelhos e pôneis, e do viveiro interativo, onde podem conhecer e saber mais sobre pássaros que tem a região como seu hábitat. 

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