Pedro Ribeiro
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Férias na Mantiqueira: um roteiro para além de Campos do Jordão

Em São Paulo e Minas Gerais, destinos mostram a beleza da paisagem, a arte, a hospitalidade e a culinária da região

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

28 de junho de 2022 | 05h00

A Serra da Mantiqueira é lugar de gente apaixonada por onde vive. Porque nasceu ou escolheu morar ali. Gente que trabalha apresentando, com orgulho, a região ao visitante. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro dividem montanhas e vales dessa serra no Sudeste, enfeitados por araucárias e regados por cachoeiras.

Dois destinos, Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG), estão sempre entre os mais buscados em sites de acomodação. Ambos são bem estruturados turisticamente, com hotéis, restaurantes e lojas, mas têm estilos e tamanhos distintos. Enquanto a paulista é uma cidade com um centro urbano de fato, a mineira é um pequeno distrito de Camanducaia. “Mesmo na alta temporada, por ser um vilarejo, com uma única entrada e certa limitação de crescimento urbano, Monte Verde se torna um destino acolhedor. É um lugar onde as pessoas se conhecem e recebem bem, fazendo o turista se sentir em casa”, afirma Rebecca Wagner, presidente da Agência de Desenvolvimento de Monte Verde (Move).

Uma das vantagens de viajar para a Mantiqueira, cadeia com extensão aproximada de 500 km, é encontrar mais possibilidades para curtir o clima de serra em lugares menos procurados pelos visitantes, especialmente considerando o intenso movimento no inverno. São Bento do Sapucaí e Santo Antônio do Pinhal, do lado de São Paulo, e Gonçalves, em Minas Gerais, são pequenas, charmosas e cheias de atrativos.

Veja ideias nos destinos para incluir no roteiro, com natureza, artesanato e produtos rurais. Gastronomia e hospedagem também são parte essencial da experiência. Não só pelo serviço, que proporciona bem-estar, mas pelas paisagens nas quais os empreendimentos estão inseridos.

Monte Verde: passeios e festival no inverno

Conhecer os picos da Mantiqueira geralmente está entre os passeios a serem feitos nos destinos. Em Monte Verde, esse é um dos programas previstos no city tour da Quadriventure (3h em média; R$ 400 por casal ou R$ 500 para família de até quatro). “A gente leva o pessoal para conhecer os principais pontos, incluindo o atrativo natural mais visitado, a Pedra Redonda. A gente conhece cachaçaria, loja de chocolates, de queijos e doces. São lugares afastados do centro, onde provavelmente quem está visitando não passaria de carro”, explica Ronaldo Paes, proprietário da empresa.

“A ideia é que a pessoa tenha uma visão de 360 graus do que é Monte Verde, e mostrar que não é só uma avenida, que tem muita coisa legal.” A Quadriventure oferece ainda passeios de quadriciclo (1h; R$ 169 para até duas pessoas), em trilha própria com desafios off-road.

As férias de inverno em Monte Verde incluem o Cozinha Show, em 9, 16, 23, 24 e 30 de julho, com oficinas de culinária e apresentações culturais. Quem estiver atrás de comida mineira aliada a uma experiência genuína pode ir à Fazenda Esperança – bufê de almoço (12h/15h) a R$ 45.

Gonçalves com sabor e aventura

Destino indicado para um contato próximo com a natureza, Gonçalves atrai quem busca atividades diurnas. Morador da cidade desde 2020, Adrian Alexandri ia para lá desde 2015. “Eu me encantei pela Mantiqueira, pela paz e tranquilidade”, conta o jornalista, que deixou a área corporativa. “Vim um pouco antes do movimento que a pandemia trouxe, de trabalhar em casa”, diz o idealizador de um clube de assinatura com produtos da região, o Mantiqueirias, e dono do Instagram @goncalves.no.mapa, com dicas locais.

“Entre os restaurantes, indico o Sauá, do chef Vitor Pompeu, na Pousada Bicho do Mato. O Vitor é o principal pesquisador do uso de produtos da Mantiqueira na gastronomia”, diz. O medalhão ao molho de café com melado (R$ 89) é servido com virado de banana com queijo, abóbora assada e pipoquinha de arroz vermelho do Vale. O Sauá trabalha com a cerveja local 3 Orelhas (500 ml; R$ 32).

Empório instalado no centro da cidade desde 2017, o Armazém São Bento também prioriza produtos da região. “A proposta do espaço é uma versão revisitada dos armazéns de antigamente, com a variedade de secos e molhados, o dono no balcão, a caderneta, a conversa sem pressa”, explica Vera Pena, uma das proprietárias. Uma fatia de bolo de fubá de milho criolo, com compota de goiaba e um café coado, sai por R$ 22. Plaquinhas de madeira com cenas da paisagem mineira, pintadas à mão, custam de R$ 50 a R$ 160.

