Carlos Gutierrez/Reusters
Carlos Gutierrez/Reusters

Férias frustradas: quando uma catástrofe natural interrompe a viagem

Vulcões, furacões, terremotos: o que fazer quando os planos da natureza interferem no seu roteiro? Veja dicas e vá prevenido

Mônica Nobrega, Estadão

01 Maio 2015 | 21h33

Claro que ninguém viaja esperando que o passeio sejainterrompido por alguma catástrofe natural. Mas muitas áreas turísticas doplaneta estão sujeitas a elas – o terremoto no Nepal e a erupção do VulcãoCalbuco, no Chile, lembraram isso ao mundo na semana passada.

O Japão sofre tremores de terra constantemente. O Caribe temfuracão. Chuvas fortes chegam a interditar a trilha inca até Machu Picchu.Nevascas não são raras no Hemisféroio Norte. E nada disso é motivo para tiraresses e outros lugares da sua lista. Mas é importante saber o que fazer e comose proteger tanto quanto possível, do ponto de vista da integridade física edos seus direitos.

O Nepal vai demorar um pouco para ter condições de receberturistas, ainda que a situação do aeroporto internacional de Katmandu esteja seregularizando – na sexta-feira, a média era de 2 horas de atraso nas partidasde voos, segundo a Embaixada do Brasil na capital nepalesa.

Mas o resto do planeta está aí, cheio de beleza paramostrar. Anote nossas dicas antes de embarcar e, na dúvida, consulte oMinistério das Relações Exteriores por telefone: (61) 2030-8802, ou finais 8805e 8807.

 

ANTES

Cuidado ao comprar. Antes de sucumbir à tentação de umaoferta de passagem, hotel ou pacote, faça uma busca simples para descobrir se aempresa vendedora tem endereço no Brasil e ligue para conferir se o telefoneestá ativo. O cuidado é ainda mais importante quando o destino turísticoescolhido é sujeito a intempéries que podem interromper a viagem – e osserviços contratados, o que, em geral, dá ao consumidor o direito de serressarcido.

A recomendação é do Procon-SP. “Se a empresa não tiverrepresentação no Brasil, não vai ter como reclamar depois”, alerta Marta Aur,assessora técnica do órgão.

Outro cuidado decisivo: viajar na época certa, ou seja, foradas temporadas de eventos climáticos extremos.

 

Contrate seguro. O Ministério das Relações Exteriores“recomenda fortemente” que os brasileiros contratem seguros de viagem comcobertura no exterior. “Nos Estados Unidos a assistência à saúde é caríssima. Umacobertura de US$ 50 mil é a mínima para ficar tranquilo”, diz o diretor médicoda Mondial Assistance, José Sallovitz. Vai praticar esportes radicais comoesqui, escalada, trekking em região remota? Várias seguradoras têm produtosespecíficos para tais situações.

 

Coloque na agenda. No Portal Consular (portalconsular.mre.gov.br)há uma lista de contatos de todos os consulados e embaixadas do Brasil pelomundo. Anote tudo: endereço, telefone regular, celular de emergência e e-mail.Tenha mais de uma cópia, inclusive uma que permaneça todo o tempo com você.

Lugares sem representação diplomática brasileira estãosempre vinculados ao consulado ou embaixada mais próximos. Veja a lista:oesta.do/gestaoconsular. Quanto ao passaporte, vale ter uma cópia em papel etambém fotografar o documento com a máquina fotográfica e o celular. Mantenha aimagem nos cartões de memória e envie para o seu próprio e-mail, para ter maisuma opção de encontrar a imagem.

 

DURANTE

Procure a embaixada. É a primeira providência para quem estáem uma área que enfrenta uma catástrofe natural. As autoridades diplomáticasbrasileiras ajudam a entrar em contato com a família, podem expedir um novopassaporte ou autorização de viagem, ajudam a organizar e informam sobrehospedagens, meios de transporte para sair da área e até oferecem auxílio paracompra de itens emergenciais.

No caso do Nepal, a Embaixada brasileira em Katmandu firmouacordo para que brasileiros fossem atendidos gratuitamente no hospital decampanha montado pelo governo de Israel (atenção: o órgão não pode pagaratendimento médico). Outro acordo com a Embaixada da Índia está permitindo aentrada de brasileiros no país sem visto, rumo a Nova Délhi, onde o documento éobtido.

 

Peça ajuda a entidades. Se for difícil contatar arepresentação diplomática brasileira, o que não é incomum, procure gruposhumanitários como Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e igrejas e associaçõeslocais que podem facilitar o contato.

 

Obedeça as regras. Siga à risca recomendações dasautoridades locais de onde é seguro ficar e como se deslocar. Não tente sair daárea a todo custo. Mesmo que não haja voos, sair pelas estradas pode serarriscado.

 

Sobre o seguro. Seguros de viagem não cobrem custos extrascom hospedagem e transporte. Mas podem ajudar a fazer contato com a família.Segundo o gerente de Produtos da Assist Card, Volnei Veronese, a empresaanalisa caso a caso e pode estender a cobertura sem custo. O Vital Card cobrehospedagem, alimentação e repatriamento só para quem precisa de cuidadosmédicos. A Mondial costuma montar planos emergenciais para seus segurados – noNepal, mandou uma equipe médica a Katmandu. Em todo caso, guarde todos osrecibos que for possível.

 

Adie ou cancele. Prestes a embarcar para um destino ondeocorreu uma catástrofe natural e que não está em condições de receber turistas?Pelo Código de Defesa do Consumidor, você tem direito a remarcar ou cancelar aviagem sem pagar multa.

 

DEPOIS

Peça ressarcimento. O consumidor tem direito a receber devolta o dinheiro pago pela parte da viagem que não foi feita. Por exemplo, se acatástrofe natural obrigou a voltar para casa a partir do segundo de quatrodestinos, os dois trechos cancelados devem ser ressarcidos (itens comohospedagem e passeios). Para isso, quanto mais comprovantes você conseguirguardar, incluindo recibos de pagamento, contratos e até folhetos promocionais,melhor.

Segundo Marta Aur, assessora técnica do Procon, a primeiramedida é procurar a empresa fornecedora do serviço para tentar um acordo. “É umtipo de serviço em que a negociação sempre é possível, até para fidelizar ocliente”, diz.

No caso do seguro, despesas médicas que deveriam ter sidocobertas pela apólice contratada também podem ter seu valor devolvido aoviajante. É preciso comprovar o gasto.

 

Reclame à Anac. As atribuições e regras da Agência Nacionalde Aviação Civil, a Anac, se restringem ao território do País. Quando oviajante estiver no Brasil, voos cancelados ou remarcados obrigam a empresa Aprestar assistência ao passageiro: alimentação a partir de 2 horas de atraso,acomodação de 4 horas em diante, reacomodação prioritária em voo próprio ou deterceiros na mesma categoria do serviço contratado originalmente. Sentiu-selesado? Reclame: 0800-725-4445. Voos no exterior, por sua vez, estão submetidosàs regras de seus países de origem e destino.

 

Vá à Justiça. Não conseguiu acordo com as empresasfornecedoras da viagem que não foi feita (ou foi interrompida)? Procure aJustiça. Causas no valor de até 20 salários mínimos (R$ 15.760) podem ir para oJuizado Especial de Pequenas Causas e dispensam advogado.

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