Trekkings e passeios de 4x4 levam a picos e cachoeiras no entorno. As caminhadas (3h a 6h) saem entre R$ 150 e R$ 200 por pessoa, e os roteiros de carro (3h a 5h), de R$ 450 a R$ 900 por veículo para até quatro pessoas, na Conexão Gonçalves. Na agência, o voo duplo de paraglider custa R$ 500, com traslados, fotografia e filmagem.

Santo Antônio do Pinhal: arte e natureza

A Fazenda Renópolis, na paulista Santo Antônio do Pinhal, recebe visitantes para ver a trilha ecológica, a Casa do Papail Noel e o museu da natureza (com pedras e conchas, entre outros itens) – fins de semana, 10h/16h). Débora Murgel, proprietária da Renópolis, trabalha pela preservação da fauna e da flora. “Tenho uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e um projeto de reabilitação e soltura de animais silvestres.”

Recentemente, ela abriu a Villa René, com foco em turismo rural. Inclui lavandário, cactário e loja de produtos de lavanda – sabonete de base vegetal (R$ 8) e o aromatizador de ambiente (R$ 50) com embalagem envolta em crochê. Quando paga R$ 25 de entrada na fazenda, o viajante pode ir à Villa René sem pagar a mais.

Com visão para o Pico Agudo e a Pedra do Baú, a Quinta dos Pinhais alia o verde à decoração rústica em estilo boutique. Integrante da Associação Roteiros de Charme, a pousada tem um bistrô e um deck panorâmico – diária a partir de R$ 2.040 para casal, com café da manhã.

A natureza também influencia a arte em Pinhal. “A Mantiqueira nos inspira. Tenho um lugar mais quieto para trabalhar e um visual legal”, afirma a ceramista Cynthia Duarte (Instagram @jardinsdebarro). “O que gosto de oferecer para as pessoas é a essa experiência toda, não só mexer com o barro”, diz referindo-se à oficina que dá para turistas de todas as idades (2h; R$ 160, mais custo de envio). “Apresento o ateliê. Todos modelam uma peça. Depois faço a queima e mando pelo correio”, conta a artista, que subiu a serra há 21 anos.

A chef Anouk Migotto transforma a riqueza ao redor em outro tipo de arte, servida em seu restaurante, o Donna Pinha. As receitas, elaboradas com ingredientes locais e muitas vezes enfeitadas com flores comestíveis, deram até livro, Donna Mantiqueira, lançado no fim de 2021.

Ela estará no espaço Cozinhando com Palavras, em 2 de julho, às 19 horas, na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. No evento, a chef prepara o Risoto Negro da Mantiqueira. Ela descreve a experiência: “O terroir da nossa região, o frescor dos cogumelos, com queijo e sua leve picância, além do sabor herbáceo do arroz negro”.

São Bento do Sapucaí com atividades na natureza e vinho

Apreciar aves sem ter experiência é possível em São Bento do Sapucaí. “Quando a pessoa não observa sempre, a espécie mais comum é uma super novidade. Nosso objetivo é a sensibilização, a educação ambiental”, afirma Pedro Ribeiro, proprietário da Rota das Araucárias. “Seguro e todos os equipamentos, como monóculos, estão incluídos no valor.”

O roteiro Aves do Serrano (3h a 5h; R$ 100) da empresa é recomendado para iniciantes buscarem ver tucanos e pica-paus. O Habitantes Alto Montana (4h a 6h; R$ 160), no ambiente da Pedra do Bauzinho, exige um olhar um pouco mais treinado para apreciar um sanhaço-frade ou um grimpeiro. O bônus: um bom ângulo da Pedra do Baú, cujo cume fica a 1.950 metros. “Andando por campos de altitude, a gente apresenta a biodiversidade daquele ambiente paras pessoas e elas ainda visitam o Bauzinho”, diz Ribeiro. A empresa também faz trilhas (de R$ 100 a R$ 130).

Adeptos de esportes radicais na natureza podem experimentar escalada, rapel, trilhas e tirolesa com a Baú Ecoturismo. Descer o Bauzinho de rapel, caminhar e depois escalar o Baú (R$ 500 individual; R$ 320 por pessoa para dois) está entre as atividades disponíveis. A empresa também aluga bikes por R$ 40 a hora ou R$ 80 a diária (9h/16h30), para pedalar no asfalto ou em estrada de terra, mas não em trilhas.

Fãs de vinho também podem ir à cidade paulista, que acaba de ganhar a mais alta vinícola do País, a Bela Vista, a 1.780 metros. Com três outras, ela faz parte da Rota de Vinhos da Mantiqueira, em São Bento do Sapucaí. A LET Mantiqueira organiza passeios de um dia em carro 4x4 pelos arredores de Campos do Jordão, distante de aglomerações. A agência de experiências lança agora um roteiro (11h30/18h30; a partir de R$ 450 por pessoa) que termina com degustação no pôr do sol da recém-inaugurada Bela Vista.

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